Eleições expõem força e fracassos do grupo político de Ratinho Junior
Dos ex-secretários de Ratinho Junior que disputaram as eleições, sete conseguiram mandato, enquanto outros nomes próximos ao governador ficaram pelo caminho
Os resultados das eleições de 4 de outubro abriram uma rodada de avaliações dentro do grupo político do governador Ratinho Junior. Nos bastidores do Palácio Iguaçu, aliados analisam o desempenho dos nomes que deixaram o governo para disputar uma vaga no Legislativo e tentam entender os motivos dos resultados.
Entre os ex-secretários da gestão Ratinho Junior que disputaram a eleição, sete conseguiram se eleger. O número representa menos da metade dos integrantes do governo que apostaram na força política do governador para chegar às urnas.
O melhor desempenho foi de Beto Preto. Ex-secretário da Saúde durante os dois mandatos de Ratinho Junior, ele foi o governista mais votado para a Câmara dos Deputados.
Com o slogan “o 01 do governador”, Beto Preto recebeu 177.032 votos, terminou como o quinto deputado federal mais votado do Paraná e foi o principal nome do PSD paranaense na disputa.
Leonaldo Paranhos, ex-prefeito de Cascavel e ex-secretário de Turismo, também conquistou uma cadeira em Brasília. Ele recebeu quase 100 mil votos.
Leandre Dal Ponte, que comandou a Secretaria da Mulher, teve cerca de 90 mil votos e também foi eleita deputada federal.
Outro nome que conseguiu chegar à Câmara foi Luizão Goulart. Depois de disputar a Prefeitura de Curitiba em 2024, ele assumiu a Secretaria da Administração e obteve 63,4 mil votos.
Três ex-secretários chegam à Assembleia
Na disputa pela Assembleia Legislativa do Paraná, três ex-secretários de Ratinho Junior conseguiram se eleger. Dois deles conquistaram a reeleição.
Márcio Nunes foi o destaque. O ex-secretário passou pelas pastas do Desenvolvimento Sustentável, Turismo e Agricultura e recebeu 119 mil votos, o melhor desempenho entre os candidatos do PSD.
Ulisses Maia, ex-prefeito de Maringá, deixou a prefeitura para assumir a Secretaria de Planejamento do governo Ratinho Junior. Ele recebeu 56 mil votos e garantiu uma cadeira na Assembleia.
Do Carmo foi o terceiro ex-secretário eleito. Ele comandava a Secretaria do Trabalho e decidiu contrariar a orientação do Podemos, que apoiou Sergio Moro para o governo, para fazer campanha para Sandro Alex.
Na eleição deste ano, Do Carmo recebeu 83 mil votos. O desempenho foi superior ao de 2022, quando teve 53 mil votos.
Os nomes que ficaram pelo caminho
A lista dos eleitos, porém, termina nesses sete nomes. Outros integrantes ou ex-integrantes do governo tentaram aproveitar a proximidade com Ratinho Junior, mas não conseguiram mandato.
Alex Canziani, que comandou a Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial, disputou uma vaga na Assembleia, mas ficou de fora.
O atual deputado estadual Marcelo Rangel, que ocupou anteriormente a mesma secretaria, tentou uma cadeira na Câmara dos Deputados e também não conseguiu se eleger.
O mesmo aconteceu com Marco Brasil, ex-secretário de Indústria e Comércio que migrou do PP para o PSD, e Rogério Carboni, do MDB, que comandou a Secretaria da Família.
Presidente do Detran Paraná, Santin Roveda (União) recebeu 52.776 votos, mas não conseguiu uma vaga na Câmara. Durante a campanha, ele destacou a redução da alíquota do IPVA no Paraná e também recebeu apoio do apresentador Ratinho em vídeo divulgado na reta final da disputa.
Helio Wirbiski, ex-secretário do Esporte e um dos nomes ligados à coordenação do Verão Maior, também tentou uma cadeira na Assembleia, mas não alcançou votos suficientes.
Aliados próximos também ficaram sem mandato
O resultado negativo não ficou restrito aos ex-secretários. Pessoas próximas a Ratinho Junior também terminaram a eleição sem mandato.
Darlan Scalco, chefe de gabinete do governador, recebeu cerca de 30 mil votos na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Lucio Mauro Tasso, subchefe da Casa Civil e aliado próximo do apresentador Ratinho, teve resultado semelhante. Ele recebeu 29.587 votos e não conseguiu uma vaga na Assembleia Legislativa.
Durante a campanha, o governador chegou a alterar os planos da deputada Cloara Pinheiro, que deixou de disputar a reeleição para tentar uma vaga na Câmara dos Deputados. A mudança tinha como objetivo ajudar a candidatura de Lúcio Tasso. Os dois, no entanto, terminaram fora das listas de eleitos.
Júnior Weiller (MDB), que já passou pela Superintendência Geral de Apoio aos Municípios (SAM), ligada à Casa Civil, e presidiu a Associação dos Municípios do Paraná (AMP), recebeu 39 mil votos, mas também não conseguiu uma cadeira na Assembleia.
Bihl Zanetti, ex-diretor da Sanepar, teve 36 mil votos na disputa pela Assembleia e ficou de fora.
As principais apostas também não venceram
Entre os resultados que mais chamaram a atenção estão os de Sandro Alex e Rafael Greca, dois nomes que apareciam entre as principais apostas do grupo político do governador.
Sandro Alex, ex-secretário de Infraestrutura e Logística, e Rafael Greca, ex-secretário de Desenvolvimento Sustentável, disputaram o Governo do Paraná. Os dois, porém, foram derrotados por Sergio Moro na votação de 4 de outubro.
O resultado contribuiu para um clima de ressaca eleitoral no Palácio Iguaçu na segunda-feira seguinte à eleição. Nos bastidores, integrantes do governo passaram a avaliar o desempenho das candidaturas e o futuro do grupo político.
Um adversário da gestão Ratinho Junior no Centro Cívico aproveitou o resultado para ironizar os candidatos que não conseguiram mandato.
“O Governo do Paraná vive uma situação de pleno emprego. Tem muita vaga nas Agências do Trabalhador”, disse, em tom de provocação.
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