Podemos concentra R$ 2,3 milhões do Fundo Eleitoral em Lu Bonatto e Do Carmo
Presidente estadual do partido recebeu R$ 1,1 milhão e deputado Do Carmo, R$ 1,2 milhão; distribuição dos recursos é alvo de pedido de averiguação na Justiça Eleitoral
O Podemos do Paraná concentrou cerca de R$ 2,3 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) em 2 candidaturas a deputado estadual nas eleições de 2026. Lu Bonatto, presidente estadual da legenda, recebeu R$ 1,1 milhão, enquanto o deputado estadual Do Carmo recebeu R$ 1,2 milhão.
Os valores representam cerca de 63,5% dos R$ 3,62 milhões em recursos do Fundo Eleitoral declarados pelo diretório estadual do partido à Justiça Eleitoral. Dados disponíveis nas prestações de contas também mostram Lu Bonatto com R$ 1,1 milhão arrecadados e Do Carmo com cerca de R$ 1,3 milhão em receitas de campanha.
Lu Bonatto é mãe do deputado federal Felipe Francischini, que disputa a reeleição, e preside o Podemos no Paraná. Ela também é candidata a deputada estadual pela legenda. A condição de presidente estadual do partido é registrada em publicações sobre a composição da sigla para as eleições de 2026.
Do Carmo também concorre à Assembleia Legislativa do Paraná. A concentração dos recursos chamou a atenção de uma advogada de Curitiba, que protocolou pedido de averiguação na Procuradoria Eleitoral do Paraná para que sejam analisados os critérios utilizados pelo partido na distribuição do Fundo Eleitoral.
Segundo a representação, com base nos dados disponíveis em 23 de setembro, o Podemos havia recebido R$ 3,37 milhões do FEFC e Lu Bonatto e Do Carmo concentravam aproximadamente 68,2% desse montante.
O pedido solicita que sejam apresentados documentos utilizados pelo partido para definir os valores destinados às candidaturas, incluindo requerimentos de recursos, atas, planilhas, pareceres, mensagens, deliberações e autorizações relacionadas aos repasses.
A representação também pede a identificação das pessoas que participaram da definição, análise, aprovação e autorização dos valores destinados a Lu Bonatto e Do Carmo.
Candidaturas femininas
A distribuição dos recursos entre as candidaturas femininas do Podemos também é questionada na representação. Entre as 16 candidatas a deputada estadual listadas, os valores recebidos variam de R$ 15 mil a R$ 1,1 milhão, enquanto algumas candidaturas não haviam recebido recursos do Fundo Eleitoral.
Além de Lu Bonatto, que recebeu R$ 1,1 milhão, Fabiana Parro recebeu R$ 200 mil, Isaura Paludo R$ 56 mil, Professora Lurdinha R$ 50 mil e Cinthia Socorrista R$ 50 mil, segundo os dados apresentados.
Na disputa para deputada federal, Ana Paula Pavelski aparece com R$ 685 mil do Fundo Eleitoral. A prestação de contas disponível confirma esse valor de arrecadação para a candidatura.
Transferências sob questionamento
Outro ponto apresentado na representação envolve Ana Paula Pavelski. Segundo o pedido de averiguação, a candidata recebeu R$ 685 mil do Diretório Nacional do Podemos em 1º de setembro. Dois dias depois, teria transferido R$ 50 mil para a campanha de Professora Lurdinha e R$ 15 mil para Waldirene Budal.
A autora da representação pede que sejam apresentados os documentos bancários, recibos eleitorais, autorizações e registros contábeis relacionados às transferências.
O objetivo é verificar a origem e a natureza dos recursos, os critérios utilizados pelo partido e o cumprimento das regras eleitorais relacionadas à distribuição do Fundo Eleitoral, incluindo as cotas destinadas às candidaturas femininas, raciais e indígenas.
A representação não aponta, por si só, que tenha sido comprovada irregularidade. O que está em análise é se a distribuição dos recursos seguiu os critérios adotados e informados pelo partido à Justiça Eleitoral.
O caso coloca sob análise a estratégia de distribuição do Fundo Eleitoral do Podemos no Paraná e os critérios utilizados para definir quanto cada candidatura recebeu na campanha de 2026. A Gazeta do Paraná abre espaço para os citados na reportagem.
Foto: Divulgação
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