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Preços de carros usados caem até 15,7% no Brasil com avanço de marcas chinesas e promoções de veículos novos

Levantamento aponta desvalorização média de 10,2% entre os 25 modelos mais procurados no país; queda supera os índices registrados pela tabela Fipe

Valéria Mendes · · 5 min de leitura
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... — Crédito: Divulgação

O avanço das montadoras chinesas no mercado brasileiro e as promoções de veículos zero-quilômetro estão pressionando os preços dos carros usados e seminovos. Um levantamento realizado pela plataforma Auto Avaliar mostra que os 25 modelos mais procurados do país registraram desvalorização nos últimos 12 meses, com quedas que chegaram a 15,7%.

A pesquisa, divulgada em setembro de 2026, identificou uma redução média de 10,2% nos preços efetivamente praticados nas negociações, enquanto a tabela Fipe apontou queda média de aproximadamente 4% para os modelos analisados.

A diferença indica que os valores de referência utilizados por compradores e vendedores nem sempre acompanham, na mesma intensidade, os descontos aplicados nas transações.

Segundo especialistas do setor automotivo, a maior concorrência, impulsionada pela chegada de veículos chineses e pelas ofertas das fabricantes tradicionais, tem levado lojistas a reduzir preços para manter a competitividade.

SUVs estão entre os veículos que mais perderam valor

Entre os 25 automóveis analisados, o Jeep Compass apresentou a maior desvalorização, com queda de 15,7% no preço médio de venda ao consumidor.

Na sequência aparecem o Jeep Renegade, com redução de 13,8%, e o Chevrolet Tracker, com 13,5%. Outros modelos bastante populares, como Toyota Corolla Cross, Volkswagen Nivus e Hyundai Creta, também registraram perdas expressivas.

A desvalorização não ficou restrita aos utilitários esportivos. Picapes, sedãs e hatches também foram atingidos, incluindo veículos tradicionalmente procurados no mercado de usados, como Toyota Hilux, Chevrolet Onix, Honda Civic e Hyundai HB20.

Confira a desvalorização dos 25 modelos analisados

   

Jeep Compass

15,7%

Jeep Renegade

13,8%

Chevrolet Tracker

13,5%

Ford Ranger

11,8%

Toyota Corolla Cross

11,8%

Volkswagen Nivus

11,2%

Fiat Pulse

10,5%

Toyota Hilux

10,3%

Chevrolet Onix

10,1%

Honda Civic

10,1%

Hyundai Creta

10,0%

Honda HR-V

9,9%

Nissan Kicks

9,7%

Fiat Strada

9,6%

Volkswagen T-Cross

9,5%

Toyota Corolla

9,3%

Volkswagen Polo

9,3%

Fiat Toro

9,3%

Honda City

9,2%

Volkswagen Virtus

8,6%

Hyundai HB20S

8,5%

Toyota Yaris

7,9%

Fiat Argo

7,2%

Hyundai HB20

7,0%

Renault Kwid

6,8%

Os percentuais representam as variações identificadas no levantamento da Auto Avaliar, considerando os preços praticados no mercado até agosto de 2026.

Concorrência chinesa pressiona preços no Brasil

A ampliação da oferta de automóveis produzidos por marcas chinesas tem provocado mudanças no mercado nacional. Fabricantes como BYD e GWM ampliaram a presença de modelos eletrificados, oferecendo novas opções de tecnologia e equipamentos aos consumidores.

Esse movimento também estimula as montadoras tradicionais a conceder descontos e promover condições comerciais mais competitivas para veículos novos.

Como consequência, a diferença de preço entre um automóvel zero-quilômetro em promoção e um seminovo pode diminuir, levando consumidores a reconsiderar a compra de veículos usados.

Para os lojistas, a necessidade de manter estoques competitivos pode resultar em descontos maiores e margens de negociação mais apertadas.

Embora o avanço das fabricantes chinesas seja apontado como um dos fatores dessa mudança, a pesquisa não permite atribuir toda a desvalorização exclusivamente à presença dessas marcas. Promoções, oferta de veículos, demanda e condições de financiamento também influenciam os preços.

Preços praticados ficam abaixo das referências da Fipe

Uma das principais conclusões do levantamento é a diferença entre os valores observados nas negociações e os indicadores da tabela Fipe.

De acordo com J.R. Caporal, presidente da Auto Avaliar, a plataforma utiliza dados de operações comerciais realizadas por lojistas, permitindo observar quanto foi pago na aquisição dos veículos e os preços pelos quais foram posteriormente vendidos.

“O nosso banco de dados mostra o quanto o lojista pagou pelo carro e por quanto ele fechou a venda”, explicou o executivo.

A pesquisa apontou que os 25 modelos analisados apresentaram diferenças entre a desvalorização observada nas transações e aquela indicada pela Fipe.

Isso significa que um veículo pode apresentar determinada referência de mercado na tabela, mas ser negociado por um valor inferior, dependendo da região, do estado de conservação, da quilometragem e da necessidade de venda.

A tabela Fipe permanece como um indicador importante do mercado automotivo, mas não representa obrigatoriamente o preço final de cada negociação.

Levantamento reúne milhares de concessionárias e lojistas

O estudo foi elaborado pela Auto Avaliar, plataforma utilizada por mais de 27 mil lojistas e com mais de 6 mil concessionárias cadastradas, segundo informações da empresa.

A análise considerou veículos de sete anos-modelo, entre 2019 e 2025, distribuídos em diferentes faixas de idade.

Do total examinado, 26% correspondem a automóveis com até dois anos de uso, 29% possuem entre três e quatro anos e 45% têm entre cinco e sete anos.

O levantamento abrange aproximadamente 30 mil combinações de modelo, versão, ano e estado, permitindo observar diferenças de preços em diversos segmentos do mercado.

Queda pode favorecer compradores, mas exige atenção dos proprietários

Para quem pretende adquirir um automóvel usado, a redução dos preços pode abrir oportunidades de negociação, especialmente entre modelos com maior oferta no mercado.

No entanto, especialistas recomendam avaliar não apenas o preço de compra, mas também o histórico de manutenção, a quilometragem, as condições mecânicas, o seguro e os custos de propriedade.

Já para quem pretende vender ou trocar de veículo, o cenário pode representar perdas maiores do que as estimadas inicialmente com base na tabela Fipe.

O levantamento reforça que o mercado brasileiro de automóveis passa por um período de ajuste nos preços, influenciado pela concorrência, pelas estratégias comerciais das fabricantes e pelas mudanças nas opções disponíveis aos consumidores.

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