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Petrobras faz 2ª descoberta de petróleo no Amapá e vê nova fronteira

Magda Chambriard afirmou que novo achado no poço Morpho aumenta as expectativas sobre a Margem Equatorial; Petrobras ainda precisa avaliar volume e viabilidade comercial da descoberta.

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
Petrobras encontra petróleo pela 2ª vez no poço Morpho, no Amapá
Petrobras encontra petróleo pela 2ª vez no poço Morpho, no Amapá — Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

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A Petrobras fez uma segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá. O novo achado aumenta as expectativas da estatal sobre a possibilidade de abertura de uma nova fronteira exploratória de petróleo no país.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira (2). O poço 1-BRSA-1405-APS está localizado em águas ultraprofundas, a 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma área com lâmina d’água de 2.886 metros.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que os resultados indicam um cenário positivo, mas destacou que ainda é necessário concluir os estudos para confirmar o potencial comercial da área.

“Ainda não podemos garantir, mas tudo indica que estamos realmente abrindo uma nova fronteira exploratória. Existe o otimismo de que essa fronteira ajude a mitigar o déficit de produção no Brasil. Não sabemos se vamos ter uma descoberta com valor comercial, mas tudo indica que sim”, disse.

Segundo a Petrobras, a nova descoberta amplia o conhecimento sobre o potencial exploratório da Bacia da Foz do Amazonas e ajudará na avaliação dos sistemas petrolíferos da região.

Segunda descoberta no poço Morpho

A primeira descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho foi anunciada pela Petrobras em agosto. Na ocasião, a empresa informou que havia identificado a presença de hidrocarbonetos durante a perfuração.

Agora, a estatal identificou outro intervalo portador de petróleo no mesmo poço. Para Magda, os resultados obtidos até o momento aumentam o interesse sobre a região.

“Todas as etapas até agora estão confirmando as anteriores e esquentando a área. A cada nova notícia, estamos aumentando o valor destas áreas exploratórias para a Petrobras. Estamos esquentando o Amapá, o estado está ficando mais valioso a cada dia”, afirmou.

Durante a coletiva de imprensa, a presidente da Petrobras mostrou uma amostra do óleo encontrado no poço. Questionada sobre a qualidade do petróleo, classificou o material como “maravilhoso” e de baixa viscosidade.

O grau API, índice utilizado para medir a densidade e a leveza do petróleo, e outros dados técnicos ainda estão sob sigilo regulatório.

Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, estima que o volume potencial recuperável da Bacia da Foz do Amazonas possa chegar a 10 bilhões de barris de óleo equivalente.

O que acontece agora

A Petrobras informou que os testes e as operações no poço Morpho devem continuar até o fim de outubro. Depois disso, a sonda será desmobilizada e seguirá para o Rio Grande do Norte, onde deverá perfurar o prospecto Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar, em novembro.

Na Foz do Amazonas, a Petrobras planeja uma nova mobilização de sonda no primeiro trimestre de 2027. A previsão é perfurar três poços de delimitação no bloco FZA-M-59.

Esses novos poços deverão ajudar a estimar o tamanho das jazidas e avaliar se a produção comercial é viável.

A Petrobras obteve autorização do Ibama para perfurar na região em outubro de 2025. A companhia é operadora do bloco FZA-M-59 e possui 100% de participação na área.

MPF pede suspensão da exploração

A nova descoberta ocorre enquanto a exploração de petróleo na Foz do Amazonas é questionada na Justiça.

Na segunda-feira (28), o Ministério Público Federal apresentou recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) para pedir novamente a suspensão da licença ambiental concedida à Petrobras. O órgão também quer a paralisação das atividades de perfuração e testes no bloco FZA-M-59.

O MPF argumenta que existem riscos de danos ambientais e aponta problemas relacionados às simulações de vazamento. O órgão também cobra consulta prévia, livre e informada a povos indígenas, comunidades quilombolas e pescadores artesanais potencialmente afetados pela atividade.

Entre os argumentos apresentados pelo MPF está ainda um vazamento de mais de 18 mil litros de fluido químico ocorrido durante uma operação de sonda em janeiro deste ano.

A discussão sobre a exploração na região envolve, portanto, dois movimentos simultâneos: a Petrobras amplia as pesquisas após uma segunda descoberta no poço Morpho, enquanto o MPF tenta interromper as atividades até que questões ambientais e sociais sejam analisadas pela Justiça.

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