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Nunes Marques confirma que caso de Bolsonaro deve ir ao plenário do STF

Ministro do STF avalia que uma decisão antes do segundo turno poderia ser interpretada como interferência no processo eleitoral; caso envolve revisão criminal da condenação do ex-presidente

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
Nunes Marques deve deixar caso de Bolsonaro para depois da eleição
Nunes Marques deve deixar caso de Bolsonaro para depois da eleição — Crédito: Luiz Roberto/TSE

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (7) que deve analisar o caso envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) somente depois do segundo turno das eleições. Segundo o gabinete do magistrado, uma decisão antes do fim do pleito poderia ser interpretada como interferência no processo eleitoral.

A posição de Nunes Marques foi revelada pela Folha na segunda-feira (5). Em nota, o ministro afirmou que pretende aguardar a conclusão das eleições para definir quando será analisada a revisão criminal apresentada pela defesa de Bolsonaro.

Nunes Marques também informou que pretende levar o caso ao plenário do STF, que reúne os ministros da Corte. A análise poderá ocorrer em sessão presencial ou no plenário virtual, sistema em que os ministros apresentam os votos por meio eletrônico.

Ministro avalia levar caso ao plenário

Nunes Marques é o relator da revisão criminal apresentada pela defesa de Bolsonaro. A ação busca modificar a condenação do ex-presidente no processo que apura sua participação na tentativa de golpe de Estado.

Como mostrou a reportagem, o ministro avalia a possibilidade de conceder uma decisão liminar para libertar Bolsonaro. O cenário considerado mais provável, porém, é que o caso seja levado ao plenário para análise dos demais ministros.

Nesta quarta-feira, o gabinete de Nunes Marques confirmou a intenção de levar a discussão ao colegiado, definido pelo ministro como “o órgão competente”.

“E a data desse julgamento, se para um plenário presencial, depende do presidente do Supremo Tribunal Federal”, afirmou o gabinete do magistrado.

A revisão criminal já recebeu parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que considerou o processo pronto para julgamento.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo que apura a trama golpista. Segundo a acusação, o ex-presidente participou de um plano para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vencedor das eleições de 2022.

O caso envolve a tentativa de ruptura institucional após a derrota de Bolsonaro na eleição presidencial.

Flávio Bolsonaro disputa segundo turno

O cenário também ganhou peso político porque o filho mais velho do ex-presidente, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), disputa a Presidência da República neste ano.

Flávio avançou ao segundo turno contra Lula. No primeiro turno, o senador recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto o atual presidente ficou com 45,16%.

Flávio afirmou que, caso seja eleito, concederá um indulto ao pai. O senador também disse que pretende levar Bolsonaro para subir a rampa do Palácio do Planalto ao seu lado durante a posse.

Para conceder um eventual perdão presidencial, porém, Flávio precisaria estar empossado como presidente da República.

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