Lula encosta em Flávio Bolsonaro e reduz diferença de cinco para dois pontos, aponta Ipespe
Nova pesquisa presidencial mostra recuperação do petista na disputa pelo segundo turno. Flávio mantém vantagem numérica, mas cenário é de empate técnico a duas semanas da votação
A disputa pela Presidência da República ficou ainda mais apertada. Pesquisa Ipespe/Abrapel divulgada neste sábado (17) aponta Flávio Bolsonaro (PL) com 48% das intenções de voto, contra 46% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença, que era de cinco pontos percentuais no levantamento anterior do instituto, caiu para apenas dois, dentro da margem de erro de 2,6 pontos percentuais.
O resultado indica uma recuperação numérica de Lula na reta final da campanha para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Embora Flávio continue à frente, a movimentação entre as duas pesquisas sugere uma disputa mais equilibrada, em um momento decisivo para a conquista dos eleitores que ainda não definiram o voto.
Na rodada anterior, realizada entre 6 e 8 de outubro, Flávio Bolsonaro aparecia com 49% das intenções de voto, enquanto Lula registrava 44%. Agora, o candidato do PL recuou um ponto percentual e o petista avançou dois. Com isso, a distância entre os adversários diminuiu três pontos percentuais em aproximadamente uma semana.
A variação, isoladamente, não é suficiente para comprovar uma tendência definitiva de crescimento de Lula, especialmente porque as oscilações individuais estão dentro da margem de erro. Ainda assim, o movimento chama atenção por ocorrer na fase em que os candidatos intensificam a campanha e procuram ampliar o apoio para além de seus respectivos eleitorados.
Disputa nos votos válidos
Quando considerados apenas os votos válidos, excluindo brancos, nulos e indecisos, Flávio Bolsonaro aparece com 51,2%, enquanto Lula registra 48,8%. Nesse recorte, a diferença é de 2,4 pontos percentuais.
Os números mostram que nenhum dos candidatos dispõe de uma vantagem estatisticamente segura. A definição da eleição permanece aberta, com possibilidade de alterações no quadro eleitoral até o dia da votação.
A pesquisa ouviu 1.500 eleitores entre os dias 13 e 15 de outubro. A margem de erro informada é de 2,6 pontos percentuais, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00223/2026.
Rejeição de Lula diminui e chega ao mesmo patamar de Flávio
Outro dado relevante da pesquisa é a mudança nos índices de rejeição. Atualmente, 47% dos entrevistados afirmam que não votariam de maneira alguma em Flávio Bolsonaro. O mesmo percentual rejeita Lula.
Na pesquisa anterior, a rejeição ao presidente era de 49%, enquanto a do senador estava em 46%. Isso significa que Lula registrou uma redução de dois pontos percentuais na rejeição, ao passo que Flávio apresentou uma oscilação positiva de um ponto.
O potencial de voto também revela diferenças entre os candidatos. Entre os entrevistados, 47% afirmam que votariam com certeza em Flávio Bolsonaro, enquanto 4% admitem que poderiam votar nele. No caso de Lula, 45% declaram voto certo e 6% dizem que poderiam escolher o petista.
Os números sugerem que ambos possuem eleitorados consolidados e enfrentam dificuldades para ampliar seus apoios. Lula, entretanto, apresenta uma parcela ligeiramente maior de eleitores que consideram votar nele, embora essa diferença não assegure uma vantagem eleitoral.
Outras pesquisas também mostram disputa apertada
O levantamento do Ipespe se soma a uma sequência de pesquisas divulgadas nos últimos dias que apontam uma eleição presidencial sem favorito estatisticamente definido.
Na sexta-feira (16), o Datafolha mostrou Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Na rodada anterior, o senador aparecia com 49%, enquanto o presidente registrava os mesmos 45%. O levantamento ouviu 2.520 pessoas, presencialmente, nos dias 13 e 14 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Também na sexta-feira, o PoderData/Aya apresentou empate numérico entre os dois candidatos, com 47% das intenções de voto para cada um. Nos votos válidos, o resultado foi de 50% a 50%. A pesquisa entrevistou 3 mil eleitores entre 13 e 15 de outubro.
Já a CNT/MDA, divulgada no mesmo dia, apontou Flávio com 50,5% dos votos válidos e Lula com 49,5%, diferença de apenas um ponto percentual.
Embora os levantamentos utilizem metodologias, amostras e margens de erro diferentes, os resultados convergem para um cenário de forte equilíbrio. A comparação direta entre institutos exige cautela, mas as séries de pesquisas indicam que a vantagem numérica de Flávio Bolsonaro não representa uma liderança consolidada.
Reta final será decisiva
A oito dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro, a disputa permanece aberta. A redução da distância entre os candidatos no Ipespe reforça a importância dos últimos dias de campanha, especialmente para a mobilização dos eleitores e a disputa pelos votos daqueles que apoiaram outras candidaturas no primeiro turno.
O desafio de Lula é transformar a aproximação registrada nas pesquisas em uma virada efetiva nas urnas. Para Flávio Bolsonaro, a prioridade é preservar a vantagem obtida no primeiro turno e evitar a perda de apoio na reta final.
A elevada rejeição aos dois candidatos também deve influenciar a disputa. Com quase metade do eleitorado declarando resistência a cada um dos presidenciáveis, a capacidade de conquistar votos fora das respectivas bases políticas pode ser determinante para o resultado.
Por enquanto, a nova pesquisa Ipespe confirma uma eleição disputada ponto a ponto. Flávio Bolsonaro permanece numericamente à frente, mas Lula diminuiu a distância e chega à última semana completa de campanha em condições de disputar a liderança.
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