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Batata fica 69% mais cara no Paraná e nova safra deve ter queda de 11% na produção

Preço médio do quilo saltou de R$ 4,15 para R$ 7,01 em apenas um mês; excesso de chuvas atrasa o plantio e amplia as incertezas sobre a oferta do alimento nos próximos meses

Gazeta do Paraná · · 5 min de leitura
Batatas
Batatas — Crédito: VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL

A batata, um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros, ficou significativamente mais cara no Paraná. Em setembro, o preço médio da batata lisa no varejo chegou a R$ 7,01 por quilo, uma alta de 69,1% em relação a agosto, quando o produto era comercializado por R$ 4,15. O aumento, provocado principalmente pela menor oferta durante a entressafra, ocorre em um momento de preocupação para os produtores, que enfrentam dificuldades no plantio da próxima safra devido ao excesso de chuvas.

Os números constam no Boletim Conjuntural divulgado na quinta-feira (15) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Além da disparada dos preços, o levantamento aponta uma perspectiva de redução na produção paranaense de batata na primeira safra 2026/2027.

A combinação de preços elevados, atraso no calendário agrícola e previsão de continuidade das chuvas aumenta as incertezas sobre o abastecimento nos próximos meses. Embora o encarecimento observado em setembro esteja relacionado à entressafra, as dificuldades atuais de plantio podem influenciar a disponibilidade do produto no futuro.

 

Preço sobe no atacado e pesa no varejo

A alta da batata não ficou restrita às prateleiras dos supermercados. No mercado atacadista, a saca de 25 quilos da batata lisa comum especial lavada passou de R$ 81,28 em agosto para R$ 130,14 em setembro, avanço de 60,1%.

Na prática, o preço médio no atacado passou de aproximadamente R$ 3,25 para R$ 5,21 por quilo. Já no varejo, o aumento foi ainda mais expressivo, chegando aos 69,1%.

O comportamento dos preços revela também diferenças entre os valores praticados ao longo da cadeia produtiva. Em agosto, os agricultores paranaenses receberam, em média, R$ 37 pela saca de 25 quilos, equivalente a R$ 1,48 por quilo. O valor representou uma redução de 35,9% em relação a julho, quando a mesma quantidade era negociada por R$ 57,74.

Em setembro, não houve cotação ao produtor no levantamento devido ao período de entressafra. Por isso, os valores recebidos pelos agricultores em agosto não podem ser comparados diretamente aos preços praticados no varejo em setembro como se representassem a mesma operação comercial.

As diferenças entre os preços no campo, no atacado e no varejo também envolvem despesas com transporte, armazenamento, classificação, perdas e comercialização. Os dados, isoladamente, não permitem determinar a margem de lucro de cada participante da cadeia.

 

Chuvas deixam plantio abaixo da média histórica

Enquanto os consumidores enfrentam preços mais altos, os produtores paranaenses encontram dificuldades para estabelecer a primeira safra de batata de 2026/2027.

Até quinta-feira (15), apenas 67% da área prevista havia sido semeada, o equivalente a 10,8 mil hectares dos 16,2 mil hectares estimados para o cultivo.

O percentual está significativamente abaixo da média histórica das últimas dez safras, que indica que aproximadamente 83% da área deveria estar plantada nesta época do ano.

O principal obstáculo é o excesso de umidade no solo, provocado pelas chuvas intensas registradas nas últimas semanas. As condições dificultam a entrada de máquinas nas propriedades e obrigam os agricultores a aguardar períodos mais favoráveis para dar continuidade ao trabalho.

Além de atrasar o calendário agrícola, a umidade excessiva pode comprometer o desenvolvimento das plantas e aumentar a ocorrência de doenças, especialmente em áreas com problemas de drenagem.

A situação exige atenção porque a batata é uma cultura sensível às condições do solo e depende de planejamento rigoroso das etapas de plantio, desenvolvimento e colheita.

 

Produção pode ficar abaixo da safra anterior

As primeiras estimativas do Deral apontam que o Paraná deverá colher 539,6 mil toneladas de batata na primeira safra 2026/2027. A projeção indica uma possível retração em relação ao ciclo anterior, embora os números ainda sejam preliminares e possam sofrer alterações conforme o avanço do plantio e as condições climáticas.

A produtividade média estimada é de 33,3 toneladas por hectare. O resultado final dependerá tanto do rendimento das lavouras quanto da efetivação da área prevista para o cultivo.

O desempenho da safra será determinante para avaliar a disponibilidade de batata nos próximos meses, embora o abastecimento e os preços ao consumidor também dependam da produção de outras regiões brasileiras e das condições de comercialização.

 

Previsão de chuva mantém produtores em alerta

As perspectivas meteorológicas acrescentam outro elemento de preocupação. Segundo o Deral, as previsões consideradas no boletim indicam a possibilidade de continuidade das chuvas nas próximas semanas, o que poderá dificultar o avanço da semeadura e exigir ajustes no planejamento das propriedades rurais.

Para os agricultores, o desafio é encontrar condições adequadas para realizar o plantio sem comprometer a estrutura do solo e o desenvolvimento das futuras lavouras. Para o mercado, a principal preocupação está relacionada ao ritmo de recuperação da oferta.

Isso não significa, entretanto, que uma nova disparada de preços seja inevitável. A alta de setembro ocorreu antes dos atrasos de plantio registrados em outubro e não pode ser atribuída diretamente às chuvas mais recentes.

O comportamento dos preços dependerá da evolução das lavouras, da entrada de produto de outras regiões e das condições de abastecimento nos próximos meses.

Enquanto isso, a batata exemplifica como as oscilações da produção agrícola e da oferta podem chegar rapidamente ao orçamento das famílias, transformando um alimento cotidiano em mais um fator de pressão sobre as despesas domésticas.

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