Festival Nacional de Capoeira reúne mestres de todo o Brasil em Cascavel com programação gratuita
Em sua 22ª edição, evento segue até domingo (18), no Teatro Municipal Sefrin Filho, com oficinas, palestras e debates sobre a tradição, a educação e a importância cultural da capoeira
Cascavel recebe neste fim de semana a 22ª edição do Festival Nacional de Capoeira, que reúne mestres, mestras, professores e praticantes de diferentes regiões do Brasil em uma programação gratuita dedicada à valorização de uma das mais importantes manifestações da cultura afro-brasileira. O evento começou na sexta-feira (16) e segue até domingo (18), no Teatro Municipal Sefrin Filho, com oficinas, palestras e rodas de conversa que abordam desde os fundamentos da capoeira até sua contribuição para a educação e a preservação das tradições culturais.
A programação reúne representantes do Paraná, Tocantins, Pernambuco e São Paulo, promovendo o intercâmbio de conhecimentos entre diferentes gerações e escolas de capoeira. Além das atividades práticas, o festival propõe reflexões sobre a relação da modalidade com a música, a história, a identidade cultural e a formação social.
Neste sábado (17), a programação da tarde começa às 15h, com a oficina “Fundamentos, Ritmos e Tradições da Capoeira Regional”, conduzida pela Mestra Val e pelo Mestre Asa Delta, do Centro de Capoeira Carta de ABC, de Palmas, no Tocantins. A atividade aborda elementos técnicos e culturais da capoeira regional, incluindo os movimentos, os ritmos e as tradições transmitidas entre mestres e alunos.
A oficina representa uma oportunidade de aproximação com uma modalidade que combina expressão corporal, musicalidade, disciplina e conhecimentos históricos. A capoeira regional, sistematizada pelo Mestre Bimba na primeira metade do século XX, tornou-se uma das principais vertentes dessa manifestação cultural brasileira.
Domingo terá palestras sobre cultura e educação
No domingo (18), o festival concentra sua programação em debates e atividades formativas. Os encontros começam às 9h30, com a palestra “A Capoeira e o Frevo de Recife”, ministrada por Wellington Antônio da Silva, conhecido como Mestre Irmão, de Pernambuco.
A proposta aproxima duas manifestações culturais profundamente ligadas à história e às tradições populares brasileiras. Tanto a capoeira quanto o frevo possuem relações com a cultura afro-brasileira e com práticas coletivas que atravessaram gerações, preservando elementos de resistência, identidade e expressão artística.
Às 10h, Sergio Raul Pradella, o Mestre Pradella, de Presidente Prudente, em São Paulo, apresenta a palestra “A Capoeira e a Contemporaneidade”. O encontro propõe discutir o lugar ocupado pela manifestação cultural na sociedade atual, considerando suas transformações e a permanência dos conhecimentos tradicionais.
Na sequência, às 10h30, Ary Berlin de Souza, o Mestre Ary, de Foz do Iguaçu, aborda “Os Benefícios Educacionais da Capoeira”. O tema destaca as possibilidades de utilização da prática em ambientes educativos, especialmente por reunir atividades físicas, música, convivência coletiva e conhecimentos relacionados à história e à cultura brasileira.
O encerramento está previsto para as 11h, com um debate e uma roda de conversa entre os participantes, proporcionando um espaço de troca de experiências e reflexões sobre os assuntos apresentados ao longo do festival.
Capoeira é reconhecida como patrimônio cultural brasileiro
Mais do que uma prática corporal, a capoeira constitui uma expressão cultural que reúne elementos de luta, dança, música, jogo e tradição oral. Desenvolvida historicamente pela população negra no Brasil, especialmente durante o período da escravidão e nos anos posteriores à abolição, tornou-se um importante símbolo de resistência e preservação da identidade afro-brasileira.
Em 2008, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu a Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres de Capoeira como patrimônio cultural brasileiro, registrando ambos como bens culturais de natureza imaterial.
Seis anos depois, em 2014, a Roda de Capoeira foi inscrita pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
O reconhecimento internacional reforçou a importância da manifestação para a diversidade cultural, destacando seu papel na transmissão de conhecimentos, na convivência comunitária e na valorização das tradições afro-brasileiras.
A transmissão desses saberes ocorre principalmente por meio da relação entre mestres e aprendizes, em um processo que envolve não apenas o domínio dos movimentos, mas também o conhecimento dos instrumentos musicais, das cantigas, dos rituais e da história da capoeira.
Instrumentos como o berimbau, o pandeiro e o atabaque acompanham as rodas, enquanto as cantigas ajudam a preservar narrativas e referências culturais transmitidas ao longo das gerações.
Festival fortalece intercâmbio cultural
Ao chegar à 22ª edição, o Festival Nacional de Capoeira de Cascavel demonstra a continuidade de uma iniciativa dedicada à formação de praticantes e à valorização dos conhecimentos tradicionais.
A presença de mestres de diferentes estados permite que os participantes tenham contato com distintas experiências e formas de ensinar a capoeira, ampliando o intercâmbio entre grupos e comunidades.
Para a secretária municipal de Cultura, Beth Leal, encontros dessa natureza contribuem para fortalecer a diversidade cultural do município e reconhecer a importância dos mestres na transmissão dos saberes às novas gerações.
A realização do festival no Teatro Municipal Sefrin Filho também amplia a visibilidade da capoeira como manifestação artística e cultural, aproximando a população de uma tradição que ultrapassa os limites das academias e dos espaços de treinamento.
A entrada gratuita permite que interessados conheçam a programação sem custo, fortalecendo o acesso às atividades culturais e formativas oferecidas no município.
Confira a programação restante:
Sábado (17 de outubro)
15h — Oficina “Fundamentos, Ritmos e Tradições da Capoeira Regional”, com Mestra Val e Mestre Asa Delta, do Centro de Capoeira Carta de ABC, de Palmas (TO).
Domingo (18 de outubro)
9h30 — Palestra “A Capoeira e o Frevo de Recife”, com Mestre Irmão, de Recife (PE).
10h — Palestra “A Capoeira e a Contemporaneidade”, com Mestre Pradella, de Presidente Prudente (SP).
10h30 — Palestra “Os Benefícios Educacionais da Capoeira”, com Mestre Ary, de Foz do Iguaçu (PR).
11h — Debate e roda de conversa com os participantes do festival.
Local: Teatro Municipal Sefrin Filho, em Cascavel.
Entrada: gratuita.
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