🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Pref corbelia alto
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo
Público › Eleições 2026

Lula defende redução da maioridade penal, investigação de ministros do STF e reconhece falhas do governo

Em sabatina na TV Globo, presidente abordou segurança pública, caso Banco Master, relação com o Congresso, endividamento das famílias e atendimento pelo SUS; entrevista integra a cobertura do segundo turno das eleições de 2026

Repórter Gazeta do Paraná · · 7 min de leitura
Lula defende redução da maioridade penal, investigação de ministros do STF e reconhece falhas do governo
— Crédito: Divulgação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, reconheceu falhas na comunicação do governo com a população e afirmou que poderia ter divulgado melhor os resultados de sua gestão. Em entrevista à TV Globo, o petista defendeu o modelo econômico adotado, sustentou que o crescimento do país é fundamental para melhorar as contas públicas e apresentou propostas para a segurança pública, o endividamento das famílias e a saúde.

Conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, a sabatina abordou a avaliação do governo, as dificuldades na relação com o Congresso Nacional e os desafios de uma eventual nova gestão. Lula atribuiu parte dos problemas aos primeiros anos de reconstrução administrativa após assumir a Presidência, em 2023, e admitiu que não conseguiu atender às expectativas de parte da população nem comunicar adequadamente as medidas adotadas.

O presidente argumentou que os brasileiros esperavam resultados semelhantes aos do fim de seu segundo mandato, em 2010, período que destacou pelo crescimento econômico e pela expansão do emprego. Sobre a relação com o Legislativo, contestou as críticas à governabilidade e citou a aprovação da reforma tributária como exemplo da capacidade de articulação, apesar da bancada minoritária do PT no Congresso.

Relação com os Estados Unidos
Na política externa, Lula afirmou manter diálogo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apesar das divergências comerciais e das tarifas aplicadas a produtos brasileiros. Disse acreditar na possibilidade de um acordo entre os dois países e destacou a ampliação das relações comerciais brasileiras com mercados como China, Indonésia, Alemanha e Vietnã.

O presidente defendeu a autonomia do Brasil nas negociações internacionais e afirmou preferir a solução diplomática à retaliação comercial. Segundo ele, os Estados Unidos também têm interesses econômicos na manutenção das relações com o Brasil.

Segurança pública e maioridade penal
Lula defendeu a ampliação da participação federal no combate ao crime organizado e afirmou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública caso seja reeleito. A proposta, segundo ele, prevê orçamento próprio e atribuições definidas para a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Penal.

O presidente também mencionou a intenção de financiar a construção de 138 presídios e reforçar o combate financeiro às facções criminosas. A estratégia, afirmou, busca enfraquecer as organizações e impedir que continuem comandando atividades ilícitas de dentro das unidades prisionais.

Questionado sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos, Lula declarou ser favorável à mudança. Ressalvou, porém, que o tema deve ser discutido separadamente da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que trata da reorganização das atribuições dos entes federativos.

O petista também criticou a possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Para Lula, o enquadramento pode abrir espaço para interferência estrangeira. Ele defendeu o fortalecimento da cooperação internacional no enfrentamento ao narcotráfico e ao crime organizado.

Caso Banco Master e investigação de ministros do STF
A crise de credibilidade do Supremo Tribunal Federal (STF) e as suspeitas envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro estiveram entre os assuntos da entrevista. Lula defendeu a apuração de todas as denúncias e afirmou que ninguém deve estar acima da lei, incluindo os ministros da Suprema Corte.
O presidente disse ter conversado com o presidente do STF, Edson Fachin, sobre a necessidade de investigar os fatos e responsabilizar eventuais envolvidos em irregularidades. Também defendeu a discussão de mudanças no funcionamento do Judiciário, como a adoção de mandatos para ministros do Supremo, critérios de escolha e regras éticas para magistrados, inclusive sobre atividades profissionais privadas.

Questionado sobre o ministro Flávio Dino, indicado por Lula ao STF, e o pedido de vista que adiou uma análise relacionada às suspeitas envolvendo integrantes da Corte, o presidente afirmou não ter conhecimento jurídico para avaliar individualmente a decisão. Reforçou, no entanto, que as denúncias devem ser examinadas e que eventuais irregularidades não podem ser encobertas.
Lula também comentou a atuação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Afirmou que o delegado não é seu aliado pessoal, mas um profissional escolhido para comandar a instituição. O presidente reconheceu ter repreendido Rodrigues por sua participação em um evento em Londres ligado a Vorcaro, mas elogiou seu trabalho. Sobre a permanência no cargo em um eventual novo mandato, disse que a decisão será tomada após o resultado eleitoral.
Outro ponto abordado foi o encontro de Lula com Vorcaro no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, após a apresentação do empresário pelo ex-ministro Guido Mantega. O presidente afirmou que recebe pessoas que procuram o governo para tratar de problemas e que orientou o encaminhamento da situação aos órgãos competentes, defendendo uma análise técnica, sem interferência política.

Sobre o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e os vínculos profissionais de familiares com o Banco Master, Lula defendeu a revisão de regras éticas na administração pública. Ressaltou, porém, que não cabe ao presidente impedir o exercício de atividades profissionais dentro dos limites legais. Para ele, a apuração dos fatos deve contribuir para o aperfeiçoamento dos mecanismos de controle.

Bolsa Família e endividamento das famílias
Na área social, Lula reconheceu que o reajuste do Bolsa Família foi anunciado próximo ao primeiro turno das eleições e afirmou que desconhecia a falta de correção anterior. Segundo ele, ao tomar conhecimento da situação, determinou o reajuste.

O presidente também defendeu as medidas de renegociação de dívidas e anunciou a intenção de avançar em uma nova etapa do programa Desenrola. Entre as possibilidades citadas, está a aquisição, pela União, de dívidas antigas com descontos elevados, para permitir que consumidores endividados recuperem sua capacidade de consumo.

Lula mencionou ainda iniciativas voltadas a microempreendedores e pequenos empresários, incluindo a possibilidade de perdão de débitos considerados irrecuperáveis e a oferta de crédito para quem regularizar a situação financeira.
Questionado sobre os juros elevados e a trajetória da dívida pública, o presidente rejeitou a ideia de concentrar o ajuste fiscal em cortes de gastos sociais. Defendeu o crescimento econômico como caminho para ampliar a arrecadação e melhorar as contas públicas, além de sustentar que investimentos em infraestrutura e ativos produtivos podem justificar a contratação de dívida.

Energia elétrica e atendimento pelo SUS
Na área de energia, Lula atribuiu parte dos problemas relacionados ao custo da eletricidade à privatização da Eletrobras. Afirmou que o governo pretende aproveitar o potencial energético brasileiro para atrair investimentos em centros de processamento de dados e ampliar oportunidades relacionadas à economia digital e à transição energética.

O presidente também citou a ampliação da tarifa social e a possibilidade de consumidores de diferentes faixas de renda acessarem o mercado livre de energia, com o objetivo de aumentar a concorrência e oferecer alternativas de contratação.

Na saúde, Lula reconheceu que a demora por consultas especializadas, exames e cirurgias continua sendo um problema. Como resposta, citou a expansão do Mais Médicos, a contratação de especialistas e o uso de unidades móveis para exames, especialmente voltados à saúde da mulher e ao diagnóstico de cânce.

O presidente afirmou ainda que pretende ampliar a realização de cirurgias eletivas e estabelecer parcerias com hospitais privados para aumentar a capacidade de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Ao encerrar a sabatina, Lula defendeu os resultados de sua administração e afirmou que o país está no caminho certo. Citou a retomada de obras paralisadas, os investimentos em saúde e educação e as políticas de transferência de renda, embora tenha reconhecido a existência de desafios a serem enfrentados.

A entrevista faz parte da série de sabatinas da TV Globo com os candidatos à Presidência da República no segundo turno das eleições de 2026. O próximo entrevistado será Flávio Bolsonaro (PL) nesta sexta-feira (16), e a programação também prevê um debate entre os candidatos.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.