Kassab diz que família Bolsonaro está fora do jogo político e admite PSD no governo Lula
Presidente nacional do PSD afirma que partido foi procurado pelo Planalto, não descarta assumir ministério e avalia que derrotas eleitorais enfraqueceram o futuro político da família Bolsonaro
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que a família Bolsonaro perdeu espaço no cenário político brasileiro após duas derrotas consecutivas nas eleições presidenciais e admitiu a possibilidade de seu partido integrar o próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As declarações foram feitas em entrevista ao jornal O Globo, publicada neste sábado (31), e sinalizam uma possível reconfiguração das alianças políticas após a eleição de 2026.
Segundo Kassab, a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial não pode ser atribuída apenas à estratégia eleitoral do candidato. O dirigente avaliou que parte do eleitorado rejeitou o comportamento do senador durante a campanha, especialmente sua atuação nos debates.
“Quanto mais Flávio foi se apresentando na eleição, mais pessoas foram não gostando do que viam”, afirmou. “Muita gente rejeitou também o linguajar e a falta de postura nos debates”, acrescentou.
Kassab também atribuiu parte do resultado à capacidade da campanha de Lula de mobilizar o eleitorado diante da possibilidade de retorno do bolsonarismo ao Palácio do Planalto. Na avaliação do presidente do PSD, a comunicação digital e as manifestações populares tiveram papel importante no resultado.
“A campanha do Lula soube mexer bem com o medo das pessoas da volta do bolsonarismo. Além disso, as manifestações espontâneas nas ruas tiveram um peso e André Janones foi muito grande para mostrar ao PT a importância da comunicação digital”, declarou.
PSD pode integrar governo
Além da avaliação sobre o desempenho da família Bolsonaro, Kassab revelou que o PSD já foi procurado por Lula para discutir uma aproximação com o futuro governo. O dirigente admitiu a possibilidade de participação da legenda na administração federal, embora não tenha anunciado qualquer acordo definitivo.
A eventual entrada do PSD na composição ministerial ampliaria a base de sustentação política do presidente no Congresso Nacional. O partido ocupa uma posição relevante no cenário nacional, com representação parlamentar, governadores e prefeitos em diferentes regiões do país.
Kassab também não descartou a possibilidade de assumir pessoalmente um ministério. Entretanto, não há confirmação de convite formal, definição de pasta ou negociação concluída para sua participação no primeiro escalão do governo.
A aproximação ocorre em um momento de articulação da nova equipe ministerial. Lula deverá negociar espaços com partidos que apoiaram sua reeleição e com legendas que poderão integrar a base parlamentar durante o próximo mandato.
Situação do PSD no Paraná
As declarações de Kassab também têm repercussão no Paraná, onde o PSD é a legenda do governador Ratinho Junior, que apoiou Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial.
Durante a campanha, o governador paranaense esteve politicamente alinhado ao campo de oposição a Lula. Agora, a disposição manifestada pelo presidente nacional do partido de negociar participação no governo federal abre a possibilidade de o PSD integrar a administração petista, mesmo com dirigentes estaduais que apoiaram a candidatura adversária.
A situação evidencia a autonomia das articulações nacionais do partido em relação às posições assumidas por suas lideranças regionais. Até o momento, não há indicação de que a eventual participação do PSD no governo Lula represente uma mudança de posicionamento político de Ratinho Junior.
O PSD também terá papel nas negociações para a composição do Congresso Nacional e nas alianças estaduais para os próximos anos. A decisão sobre uma eventual entrada no governo federal dependerá das conversas entre Kassab, Lula e as lideranças da legenda.
Futuro do bolsonarismo
Ao avaliar o resultado das urnas, Kassab considerou que as derrotas presidenciais de Jair Bolsonaro, em 2022, e de Flávio Bolsonaro, em 2026, reduziram as perspectivas eleitorais da família.
A avaliação ocorre em meio às discussões sobre a reorganização da oposição para os próximos quatro anos. Embora o PL continue sendo uma força relevante no Congresso e mantenha uma base eleitoral expressiva, o presidente do PSD entende que o desempenho da família Bolsonaro nas duas últimas disputas presidenciais limita suas possibilidades futuras.
As declarações também representam um reposicionamento do próprio Kassab no cenário nacional. O dirigente, que mantém interlocução com diferentes setores políticos, passa a discutir publicamente uma aproximação com Lula poucos dias depois da conclusão da eleição presidencial.
A definição sobre a participação do PSD no governo deverá ocorrer durante as negociações ministeriais previstas para os próximos meses. Por enquanto, Kassab sinaliza disposição para o diálogo, mas não anunciou compromisso formal com a próxima administração federal.
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