Ex-ministros do STF cobram de Fachin apuração imediata da crise na Corte
Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Celso de Mello e outros dez ministros aposentados pedem sessão pública e investigação rigorosa dos fatos que atingem o Supremo
🎧 Ouça esta matéria — narrado por IA
Treze ministros aposentados e ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) enviaram uma carta ao presidente da Corte, Edson Fachin, pedindo a convocação urgente de uma sessão pública para que o plenário determine uma apuração “imediata e rigorosa” dos fatos que vêm atingindo a instituição.
Na manifestação, divulgada nesta segunda-feira (7), os ex-ministros classificam o momento como a “mais aguda crise” da história do Supremo. Segundo eles, a divulgação de fatos recentes compromete o prestígio e a autoridade da Corte, a confiança da população e até a estabilidade das instituições democráticas.
Entre os signatários estão nomes de peso da história do STF, como Celso de Mello, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Joaquim Barbosa, Ayres Britto e Rosa Weber. O grupo afirma ter “plena confiança” na seriedade, no discernimento e na firmeza de Fachin para conduzir o tribunal neste momento.
A carta não cita nominalmente nenhum ministro nem especifica quais episódios devem ser investigados. Também não pede o afastamento de integrantes da Corte. O documento defende que qualquer apuração siga o devido processo legal e seja conduzida pelo plenário em sessão pública.
CELSO DE MELLO DEFENDE TRANSPARÊNCIA
Após a divulgação da carta, o ex-ministro Celso de Mello afirmou que os signatários mantêm equidistância em relação aos casos e acontecimentos que provocaram questionamentos sobre a integridade, a imparcialidade e a independência dos integrantes do Supremo.
Em manifestação posterior, Celso de Mello afirmou que eventuais condutas ilícitas ou comportamentos eticamente censuráveis não podem lançar sobre toda a Corte a “sombra corrosiva da suspeita”.
O ex-presidente do STF também defendeu que nenhuma autoridade esteja acima da lei ou utilize a dignidade do cargo para evitar o escrutínio público.
Para Celso de Mello, quando estão em jogo o interesse da sociedade, a moralidade pública e a integridade das instituições, os fatos devem ser examinados de forma transparente e pelo plenário do Supremo.
CRISE ATINGE O STF
A manifestação ocorre em meio ao agravamento da crise interna do STF, após a divulgação de informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
O material analisado pela Polícia Federal reúne mensagens e registros de contatos de Vorcaro com autoridades, incluindo referências ao ministro Alexandre de Moraes. O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, determinou a retirada do sigilo de parte dos documentos.
Moraes, por sua vez, pediu a Fachin que fossem apuradas suspeitas envolvendo a atuação de Mendonça. Fachin determinou que a questão fosse analisada dentro do procedimento relacionado ao material da investigação.
A carta dos ministros aposentados não atribui responsabilidade a nenhum dos envolvidos. O pedido central é para que os fatos sejam apurados de forma colegiada, pública e dentro das regras legais.
QUEM ASSINA
A manifestação é assinada por Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber.
Foto: Divulgação
Matérias relacionadas
Tércio Tinoco intensifica campanha na reta final e reforça bandeira da inclusão no RN
Caso dos vídeos com IA de Sandro Alex e Ratinho Junior chega ao TSE após TRE barrar recursos
MPPR investiga possível lançamento irregular de esgoto em arroio de Ponta Grossa
MP pede retirada de vídeo com Ratinho Junior que exalta gestão e rebate críticos em período eleitoral
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.