Anibelli Neto responsabiliza Ratinho por derrota e diz que escolha de Sandro Alex foi erro
Deputado do MDB afirma que houve um “crime” contra Alexandre Curi e lembra que já havia alertado que governador deveria assumir responsabilidade caso seus candidatos fossem derrotados
A primeira sessão da Assembleia Legislativa do Paraná após as eleições começou com cobrança pública ao governador Ratinho Junior pelo fracasso de seu grupo político na disputa pelo Palácio Iguaçu. Da tribuna, nesta terça-feira (6), o deputado estadual Anibelli Neto (MDB), integrante da base governista, responsabilizou diretamente o governador pela escolha de Sandro Alex como candidato à sucessão e classificou como um “crime” o que foi feito com Alexandre Curi.
“Quero dizer do crime que foi feito contra o meu amigo, deputado Alexandre Curi, que tinha tudo para ser o nosso candidato a governador, como eu várias e várias vezes reiterei nessa Casa”, afirmou Anibelli. Segundo ele, Curi acabou aceitando disputar o Senado por entender que poderia colaborar com o Paraná nessa posição.
A declaração expõe uma ferida que deve permanecer aberta dentro do grupo político de Ratinho Junior após as urnas. Presidente da Assembleia e apontado durante boa parte do período pré-eleitoral como um dos principais nomes para suceder o governador, Curi acabou fora da disputa pelo Palácio Iguaçu. A candidatura governista ficou com Sandro Alex, enquanto Curi seguiu para a eleição ao Senado.
Anibelli evitou responsabilizar Sandro Alex pessoalmente pelo resultado. Pelo contrário, disse que o candidato merece reconhecimento por ter aceitado uma missão que originalmente não estava em seus planos.
“Aqui foi escolhido um candidato, Sandro Alex, que eu tenho que parabenizar, pois nunca esteve nos seus planos ser candidato a governador. Mas ele foi para o enfrentamento, fez o seu melhor e, infelizmente, junto com Greca, não acabou indo para o segundo turno”, declarou.
“A grande responsabilidade é dele”
O ponto mais duro do discurso veio na sequência. Anibelli recuperou uma declaração feita por ele próprio durante a convenção do MDB, em 2 de agosto, para deixar claro a quem atribui a responsabilidade política pelo resultado.
“Se o Sandro Alex e o Greca ganhassem a eleição, o mérito era do governador Ratinho. Entretanto, se não ganhasse, a grande responsabilidade é dele pela escolha”, afirmou.
A cobrança chama atenção porque parte de um parlamentar que não rompeu com Ratinho Junior. Na mesma manifestação, Anibelli fez questão de reafirmar sua participação na base e elogiou a administração estadual. Disse ter orgulho de ter integrado o grupo do governador e afirmou que Ratinho “melhorou muito o Estado do Paraná”.
Foi justamente ao contrastar a popularidade do governador com o desempenho eleitoral de seu grupo que Anibelli reforçou a crítica. Segundo o deputado, Ratinho deixará sua marca na história mesmo com mais de 80% de aprovação, mas sem conseguir colocar seu candidato no segundo turno.
A manifestação coloca em público uma discussão que tende a ocupar o período final do atual governo: até que ponto a derrota do grupo governista foi resultado dos candidatos escolhidos e até que ponto recai sobre a condução política do próprio governador.
Curi no centro da cobrança
Na leitura apresentada por Anibelli, Alexandre Curi poderia ter seguido outro caminho. O deputado afirmou que o presidente da Assembleia “tinha tudo” para ser candidato ao governo, posição que disse ter defendido repetidamente dentro do Legislativo.
Ao chamar de “crime” o que ocorreu com Curi, Anibelli fez uma das críticas mais contundentes até agora à estratégia eleitoral do grupo que comandou o Paraná nos últimos oito anos.
Apesar da cobrança, o parlamentar procurou separar a crítica eleitoral de uma ruptura com o governo. Reiterou seu orgulho de integrar a base de Ratinho Junior e reconheceu avanços da atual gestão. Ao mesmo tempo, sinalizou que o resultado das urnas encerra um ciclo político.
“O Paraná vai sentir falta nos próximos meses e nos próximos anos”, declarou, ao lamentar que o projeto governista não tenha conseguido continuidade.
Anibelli também desejou sucesso ao governador eleito Sergio Moro e antecipou como pretende se comportar diante da nova administração. Segundo ele, a Assembleia deverá fiscalizar, legislar e apoiar aquilo que considerar positivo para a população, mas também se posicionar e apresentar emendas quando discordar do Executivo.
A primeira fala da sessão pós-eleição, portanto, deixou um recado para dentro da própria base que governou o Paraná nos últimos anos: para Anibelli Neto, a derrota não pode ser debitada apenas na conta dos candidatos que estiveram nas urnas. A escolha foi política e, na avaliação dele, a responsabilidade por ela tem nome: Ratinho Junior.
Matérias relacionadas
Governo envia à Alep contas de 2025 e relatório do Fundo de Infraestrutura Inteligente
568 anúncios irregulares no período eleitoral e milhares sem identificação acendem alerta sobre big techs
Governo Ratinho pede à Alep crédito de R$ 400 milhões para a Agricultura
Goura cobra Moro sobre clima e anuncia fiscalização do futuro governo na Alep
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.