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Sindicatos entram em confronto com polícia durante protesto contra governo de Keiko Fujimori

Manifestantes criticam pedido do governo peruano para receber poderes legislativos por 120 dias. Executivo diz que medida é necessária para combater o crime

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
Protesto contra Keiko Fujimori termina em confronto com polícia no Peru
Protesto contra Keiko Fujimori termina em confronto com polícia no Peru — Crédito: Reprodução / Redes Sociais

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Integrantes de sindicatos entraram em confronto com a polícia nesta quarta-feira (30), em Lima, durante um protesto contra o pedido do governo da presidente Keiko Fujimori para receber poderes legislativos por 120 dias.

A manifestação foi de pequeno porte e reuniu trabalhadores de diferentes setores, incluindo representantes das áreas têxtil e da construção civil. Os sindicatos criticam pontos do pacote apresentado pelo Executivo e afirmam que algumas medidas podem reduzir direitos trabalhistas. A Associated Press ouviu um dirigente sindical que citou, entre as preocupações, mudanças em taxas de juros bancárias e nos direitos de trabalhadores jovens.

O governo peruano pediu autorização ao Congresso para legislar em 66 temas distribuídos em oito áreas, incluindo segurança pública, legislação penal, questões trabalhistas, migração, pequenas empresas, desenvolvimento produtivo, medidas tributárias e ações relacionadas ao fenômeno El Niño.

A proposta também inclui medidas para estimular o emprego, os investimentos, as pequenas empresas e o desenvolvimento econômico.

Primeiro protesto em Lima

Esta foi a primeira manifestação contra o governo de Keiko Fujimori em Lima desde o início de sua gestão. Em agosto, ocorreram paralisações regionais em Loreto e Ucayali, principalmente em protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis.

O pedido de poderes legislativos foi apresentado pelo governo cerca de um mês depois de Fujimori assumir a Presidência. A proposta prevê que o Executivo possa editar normas durante 120 dias dentro das áreas autorizadas pelo Congresso.

A Comissão de Constituição do Congresso, porém, elaborou um parecer recomendando que o pedido seja rejeitado e arquivado. O documento questiona a amplitude de parte das matérias incluídas na solicitação e afirma que não haveria justificativa suficiente para a delegação de poderes em alguns dos temas.

A discussão ainda estava em andamento no Congresso nesta quarta-feira (30). A sessão da comissão chegou a ser suspensa durante o debate e foi posteriormente reprogramada para a continuidade da análise.

Governo cita crime e El Niño

Keiko Fujimori defende a aprovação do pedido e afirma que o governo precisa de instrumentos para enfrentar dois problemas considerados urgentes: a criminalidade e os efeitos do fenômeno El Niño.

Na terça-feira (29), durante uma agenda na região de Ica, a presidente afirmou que o governo precisa responder às chuvas que já atingem o norte do país e à onda de criminalidade.

Fujimori também afirmou que o governo continuará adotando medidas contra organizações criminosas mesmo se o Congresso não aprovar a delegação de poderes. Segundo ela, as ações serão tomadas dentro do marco democrático.

Críticas dos sindicatos

Os sindicatos afirmam que o pacote pode afetar direitos trabalhistas.

Luis Solís, dirigente do sindicato dos trabalhadores do Ministério de Transportes e Comunicações, disse à Associated Press que o governo pretende incluir medidas que, segundo a entidade, poderiam eliminar limites para taxas de juros bancárias, reduzir direitos de trabalhadores jovens e enfraquecer garantias trabalhistas.

A oposição também questiona a extensão do pedido. A Comissão de Constituição avalia que algumas das matérias foram apresentadas de maneira ampla e sem delimitação suficiente.

Peru enfrenta alta nas denúncias de extorsão

O governo de Keiko Fujimori assumiu em julho com a promessa de combater a criminalidade. O país enfrenta aumento das denúncias de extorsão e outros crimes.

Segundo dados oficiais citados pela Associated Press, os registros de denúncias de extorsão passaram de 2.421 em 2019 para 26.734 em 2025.

Em agosto, o governo decretou estado de exceção por 60 dias em Lima e no porto de Callao para enfrentar a criminalidade. No início de setembro, o Peru também aderiu ao Escudo das Américas, iniciativa liderada pelos Estados Unidos voltada ao combate ao crime transnacional.

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