Papa Leão reúne 40 mil pessoas no Uruguai e pede união entre países
Durante missa em Paysandú, pontífice defendeu a construção de pontes e a cooperação regional; viagem pela América do Sul também inclui Argentina e Peru
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O papa Leão XIV reuniu cerca de 40 mil pessoas neste sábado (7) em Paysandú, no Uruguai, e fez um apelo à união e ao diálogo em uma região marcada por divergências políticas. Durante a primeira missa de sua viagem à América do Sul, o pontífice pediu que os países e suas populações superem diferenças e fortaleçam os laços de cooperação.
Muitos fiéis passaram a noite no local para acompanhar a celebração, mesmo sob chuva. A precipitação diminuiu pouco antes da chegada do papa, que percorreu cerca de 750 quilômetros entre Montevidéu e Paysandú, cidade localizada no noroeste uruguaio, às margens do Rio Uruguai.
Foi a primeira vez que um papa visitou o município. A escolha do local pelo Vaticano levou em consideração a facilidade de acesso para peregrinos de diferentes países da região.
A multidão se reuniu em um parque na parte sul da cidade e recebeu Leão com aplausos e buzinas. O pontífice percorreu o espaço em um papamóvel aberto, sob ventos fortes.
Durante a homilia, ele utilizou como referência a Ponte Internacional General Artigas, que conecta Paysandú, no Uruguai, à cidade argentina de Colón.
“Não é difícil imaginar os benefícios que uma ponte traz: abertura, comunicação e intercâmbio. É por isso que é tão importante sermos construtores de pontes!”, afirmou.
Em seguida, reforçou a mensagem de aproximação entre as pessoas e os países.
“Essa é a vocação à qual todos somos chamados: construir pontes, fortalecer laços, unir, comunicar.”
Entre os fiéis estava Mariano Méndez, de 36 anos, que viajou de Buenos Aires para acompanhar a visita. Ele afirmou que a presença do pontífice criou uma atmosfera inspiradora.
“O fato de ele ter vindo visitar a América Latina realmente enche o coração”, disse.
Papa defende cooperação entre países sul-americanos
A visita ao Uruguai faz parte de uma viagem de 12 dias pela América do Sul, prevista para terminar em 17 de novembro. Depois de passar pelo país, Leão seguirá para Argentina e Peru.
No primeiro discurso da agenda, realizado na sexta-feira (6), diante de autoridades uruguaias, o papa pediu que os países sul-americanos enfrentem conjuntamente os desafios regionais e sirvam de exemplo de cooperação internacional.
O Vaticano descreveu a viagem como um retorno às origens do pontífice. Antes de assumir o comando da Igreja Católica, Leão trabalhou como missionário no Peru durante décadas e adquiriu a cidadania peruana.
Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, ele tem criticado aspectos da liderança global e deve abordar durante a viagem temas como destruição ambiental, tráfico de armas e instabilidade política na América Latina.
Montevidéu terá encontro com jovens e visita a bairro violento
A agenda de Leão neste sábado também inclui compromissos em Montevidéu. Um dos principais eventos será uma vigília de oração que deve reunir aproximadamente 60 mil jovens.
O pontífice também visitará Casavalle, bairro localizado na periferia norte da capital uruguaia, conhecido pelos problemas de violência e pelo avanço do tráfico de drogas.
O reverendo Pablo Coimbra, responsável por uma igreja que receberá o papa, espera que a visita ajude a fortalecer os moradores de uma comunidade que, segundo ele, se sente esquecida pelas autoridades.
“É uma área esquecida pelos governos e pelas instituições”, afirmou à Reuters.
A região é classificada pela polícia como zona vermelha. Moradores convivem com episódios de tiros e disputas territoriais entre grupos ligados ao tráfico de drogas.
Argentina será a próxima parada
Leão encerra a visita ao Uruguai na manhã de domingo (8). Na tarde do mesmo dia, seguirá para a Argentina, onde terá um encontro com o presidente Javier Milei.
O líder argentino é identificado como um aliado próximo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A relação entre Trump e o pontífice passou por um período de tensão depois que o papa criticou a guerra no Irã, provocando manifestações contrárias do presidente norte-americano.
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