Oposição pede impeachment de presidente do Paraguai após crise em banco
Santiago Peña é acusado de conflito de interesses após intervenção no Ueno, que deixou clientes sem acesso ao dinheiro e expôs irregularidades financeiras
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta um pedido de impeachment apresentado por parlamentares da oposição após a crise envolvendo o banco digital Ueno. Trinta e cinco deputados protocolaram um documento de acusação contra o chefe do Executivo e solicitaram a convocação de uma sessão extraordinária para discutir o caso nesta quinta-feira.
A oposição responsabiliza Peña pela crise provocada pela intervenção na instituição financeira, que deixou milhares de clientes sem acesso aos próprios recursos. Entre as acusações estão conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e suposta proteção institucional por parte do Banco Central.
Economista conservador, Peña assumiu a Presidência em 2023 e foi acionista do grupo proprietário do Ueno até março de 2025. A instituição, pertencente ao Grupo Vázquez, reunia aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo valores do Instituto de Previdência Social.
Para que o processo de impeachment avance, a Câmara dos Deputados precisa reunir dois terços dos votos. Ainda não há definição sobre o posicionamento da base governista em relação à iniciativa.
Intervenção no banco desencadeou crise
O Ueno fechou as portas na terça-feira (3), depois que o Banco Central do Paraguai iniciou o processo de liquidação da instituição. A medida foi tomada após a identificação de problemas nos índices de solvência, relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao banco.
Durante a sessão legislativa, a deputada oposicionista Rocío Vallejo criticou a atuação do presidente e responsabilizou o governo pelos prejuízos provocados aos clientes.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”, declarou.
Peña promete responsabilizar envolvidos
Em publicação na rede social X, Santiago Peña afirmou que os responsáveis pelas irregularidades serão submetidos à Justiça, sem exceções.
O presidente também pediu que os diferentes setores políticos priorizem os interesses dos poupadores. A manifestação ocorreu pouco antes da promulgação de uma lei que permitirá aos clientes do Ueno recuperar os valores depositados em prazo menor.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou.
A crise já provocou mudanças na estrutura de fiscalização financeira do país. O presidente da entidade responsável pelo controle do setor, Carlos Carvallo, deixou o cargo. Além disso, oito diretores do banco que estava sob intervenção foram presos, entre eles o presidente-executivo, Miguel Vázquez.
A Procuradoria também expediu mandados de prisão contra os executivos, que se apresentaram às autoridades. Ao todo, 27 pessoas ligadas à instituição foram formalmente acusadas. A Justiça determinou ainda o bloqueio dos bens dos investigados.
Crise aumenta preocupação com sistema financeiro
A repercussão do caso também afetou a confiança dos clientes em outras instituições financeiras paraguaias. Nesta quarta-feira, foram relatados problemas de funcionamento em diferentes aplicativos bancários, ampliando a preocupação entre os usuários.
A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que as instituições financeiras trabalham para atender ao aumento da procura de clientes que estão transferindo suas contas do Ueno.
A entidade, no entanto, afirmou que o sistema bancário do país continua operando normalmente.
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