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Midterms nos EUA: eleição pode mudar o poder de Trump no Congresso

Americanos votam para renovar o Congresso e eleger governadores em uma disputa que pode alterar o equilíbrio de forças no segundo mandato de Trump

Gabriel Porta · · 5 min de leitura
Donald Trump
Donald Trump — Crédito: Reprodução/Redes sociais

Os americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) para as eleições de meio de mandato, as chamadas midterms. A votação pode mudar o equilíbrio de forças no Congresso e afetar diretamente a capacidade de Donald Trump de avançar com sua agenda nos dois últimos anos do segundo mandato.

Estão em disputa os 435 assentos da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado, além de governos estaduais e cargos legislativos e locais. Também haverá eleição para governador em 36 dos 50 estados.

Hoje, os republicanos controlam as duas Casas do Congresso, mas com margem apertada. No Senado, a vantagem é de 53 cadeiras contra 47 dos democratas, incluindo dois independentes que votam com a bancada democrata. Na Câmara, os republicanos têm uma maioria igualmente estreita.

O resultado, portanto, não definirá apenas quem ocupará as cadeiras do Legislativo. Também indicará o tamanho do apoio político a Trump na metade de seu segundo mandato.

Por que a eleição é importante

As midterms são realizadas a cada dois anos e ocorrem na metade do mandato presidencial. Como a Casa Branca não está em disputa, o foco fica concentrado no Congresso, nos governos estaduais e em outras eleições locais.

Uma mudança no comando de qualquer uma das Casas pode alterar a relação entre o presidente e o Legislativo.

Se os democratas assumirem a Câmara, por exemplo, terão o controle das comissões e poderão ampliar audiências, investigações e pedidos de documentos ao governo. A Câmara também tem competência para apresentar acusações em processos de impeachment.

No Senado, uma maioria democrata teria influência sobre a tramitação de projetos e sobre a confirmação de indicações feitas pelo presidente para cargos importantes, incluindo posições em tribunais federais e embaixadas.

Mesmo com o controle das duas Casas, porém, os partidos enfrentam regras que dificultam a aprovação de determinadas propostas. No Senado, muitas matérias precisam de 60 votos para superar o chamado filibuster, mecanismo que permite prolongar o debate.

Economia pesa na decisão

A eleição ocorre em um ambiente de insatisfação com a situação econômica e com o custo de vida. Uma pesquisa do Pew Research Center realizada entre 28 de setembro e 4 de outubro mostrou que 84% dos eleitores registrados consideram a economia muito importante para sua decisão de voto.

O futuro da democracia aparece em seguida, citado por 73% dos entrevistados. Saúde foi mencionada por 68%, educação por 62%, imigração por 59% e política externa por 57%.

O levantamento também apontou aprovação de 30% para Trump e reprovação de 68%. Para 63% dos eleitores, o presidente é um fator na escolha para o Congresso. Entre eles, 44% disseram considerar o voto como uma forma de se posicionar contra Trump, enquanto 19% o veem como um voto a favor do presidente.

Como funciona a votação

A votação nos Estados Unidos é diferente do modelo brasileiro. As regras variam de acordo com cada estado, que define procedimentos para registro, votação antecipada, envio de cédulas pelo correio e certificação dos resultados.

Mais de 53 milhões de votos já haviam sido registrados antecipadamente até segunda-feira (2), segundo dados compilados sobre a votação antecipada. O número inclui votos enviados pelo correio e aqueles depositados presencialmente antes do dia oficial da eleição.

Os eleitores que ainda não votaram podem comparecer às urnas nesta terça-feira. Em disputas muito apertadas, a definição dos vencedores pode levar dias, especialmente por causa da contagem de votos enviados pelo correio.

Texas concentra atenção

Uma das disputas acompanhadas de perto é a eleição para o Senado no Texas, entre o republicano Ken Paxton e o democrata James Talarico.

O estado é tradicionalmente republicano nas eleições presidenciais, mas a corrida deste ano é considerada competitiva por analistas eleitorais. O Cook Political Report classifica a disputa como “Lean R”, enquanto outros avaliadores eleitorais a colocam entre as corridas mais equilibradas do país.

A eleição também ocorre em meio à preocupação dos republicanos com o custo de vida e à tentativa dos democratas de transformar a insatisfação econômica em votos.

Trump no centro da disputa

Embora seu nome não esteja nas cédulas, Trump ocupa posição central na eleição. A avaliação sobre seu governo aparece diretamente ligada à decisão de parte dos eleitores sobre os candidatos ao Congresso.

A pesquisa do Pew mostrou que os democratas estão mais mobilizados para a votação. Entre os apoiadores dos candidatos democratas, 78% afirmaram que faz muita diferença qual partido controlará o Congresso. O índice é nove pontos maior entre os apoiadores republicanos.

A campanha também foi marcada por discussões sobre regras eleitorais, votação pelo correio e segurança do processo. Trump defendeu mudanças nas regras eleitorais e afirmou que o reconhecimento dos resultados dependeria de uma votação que considerasse honesta.

Organizações de direitos civis também demonstraram preocupação com possível intimidação de eleitores. O governo federal, por outro lado, informou que agentes do ICE e do FBI não atuarão como monitores eleitorais.

O que muda depois da eleição

Os novos integrantes do Congresso assumem os cargos em janeiro de 2027. Até lá, a definição das disputas pode levar algum tempo, principalmente nos estados com grande quantidade de votos pelo correio ou regras específicas de apuração.

O resultado determinará a composição do Congresso pelos próximos dois anos e poderá alterar a relação entre a Casa Branca e o Legislativo durante a segunda metade do mandato de Trump.

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