Após reeleição de Lula, empresas aumentam busca por negócios no Paraguai
Consultoria diz ter recebido 25 pedidos de informações em 48 horas; buscas por como morar no Paraguai dispararam após a eleição
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O interesse de empresas brasileiras em avaliar investimentos e alternativas de produção no Paraguai aumentou após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo a consultoria Frontexa, especializada na instalação de negócios no país vizinho.
Nos dois dias seguintes ao resultado da eleição, em 26 e 27 de outubro, 25 empresas procuraram a consultoria em busca de informações e orientação. O número chama atenção quando comparado ao movimento registrado entre janeiro e setembro, período em que aproximadamente 100 empresas haviam feito contato.
“Estamos percebendo uma mudança importante no comportamento do empresariado. O resultado das eleições trouxe para o presente decisões que muitas empresas planejavam discutir só nos próximos anos”, afirmou Suelen Raizer, fundadora da Frontexa.
Entre as principais preocupações relatadas pelos empresários estão os custos de produção, os efeitos da reforma tributária, os encargos trabalhistas e a previsibilidade para novos investimentos.
Busca por morar no Paraguai também dispara
A reação não ficou restrita às empresas. Dados do Google Trends indicaram um aumento expressivo nas pesquisas relacionadas ao Paraguai na noite de 25 de outubro, data do segundo turno.
A busca por “como morar no Paraguai” cresceu 1.700%, segundo a plataforma.
Também houve aumento nas pesquisas por termos como “Paraguai”, “emprego no Paraguai”, “como arrumar emprego no Paraguai”, “custo de vida Paraguai”, “casa para alugar no Paraguai” e “quanto é o salário mínimo no Paraguai”.
Os dados mostram o aumento da procura por informações, mas não indicam, por si só, quantas pessoas ou empresas efetivamente decidiram deixar o Brasil.
Mercado reage ao resultado das urnas
A reeleição de Lula também provocou reação no mercado financeiro. O resultado aumentou a preocupação de investidores com a trajetória das contas públicas e o crescimento da dívida.
Parte do mercado esperava uma mudança na condução da política econômica caso Flávio Bolsonaro (PL) vencesse a eleição, especialmente em relação ao controle dos gastos públicos.
A avaliação apresentada no material é de que uma maior incerteza fiscal pode pressionar os juros futuros, enfraquecer o real e reduzir o interesse por ações brasileiras. Juros mais altos também encarecem o crédito e os custos de financiamento das empresas.
Em uma única sessão, os juros chegaram a subir 250 pontos-base. A Bolsa caiu quase 14%, enquanto o dólar terminou o dia cotado a R$ 5,40.
Paraguai já atrai empresas brasileiras
O movimento de busca por alternativas no Paraguai não começou com a eleição. Desde 2007, mais de 230 empresas deixaram o Brasil para operar no país vizinho pelo regime de maquila, segundo levantamento do Poder360 realizado em maio.
Esse grupo representa cerca de 70% das mais de 320 empresas estrangeiras que escolheram o Paraguai para suas operações. O movimento ganhou força principalmente a partir de 2013.
A Lei de Maquila permite que empresas voltadas à exportação produzam no Paraguai com uma estrutura tributária diferente da brasileira.
Um dos principais atrativos apontados é justamente a carga de impostos e encargos. Segundo os dados apresentados, as empresas enquadradas no regime têm uma carga total média de 12%, enquanto no Brasil o percentual chega a 80%.
As maquiladoras pagam 1% de imposto sobre o valor agregado e têm isenção de Imposto de Renda em determinadas operações, incluindo dividendos, além de benefícios relacionados à compra de máquinas e à importação de matérias-primas.
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