Cristiano Ronaldo não quer voltar a Portugal enquanto Jorge Jesus estiver no cargo
Craque se incomodou com a ausência de um pedido público de desculpas do treinador após a crise na seleção portuguesa
A relação entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus parece ter chegado ao limite na seleção de Portugal. Segundo apuração da ESPN, o atacante está decidido a não voltar à equipe enquanto o treinador continuar no comando.
O principal motivo da irritação de Cristiano Ronaldo seria a falta de um pedido público de desculpas por parte de Jorge Jesus. O jogador esperava uma manifestação do treinador após a polêmica envolvendo sua ausência na vitória de Portugal sobre a Noruega.
Jorge Jesus, por outro lado, entende que não havia um acordo para que ele pedisse desculpas publicamente ao atacante.
A divergência envolve um documento que funcionou como uma espécie de manual para a entrevista do treinador. Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus haviam definido alguns pontos que seriam abordados pelo técnico na coletiva depois de o atacante não ter entrado na vitória por 2 a 1 sobre a Noruega, no dia 27.
A ESPN teve acesso ao documento e informou que não havia nenhuma determinação para que Jorge Jesus pedisse desculpas a Cristiano Ronaldo.
O material previa outros pontos. O treinador deveria elogiar o atacante, destacar que contava com ele para o futuro e ressaltar a influência positiva de Cristiano Ronaldo na seleção portuguesa.
Jorge Jesus seguiu o combinado.
Jorge Jesus abriu as portas para o retorno
Depois da segunda vitória de Portugal sobre a Noruega, também por 2 a 1, Jorge Jesus falou sobre a situação de Cristiano Ronaldo e deixou claro que não fechava as portas para o retorno do atacante.
O treinador afirmou que a decisão caberia ao próprio jogador e classificou o episódio como um mal-entendido.
"Por mim, está tudo em aberto. O Cris é que tem de decidir a vida dele. Na próxima convocatória, se o Cris estiver jogando e quiser estar na Seleção, por que não? Ressentimento? Nada, foi um mal-entendido. Na minha opinião é fácil resolver", afirmou Jorge Jesus.
O técnico também minimizou a polêmica envolvendo o aquecimento de Cristiano Ronaldo e a decisão de não colocá-lo em campo.
"Só porque foi com ele que criou esse problema todo, de aquecer e não aquecer, entrar ou não entrar. Isso acontece com todos os jogadores. Quantos jogadores hoje aqueceram e não entraram? Mas com o Cris isso se torna um problema. Para mim não é um problema. O Cris que vai decidir", completou.
Apesar das declarações, Cristiano Ronaldo não ficou satisfeito.
Saída da seleção aumentou a crise
A crise ganhou força na última semana.
Cristiano Ronaldo não participou dos treinamentos na antevéspera e na véspera do duelo contra a Dinamarca. Depois da entrevista de Jorge Jesus, na qual o treinador afirmou que nenhum jogador mudaria suas ideias, o atacante decidiu deixar a concentração da seleção portuguesa.
A declaração de Jorge Jesus foi dada depois de uma coletiva considerada explosiva. O treinador afirmou que não havia problema pessoal com Cristiano Ronaldo, mas reforçou sua autoridade sobre as decisões dentro da equipe.
Poucas horas depois, o atacante deixou a delegação.
Desde então, Portugal seguiu sua preparação dentro de campo. A seleção venceu a Dinamarca por 4 a 2 e depois derrotou novamente a Noruega por 2 a 1.
A expectativa era de que Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus se reunissem nesta semana para tentar encerrar a polêmica e encaminhar o retorno do atacante à seleção.
A situação, porém, voltou a ficar complicada.
Cristiano Ronaldo se sente traído
Segundo a apuração, o incômodo do atacante não se limita à ausência do pedido público de desculpas. Cristiano Ronaldo teria ficado com a sensação de que houve uma quebra de confiança depois do acordo feito antes da entrevista de Jorge Jesus.
O documento não previa o pedido de desculpas, mas o jogador esperava que o treinador tomasse essa iniciativa mesmo assim.
Com a irritação de Cristiano Ronaldo e a posição de Jorge Jesus de que não havia um problema a ser resolvido, o cenário voltou à estaca zero.
Agora, o futuro do astro na seleção portuguesa depende de uma possível aproximação entre os dois. Para que a situação seja resolvida, será necessário saber qual dos lados estará disposto a recuar para colocar fim à crise.
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