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Corinthians é condenado a pagar quase R$ 60 mil a ex-funcionário citado em auditoria

Decisão da Justiça do Trabalho aponta retaliação contra Luiz Fernando Moraes, que teve nome incluído em relatório sobre materiais da Nike sem autorização

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
Sede do Parque São Jorge
Sede do Parque São Jorge — Crédito: Reprodução / SCCP

O Corinthians foi condenado a pagar R$ 59.110,00 a Luiz Fernando Monteiro de Moraes, ex-funcionário do Departamento de Tecnologia da Informação do clube. O profissional teve o nome incluído em uma auditoria interna que investigou possíveis irregularidades na distribuição de materiais esportivos fornecidos pela Nike, embora tenha afirmado que não participou da elaboração do documento.

A sentença foi proferida pela juíza Angela Favaro Ribas, da 78ª Vara do Trabalho de São Paulo. A decisão, obtida pelos repórteres André Costa e Tiago Salazar, da Gazeta Esportiva, determinou o pagamento de indenização por danos morais, horas extras não registradas e devolução de descontos realizados na rescisão contratual.

A decisão ainda cabe recurso.

Ao analisar o caso, a magistrada entendeu que Luiz Moraes sofreu retaliação após questionar a inclusão de seu nome no relatório da auditoria. Ao mesmo tempo, parte dos pedidos apresentados pelo ex-funcionário foi rejeitada, e ele também foi condenado ao pagamento de multa por litigância de má-fé.

Entenda a auditoria do Corinthians

A história começou em novembro de 2025, quando uma auditoria interna solicitada pelo então presidente do Corinthians, Osmar Stabile, apontou possíveis irregularidades na distribuição de materiais esportivos fornecidos pela Nike.

O trabalho foi conduzido por Marcelo Munhoes, então diretor do Departamento de Tecnologia da Informação, e tinha entre os principais alvos o vice-presidente Armando Mendonça.

Segundo o relatório, Armando, que era responsável pela gestão dos materiais desde maio de 2025, teria retirado 131 itens além da quantidade prevista em sua cota.

Após a divulgação do documento, Armando contestou o conteúdo e apontou supostas falhas no processo de auditoria. O dirigente afirmou ter tido acesso ao relatório e disse que o documento citava Marcelo Munhoes, Reginaldo Nascimento e Luiz Fernando Monteiro de Moraes como responsáveis pelo trabalho.

Luiz, porém, enviou um e-mail ao vice-presidente afirmando que não havia participado da elaboração da auditoria e que sequer conhecia o conteúdo do relatório.

Ao descobrir que seu nome havia sido incluído entre os responsáveis pelo trabalho, o profissional notificou extrajudicialmente Marcelo Munhoes e o Corinthians. Ele alegou que não havia participado da auditoria e que não havia autorizado a utilização de seu nome no documento.

Posteriormente, uma nova versão do relatório teria sido produzida, desta vez sem o nome de Luiz Moraes entre os responsáveis.

O episódio acabou levando o ex-funcionário a entrar com uma ação trabalhista contra o Corinthians.

Ex-funcionário diz que foi demitido por não compactuar com auditoria

Procurado pela Gazeta Esportiva, Luiz Fernando Moraes afirmou que considera ter sido demitido de forma injusta depois de questionar o trabalho realizado pela auditoria.

Segundo o ex-funcionário, sua atuação ocorreu de maneira profissional e sem qualquer envolvimento político.

"Acredito na Justiça e sei que o dano moral que sofri será reparado conforme decisão judicial. Sempre exerci meu trabalho com profissionalismo, sem participação política e visando o melhor para o clube. Não compactuei com um trabalho político, sem base técnica, e, por agir de forma profissional, fui injustamente dispensado pelo diretor da área", declarou Luiz.

Na decisão, a Justiça reconheceu o direito do ex-funcionário à indenização e aos demais valores determinados na sentença.

Ex-diretor contesta versão sobre demissão

A Gazeta Esportiva também procurou Marcelo Munhoes, ex-diretor do Departamento de Tecnologia da Informação do Corinthians, que deixou o clube neste mês.

Munhoes apresentou uma versão diferente sobre a participação de Luiz na auditoria. Segundo ele, o profissional integrou inicialmente a equipe responsável pelo trabalho, mas não apresentou suas discordâncias à gestão do departamento.

O ex-diretor afirmou que Luiz decidiu enviar diretamente ao vice-presidente Armando Mendonça um e-mail classificando o trabalho como "político".

Munhoes também contestou a afirmação de que a demissão teria ocorrido como retaliação. De acordo com ele, o desligamento foi motivado por questões de "ingerência e indisciplina", versão que, segundo o ex-diretor, foi sustentada por testemunhas ouvidas no processo.

Ainda conforme o relato apresentado por Munhoes, Luiz teria dito, no momento da demissão, que não tinha problemas pessoais com a gestão do departamento. O ex-funcionário também teria afirmado que não assinou o relatório porque temia sofrer medidas judiciais por parte de Armando Mendonça.

O ex-diretor destacou que outros integrantes da equipe de auditoria também teriam recebido notificações extrajudiciais.

Munhoes defendeu, portanto, que as alegações de Luiz sobre uma suposta retaliação política sejam diferenciadas dos motivos apresentados pela gestão para o desligamento.

Corinthians não comenta processo

A Gazeta Esportiva procurou o Corinthians para obter um posicionamento sobre a condenação e os fatos relatados no processo.

O clube informou que não irá comentar o caso por se tratar de uma ação que ainda está em andamento na Justiça.

"O Sport Club Corinthians Paulista não se manifestará sobre o assunto, uma vez que se trata de um processo em andamento na Justiça", informou o Corinthians.

A sentença da 78ª Vara do Trabalho de São Paulo ainda pode ser contestada por meio de recurso.

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