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Rafael Greca apoia Lula, critica Flávio e dispara contra cortes na cultura e educação

Ex-prefeito de Curitiba citou cultura, educação e soberania nacional ao defender voto em Lula contra Flávio Bolsonaro

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
Greca sinaliza voto em Lula
Greca sinaliza voto em Lula — Crédito: Divulgação

O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca sinalizou apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. Em um discurso na reta final da campanha, Greca criticou o alinhamento do Brasil a interesses dos Estados Unidos, defendeu investimentos públicos em cultura e educação e pediu que os eleitores não escolham o voto apenas por ideologia.

Lula e Flávio Bolsonaro (PL) disputam o segundo turno no próximo domingo (25). Greca foi candidato a vice-governador do Paraná na chapa encabeçada por Sandro Alex, com apoio do governador Ratinho Junior, mas a candidatura ficou fora da segunda etapa da eleição.

Durante a fala, Greca questionou qual ideologia seria capaz de justificar, segundo ele, o direito de “calar o Brasil”.

“Pensem qual ideologia vale o direito de calar o Brasil”, afirmou.

O ex-prefeito também criticou uma eventual submissão dos interesses brasileiros aos Estados Unidos. Ele mencionou as riquezas naturais do país, incluindo as terras raras, e questionou a possibilidade de os recursos nacionais servirem prioritariamente aos interesses estrangeiros.

Greca resgata tradição brizolista

Greca apresentou o posicionamento como parte de sua própria trajetória política e afirmou ser herdeiro da tradição brizolista. Ele citou o ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul Leonel Brizola como uma das referências de sua formação.

Também mencionou Jaime Lerner, Margarida, Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira ao falar sobre nomes que influenciaram sua trajetória e sobre a importância da educação pública.

Greca citou os Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), associados à atuação de Brizola e Darcy Ribeiro, e relacionou essa experiência à defesa de políticas públicas como a educação e o Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo ele, o que estará em disputa no segundo turno não será apenas uma escolha econômica, mas também uma decisão sobre o modelo de país que os brasileiros querem construir.

Crítica e sinalização de apoio a Lula

Ao defender sua posição, Greca fez uma avaliação sobre os dois candidatos e afirmou que Lula, apesar das diferenças políticas que possam existir, teria a intenção de atender a população mais pobre e preservar políticas de incentivo à cultura.

“Pelo menos ele tem a reta intenção de servir aos pobres e de manter a Lei Rouanet”, afirmou.

Greca também criticou o que considera uma resistência do campo político adversário a políticas de financiamento cultural e a instituições públicas.

Na fala, citou músicos e referências da cultura brasileira, como Ary Barroso, Heitor Villa-Lobos, Barbosa Lessa, Pixinguinha e Luiz Gonzaga. Também mencionou instrumentos e manifestações culturais brasileiras, como harpas, violas e atabaques, além da influência de diferentes tradições na formação cultural do país.

Para Greca, a cultura não pode ser tratada como uma questão de esquerda ou direita.

“Não tem música de direita nem de esquerda”, afirmou.

Ele comparou a música tocada em um acordeão à necessidade de equilíbrio na política. Segundo Greca, o instrumento precisa das duas mãos para funcionar, assim como os brasileiros deveriam pensar a política sem se prender exclusivamente a uma divisão ideológica.

Greca também pediu que os eleitores utilizem diferentes perspectivas antes de decidir o voto. Em outro trecho do discurso, afirmou que é preciso “pensar com os dois lados do cérebro” e pediu a Nossa Senhora Aparecida que inspire os brasileiros na escolha.

O ex-prefeito encerrou sua manifestação reforçando a defesa da cultura brasileira e de políticas públicas voltadas à educação, às universidades, às escolas públicas e à preservação de instituições culturais.

Eles não querem o financiamento da cultura. Eles não querem museus. Eles não querem universidades. Eles não querem escolas públicas. O que é que eles querem? Eles querem acumular tesouros que o verme devora. Ponham isso na cabeça. Pensem no Brasil. A grandeza do Brasil é a grandeza da sua música".

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