Votos do exterior projetam virada da direita nas eleições do Peru
Restam aproximadamente 366 mil votos consulares a ser incorporados.
Créditos: Reprodução — Jornal Peru 21
Votos do exterior projetam virada da direita nas eleições do Peru
Por Oswaldo Eustáquio — do alto do meu segundo exílio
As manchetes do mundo dizem que a esquerda ganhou.
"Sánchez vence no Peru." "Candidato progressista lidera apuração." "Direita derrotada." É o que estampam, neste momento, os principais jornais da América Latina e da Europa. Uma projeção que parece óbvia — afinal, 98% das urnas já foram apuradas, de um universo de quase 20 milhões de votos. Em tese, o jogo estaria decidido.
Só que não está. Porque o que esses jornais não estão contando é que, nesse universo de quase 20 milhões de votos, a diferença entre os dois candidatos é de apenas 18 mil votos. Dezoito mil. Num país de 33 milhões de pessoas. E faltam exatamente os votos onde Keiko Fujimori tem vantagem esmagadora e histórica: o exterior.
Nas últimas 24 horas, nossa equipe não ficou esperando os números chegarem pela televisão. Fomos a campo. Estivemos presencialmente no consulado do Peru em Madrid — terceiro maior colégio eleitoral peruano no mundo, com mais de 105 mil eleitores habilitados. Observamos. Conversamos. Estudamos o cenário internacional com método. E chegamos a um prognóstico que choca, mas que é estritamente matemático.
Keiko Fujimori vai vencer.
As próximas horas vão comprovar isso. Na verdade, já estão comprovando.
Acompanhe a evolução da diferença entre os candidatos desde o início da apuração:
Com 96,6% das atas contadas, Sánchez liderava por 40.978 votos. Era o pico. Era o momento em que as atas do sul andino — Ayacucho, Cajamarca, Apurímac, território histórico da esquerda — chegavam em bloco a Lima. A imprensa celebrava.
Mas então o exterior começou a chegar.
Com 97,0% apurado: 25.392 votos de diferença. Com 97,36%: 19.772 votos. Com 97,558%: 14.278 votos. Agora, com 98% apurado: ~18.000 votos.
Em menos de 24 horas, a diferença caiu mais de 55%. De 40 mil para 18 mil. E ainda não acabou.
Por quê? Porque faltam os votos de mais de 1,2 milhão de peruanos espalhados por 66 países. São atas que viajam de valija diplomática de Buenos Aires, Santiago, Madrid, Barcelona, Milão, Tóquio, Nova York. E essas comunidades têm um padrão histórico que nossa equipe verificou in loco: votam contra a esquerda. Em 2021, Keiko obteve 64% no bloco consular. Neste segundo turno, com 58% das atas externas já contadas, ela está em 63,2%. O padrão se mantém com precisão cirúrgica.
A conta é direta.
Restam aproximadamente 366 mil votos consulares a ser incorporados. Com 63% para Keiko: 230 mil votos para ela, 135 mil para Sánchez. Ganho líquido de 95 mil votos. Descontada a diferença atual de aproximadamente 18 mil, a projeção aponta para uma vitória de Keiko Fujimori por aproximadamente 46 mil votos.
O mesmo tamanho da derrota de Castillo em 2021, só que invertida.
As manchetes do mundo ainda não atualizaram. Continuam anunciando a vitória da esquerda. Mas os números estão se movendo em tempo real, e estão se movendo numa direção só.
O voto de quem foi embora — de quem conheceu o mundo, trabalhou fora, pagou imposto em outro país e viu o que funciona — está chegando agora. E vai ser ele a decidir o Peru.
Aqui o jornalista Oswaldo Eustáquio, do alto do meu segundo exílio.
Créditos: Oswaldo Eustáquio
