Vírus Nipah volta a acender alerta após novos casos confirmados na Índia
Doença tem alta taxa de mortalidade, mas não há evidências de transmissão comunitária ou risco de pandemia, segundo autoridades de saúde
Créditos: eprodução/ Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA
Autoridades de saúde da Índia confirmaram dois casos do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental, no fim de dezembro de 2025. As infecções foram notificadas à Organização Mundial da Saúde (OMS), que classificou o risco como moderado em nível local e baixo nos cenários nacional e global.
Os dois pacientes são profissionais de saúde que atuam no mesmo hospital da cidade de Barasat. Um deles apresenta melhora clínica, enquanto o outro permanece em estado crítico. Até o momento, mais de 190 pessoas que tiveram contato com os infectados foram testadas, e nenhum novo caso foi confirmado.
Segundo a OMS, não há evidências de transmissão comunitária nem registro de disseminação do vírus para outras regiões ou países.
O que é o vírus Nipah e por que ele preocupa
O vírus Nipah é um patógeno identificado pela primeira vez em 1998, durante um surto na Malásia. Ele pertence à família Paramyxoviridae e tem como reservatório natural morcegos frugívoros, comuns no sul e sudeste da Ásia.
A infecção pode causar sintomas graves, como inflamação no cérebro (encefalite), problemas respiratórios e falência de órgãos. A taxa de mortalidade varia entre 40% e 75%, dependendo das condições de atendimento médico e do surto.
Por causa da gravidade, o Nipah integra a lista de vírus prioritários monitorados por organizações internacionais de saúde, que investem em pesquisas para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos.
Transmissão é limitada e não indica pandemia
Apesar da alta letalidade, especialistas explicam que o vírus não apresenta alta capacidade de transmissão entre pessoas. A disseminação costuma ocorrer em situações de contato próximo, como entre familiares ou profissionais de saúde, e não se mantém em larga escala.
A maioria dos casos registrados está associada ao contato direto com animais infectados ou com ambientes contaminados. Em alguns países, como Bangladesh, surtos foram relacionados ao consumo de alimentos contaminados por secreções de morcegos.
Até o momento, o vírus não demonstrou capacidade de se espalhar rapidamente por via respiratória, o que reduz o risco de uma pandemia.
Vigilância reforçada e monitoramento contínuo
Autoridades de saúde da Índia e de países vizinhos reforçaram as medidas de vigilância e controle. Alguns aeroportos asiáticos ampliaram protocolos de triagem para identificar possíveis casos.
Especialistas destacam que o monitoramento constante é essencial para prevenir surtos maiores. O avanço das tecnologias de diagnóstico permite detectar infecções com mais rapidez e ampliar a resposta das autoridades sanitárias.
A OMS reforça que o acompanhamento do vírus Nipah segue ativo, mas não há indicação de ameaça global neste momento. O objetivo é garantir resposta rápida e evitar a propagação da doença, caso novos casos sejam identificados.
