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“Uma apunhalada”: Michelle Bolsonaro acusa Flávio de desrespeito, fala em traição e expõe guerra interna no clã Bolsonaro

Ex-primeira-dama rompe o silêncio, afirma ter sido humilhada pelo enteado, acusa aliados de conspirarem contra ela e diz que ignorar desejos de Jair Bolsonaro no Ceará será um “ato de traição”

Por Gazeta do Paraná

“Uma apunhalada”: Michelle Bolsonaro acusa Flávio de desrespeito, fala em traição e expõe guerra interna no clã Bolsonaro Créditos: Reprodução redes sociais

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro levou para as redes sociais uma crise que até então era tratada nos bastidores do bolsonarismo. Em uma série de vídeos publicados nesta terça-feira, Michelle fez um duro desabafo, acusou integrantes do Partido Liberal de agirem pelas costas de seu marido, expôs um rompimento com o senador Flávio Bolsonaro e afirmou ter sofrido uma “apunhalada” por parte de membros da própria família Bolsonaro.  

“Algo que eu não esperava. Algo que doeu de um jeito que palavras custam descrever. Uma apunhalada”, afirmou a ex-primeira-dama antes de mencionar diretamente o nome do enteado.  


O pronunciamento, de mais de 25 minutos, é considerado por aliados como a mais contundente manifestação pública de Michelle desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro deixou o Palácio do Planalto e pode inaugurar uma nova fase de disputa interna pelo comando político do bolsonarismo.

 

“Ele me desrespeitou”

No trecho mais explosivo dos vídeos, Michelle relata que, após críticas feitas por Flávio nas redes sociais, tentou conversar com o senador. Segundo ela, o retorno da ligação foi ainda mais traumático.

“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. Eu não tinha feito nada contra ele”, declarou.  

Na sequência, a ex-primeira-dama afirma que ouviu do enteado que ela deveria se manter afastada das decisões partidárias.

“Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política.”  

As declarações têm peso político porque atingem diretamente um dos filhos mais influentes do ex-presidente e quebram a imagem de unidade que a família Bolsonaro sempre procurou transmitir ao eleitorado conservador.

 

“Pareceu combinado”

Michelle também sugeriu a existência de uma ação coordenada entre os filhos de Bolsonaro.

“Os irmãos vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros. Pareceu combinado, premeditado”, disse.  

A acusação abre uma nova frente de tensão dentro do bolsonarismo, uma vez que a ex-primeira-dama insinua que os ataques contra ela não foram episódios isolados, mas resultado de uma articulação interna.

 

“Traição” contra Bolsonaro

Outro momento de forte repercussão ocorreu quando Michelle tratou das definições eleitorais no Ceará.

Segundo ela, a candidatura da vereadora Priscila Costa ao Senado teria sido uma decisão conjunta dela, de Jair Bolsonaro e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

A ex-primeira-dama afirmou ainda que o ex-presidente, mesmo em meio às restrições impostas pela Justiça, teria determinado que Priscila fosse candidata.

“Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro. Venha de quem vier.”  

A frase é interpretada nos bastidores como um recado direto a dirigentes do partido e também a lideranças cearenses próximas do deputado federal André Fernandes.

Ataque à aproximação com Ciro Gomes

Michelle também direcionou críticas à possibilidade de uma aliança entre setores do PL e o ex-ministro Ciro Gomes.

Ela lembrou declarações de Ciro contra Jair Bolsonaro e seus filhos e questionou a coerência de qualquer composição política.

“Ciro não terá meu apoio nunca e, na minha opinião, não deveria ter de ninguém da direita que apoie Bolsonaro.”  

Em outro momento, ela elevou o tom: "Já que a aliança com o Ciro é tão boa, por que o André não disponibiliza a vaga do seu próprio pai? Estranho, né? Por que só a mulher tem que ceder?”  

 

“Eu sei quem planta as notícias”

Michelle também afirmou ser alvo de vazamentos e campanhas de desinformação.

“Eu sei quem as planta, eu sei quem são as fontes. Eles me tratam como se eu fosse idiota. Mas eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam.”  

Em outro trecho, ela acusou influenciadores ligados ao bolsonarismo de promoverem ataques sistemáticos contra sua imagem e de atingirem inclusive sua filha adolescente.

 

Construção de uma liderança própria

Embora o vídeo tenha sido apresentado como um desabafo pessoal, Michelle aproveitou o pronunciamento para fazer uma defesa de seu legado político.

Ela lembrou a expansão do PL Mulher, a instalação de diretórios em todos os estados e o aumento de 45,8% no número de mulheres eleitas pelo partido em 2024, totalizando 1.005 candidatas vitoriosas.  

Ao rebater a afirmação de que “não entende de política”, a ex-primeira-dama parece reivindicar um papel mais relevante dentro do partido e sinalizar que não pretende permanecer apenas como uma figura de apoio.

 

Guerra aberta

As declarações de Michelle Bolsonaro expõem pela primeira vez de maneira explícita um racha no núcleo do bolsonarismo. Mais do que uma divergência sobre o Ceará, os vídeos revelam uma disputa por influência, espaço e, possivelmente, pela herança política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao falar em “apunhalada”, “traição” e “desrespeito”, Michelle deixou claro que a crise ultrapassou as fronteiras da estratégia eleitoral e atingiu o coração da família política que liderou a direita brasileira nos últimos anos.  

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp