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Irã propõe acordo aos EUA para liberar Estreito de Ormuz e adiar debate nuclear
Em meio ao bloqueio naval determinado por Trump, Teerã sugere fim das hostilidades e reabertura de rota comercial; Casa Branca mantém pressão sobre exportações de petróleo
O Irã apresentou aos Estados Unidos uma nova proposta com o objetivo de retomar a circulação no Estreito de Ormuz e avançar para o fim do conflito em curso. A iniciativa prevê deixar para um segundo momento as discussões sobre o programa nuclear iraniano, ponto central do impasse entre os dois países.
A proposta surge em um cenário de escalada de tensão na região. O Comando Central dos Estados Unidos informou que já barrou a passagem de 38 embarcações no estreito, seguindo determinação do presidente Donald Trump. Mesmo após a declaração de cessar-fogo, a Casa Branca manteve o bloqueio naval.
Segundo o Departamento do Tesouro norte-americano, a medida atinge diretamente a economia iraniana, já que cerca de 90% do comércio marítimo do país passa pela região. O objetivo é restringir as exportações de petróleo e reduzir as fontes de financiamento de Teerã.
O governo dos Estados Unidos sustenta que a estratégia de pressão econômica segue como principal ferramenta de negociação. Trump tem indicado que não há urgência para um acordo, avaliando que as sanções e o bloqueio já provocam impacto significativo na capacidade operacional do Irã.
Negociações travadas e impasse diplomático
As conversas entre os dois países foram retomadas recentemente após décadas sem diálogo direto de alto nível. A primeira rodada ocorreu em 11 de abril, em Islamabad, com mediação do Paquistão.
As delegações permaneceram reunidas por mais de 20 horas, mas não houve avanço concreto. Uma nova rodada de negociações, prevista para o fim de semana seguinte, acabou não sendo realizada. O chanceler iraniano, Abás Araqchí, deixou o país mediador sem retomar as tratativas com os representantes norte-americanos.
Durante as conversas, Araqchí apresentou uma proposta alternativa. O plano sugere prolongar o cessar-fogo ou formalizar o encerramento do conflito como prioridade imediata, deixando o debate sobre o programa nuclear para uma etapa posterior, após a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio naval.
Divergências internas e exigências dos EUA
Apesar da proposta, o cenário interno no Irã também apresenta divergências. Fontes diplomáticas indicam que não há consenso entre as lideranças do país sobre como responder às exigências impostas por Washington.
Os Estados Unidos defendem a suspensão do enriquecimento de urânio por um período de dez anos, além da retirada do material enriquecido do território iraniano. As condições seguem como principal obstáculo para um acordo.
