Quatro políticos estavam em voo investigado por suspeita de contrabando
PF apura irregularidades em desembarque de jato vindo do Caribe; caso foi enviado ao STF por envolver autoridades com foro privilegiado
Por Gazeta do Paraná
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A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar suspeitas de contrabando ou descaminho envolvendo um voo privado que transportava quatro políticos brasileiros e um empresário do setor de apostas online. O caso ganhou dimensão institucional após ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, já que envolve autoridades com prerrogativa de foro.
A investigação aponta que estavam na aeronave o presidente da Câmara, Hugo Motta, o senador Ciro Nogueira e os deputados federais Doutor Luizinho e Isnaldo Bulhões. O grupo viajava em um jato pertencente ao empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandim OIG, que já foi alvo da CPI das Bets no Senado.
O voo partiu da ilha de Saint Martin, no Caribe — considerada um paraíso fiscal — e pousou no aeroporto executivo Catarina, em São Roque, interior de São Paulo, na noite de 20 de abril de 2025.
Bagagens fora do raio-X
O ponto central da investigação envolve o desembarque da aeronave. De acordo com a PF, um auditor da Receita Federal permitiu que o piloto do jato passasse com sete volumes de bagagem sem que fossem submetidos à inspeção por raio-X. O procedimento irregular foi registrado por câmeras de segurança da área alfandegária.
Esse mesmo auditor já havia sido indiciado em outro inquérito por suspeita de facilitar práticas de contrabando e descaminho, o que levantou suspeitas adicionais sobre o conteúdo transportado no voo.
Até o momento, não há identificação oficial dos donos das bagagens que passaram sem fiscalização, nem confirmação sobre o conteúdo transportado. Ainda assim, o fato de o voo ter origem em um paraíso fiscal e envolver agentes já investigados acendeu o alerta da Polícia Federal.
Caso chega ao STF
Inicialmente, a investigação tramitava na Justiça Federal em Sorocaba (SP), mas foi remetida ao Supremo Tribunal Federal em março, justamente por envolver autoridades com foro privilegiado. O caso foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, que encaminhou os autos à Procuradoria-Geral da República para avaliação sobre eventual existência de crime.
Relatório preliminar da Polícia Federal indica que os quatro parlamentares passaram normalmente pelo controle de bagagens. No entanto, a corporação não descarta a possibilidade de que o aprofundamento das investigações possa apontar eventual envolvimento de algum deles.
Conexão com CPI das Bets
O empresário responsável pela aeronave, Fernandim OIG, é ligado ao setor de apostas online e foi investigado pela CPI das Bets no Senado. O voo ocorreu justamente durante o período em que a comissão estava em funcionamento, com participação do senador Ciro Nogueira.
O relatório final da CPI acabou rejeitado, mas o nome do empresário permaneceu sob atenção de autoridades, especialmente por sua atuação no mercado de jogos digitais.
O que está em jogo
A investigação agora depende da análise da Procuradoria-Geral da República para definir se há elementos suficientes para abertura de procedimento criminal no Supremo. O foco está na possível prática de descaminho — quando há entrada de mercadorias sem pagamento de tributos — ou contrabando, que envolve produtos proibidos.
Enquanto isso, permanece a principal dúvida que sustenta o caso: o que havia, de fato, nas bagagens que passaram fora do controle aduaneiro.
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