corbelia fevereiro 2026

The Economist usa Brasil como alerta e aponta risco de “brasilização” da economia global

Análise da revista britânica sugere que países ricos podem enfrentar trajetória semelhante à de economias emergentes, marcada por juros elevados e pressão crescente da dívida pública

Por Gazeta do Paraná

The Economist usa Brasil como alerta e aponta risco de “brasilização” da economia global Créditos: Reprodução

O Brasil voltou a aparecer como referência em um dos debates centrais da economia internacional. Em reportagem publicada em fevereiro, a revista britânica The Economist usou o país como exemplo para alertar sobre um risco que pode atingir economias desenvolvidas: a chamada “brasilização” fiscal, expressão empregada para descrever cenários marcados por juros persistentemente altos, endividamento crescente e dificuldades estruturais para equilibrar as contas públicas.

A tese apresentada pela publicação parte da constatação de que dinâmicas historicamente associadas a economias emergentes começam a ganhar espaço em países ricos. O conceito não aparece como julgamento isolado sobre o Brasil, mas como uma metáfora para um modelo de funcionamento econômico que combina crescimento limitado com elevado custo para financiar o Estado. A ideia central é que o mundo desenvolvido pode caminhar para uma realidade em que o peso da dívida se torna progressivamente mais difícil de administrar, sobretudo em ambientes de juros elevados.

Na análise, o Brasil surge como um exemplo de economia que convive há décadas com essa equação. Mesmo em períodos de estabilidade macroeconômica ou crescimento moderado, o país enfrenta pressões estruturais sobre as contas públicas, impulsionadas por despesas rígidas, dificuldades políticas para reformas e um histórico de juros elevados. Esse conjunto de fatores faz com que o custo de rolagem da dívida permaneça alto, criando uma dinâmica em que o ajuste fiscal se torna mais complexo ao longo do tempo.

A reportagem destaca que o fenômeno não se limita a emergentes. O aumento global das taxas de juros após a pandemia, somado à expansão de gastos públicos e ao envelhecimento populacional em várias economias avançadas, cria condições semelhantes às observadas em países como o Brasil. Nesse contexto, a revista sugere que o padrão antes visto como típico de mercados emergentes pode se tornar mais comum em nações desenvolvidas.

A escolha do Brasil como referência ganhou forte repercussão fora do país. Parte dos analistas interpreta a comparação como um alerta técnico sobre sustentabilidade fiscal em um mundo de juros mais altos. Outros apontam que o uso do país como símbolo simplifica realidades complexas e ignora diferenças estruturais entre economias.

Ainda assim, o texto reforça uma preocupação crescente no debate econômico internacional: a dificuldade de sustentar níveis elevados de dívida pública em um cenário de financiamento mais caro. Ao colocar o Brasil como exemplo, a revista insere o país em uma discussão mais ampla sobre os limites fiscais das economias modernas e sobre os desafios que podem marcar a próxima década.

Créditos: Redação com agências Acesse nosso canal no WhatsApp