RESULT

Bancos centrais trocam dólar por ouro? Entenda a tese que agita Wall Street

Gestor de Wall Street aponta mudança gradual nas reservas globais, com bancos centrais reduzindo dependência do dólar e ampliando compras de ouro em meio a incertezas geopolíticas e fiscais

Por Gazeta do Paraná

Bancos centrais trocam dólar por ouro? Entenda a tese que agita Wall Street Créditos: Divulgação

Uma mudança silenciosa pode estar acontecendo no coração do sistema financeiro global. Bancos centrais de vários países estariam reduzindo a quantidade de dólares em suas reservas e aumentando a compra de ouro. A avaliação é do investidor David Einhorn, gestor conhecido em Wall Street, em análise publicada pelo InfoMoney.

Na prática, bancos centrais guardam reservas para proteger suas economias em momentos de crise. Tradicionalmente, o dólar é o principal ativo desse “cofre global”, já que a moeda americana domina o comércio internacional há décadas. Mas, segundo Einhorn, essa lógica pode estar começando a mudar.

A tese do gestor é que o ouro vem recuperando protagonismo como uma espécie de “porto seguro”. Diferente do dólar, o metal não depende de governos ou políticas monetárias, o que o torna atraente em períodos de incerteza. Em um mundo com guerras, disputas comerciais e dívidas públicas crescentes, o ouro volta a ganhar valor simbólico e estratégico.

Outro fator citado é a preocupação com a situação fiscal dos Estados Unidos. O aumento da dívida americana e as tensões geopolíticas têm levado alguns países a diversificar suas reservas — ou seja, não concentrar tudo em uma única moeda. Nesse contexto, o ouro surge como alternativa tradicional e mais “neutra”.

Esse movimento ajuda a explicar por que o metal tem batido recordes recentes de preço. Além da demanda de investidores comuns, bancos centrais vêm reforçando suas compras, o que sustenta a valorização.

Mesmo assim, especialistas ponderam que não se trata de uma troca imediata de protagonismo. O dólar ainda é, com folga, a principal moeda do planeta e deve continuar assim no curto prazo. A possível mudança seria lenta e gradual, marcada mais por ajustes nas reservas do que por uma ruptura.

Ainda assim, o debate ganha força porque toca em um tema maior: o futuro do sistema financeiro global. Se mais países passarem a reduzir a dependência do dólar, o equilíbrio monetário internacional pode se tornar mais fragmentado — e o ouro, um velho conhecido da economia mundial, pode voltar ao centro do jogo.

Créditos: Redação com agências Acesse nosso canal no WhatsApp