Renúncias no BRB ampliam crise de governança e expõem conexões com fundo sob investigação
Renúncias no Conselho Fiscal do BRB após ligação com fundo investigado aumentam pressão sobre governança do banco e levantam dúvidas sobre indicações, fiscalização interna e operações com o Banco Master
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Agência Brasil
A renúncia de dois integrantes do Conselho Fiscal do Banco de Brasília (BRB) ampliou a crise institucional que envolve a estatal e intensificou questionamentos sobre sua governança. Os advogados Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói Lima de Sousa deixaram os cargos após virem à tona vínculos atribuídos ao fundo Borneo, administrado pela Reag Investimentos — empresa citada em investigações relacionadas ao caso Banco Master.
A saída foi formalizada após a divulgação de fato relevante pelo banco reconhecendo que as indicações ao colegiado haviam sido atribuídas ao fundo. Ambos afirmaram publicamente que não tinham conhecimento prévio dessa vinculação e que só tomaram ciência da informação após a repercussão do caso.
A origem da controvérsia
A controvérsia remonta à assembleia que elegeu os conselheiros, realizada em março de 2025. A ata do encontro registrava o fundo Borneo como responsável pelas indicações. Posteriormente, a própria estrutura societária envolvida passou a reforçar essa autoria, consolidando a associação.
Antes da vinculação ao fundo ganhar visibilidade, os nomes eram associados politicamente ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), o que elevou o impacto político da crise.
A mudança de enquadramento ocorreu em meio a rearranjos internos na composição do conselho. Alterações nas vagas ligadas ao acionista controlador abriram espaço para que o fundo passasse a figurar formalmente como padrinho das indicações, o que acabou catalisando o debate público sobre a independência do órgão.
Conselho fiscal no centro da discussão
Embora não tenha poder deliberativo sobre operações estratégicas, o Conselho Fiscal exerce papel relevante na governança: cabe ao colegiado analisar demonstrações contábeis, fiscalizar atos da administração e apontar eventuais inconsistências.
O problema é que a renúncia ocorre no momento em que operações sensíveis envolvendo o BRB passaram a ser alvo de investigações. Documentos já divulgados indicam que negócios relacionados ao Banco Master não foram objeto de questionamentos públicos do conselho à época, o que ampliou o debate sobre a efetividade do órgão de controle interno.
O pano de fundo: caso Banco Master
A crise de governança no BRB está inserida em um contexto mais amplo. Desde 2024, a instituição passou a adquirir carteiras de crédito do Banco Master, operação que posteriormente entrou no radar de autoridades.
Investigações conduzidas pela Polícia Federal e acompanhadas por órgãos reguladores analisam a estrutura dessas transações. Apurações preliminares apontaram indícios de inconsistências relevantes nos créditos negociados, o que levou o caso a ganhar dimensão nacional.
O episódio também trouxe à tona a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, que chegou a avançar, mas acabou barrada pelo Banco Central em 2025. A decisão do regulador intensificou os questionamentos sobre os processos internos de avaliação de risco e governança da estatal.
Pressão regulatória e institucional
Além das investigações policiais, o caso passou a ser acompanhado por órgãos do mercado de capitais. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu procedimento para apurar as indicações ao conselho e eventuais conflitos de interesse, ampliando a pressão sobre a estrutura decisória do banco.
A presença de fundos de investimento em posições sensíveis de governança — especialmente em instituições financeiras públicas — costuma atrair atenção regulatória, sobretudo quando há intersecção com operações investigadas.
Nesse contexto, a renúncia dos conselheiros é vista como uma tentativa de reduzir o desgaste institucional e sinalizar resposta às cobranças por maior transparência.
Impacto político
A crise não se limita ao campo técnico. A associação inicial dos conselheiros a figuras políticas locais ampliou a repercussão do episódio e adicionou um componente político à discussão sobre governança.
Em bancos públicos ou de economia mista, a intersecção entre indicações políticas, interesses de mercado e estruturas de controle costuma ser ponto sensível. A sucessão de fatos relevantes envolvendo o BRB reforçou esse debate e trouxe o caso para o centro da agenda pública.
Resposta oficial
Em comunicado ao mercado, o BRB afirmou que atua com responsabilidade e transparência e reiterou o compromisso de manter investidores informados. A instituição não detalhou eventuais medidas adicionais relacionadas à governança após as renúncias.
Até o momento, não houve posicionamentos públicos adicionais dos conselheiros que deixaram os cargos, do fundo citado ou de autoridades políticas associadas ao caso.
Créditos: Redação
