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Anvisa deve decidir nas próximas semanas sobre registro de rivais do Ozempic

Anvisa analisa pedidos de registro de medicamentos concorrentes do Ozempic e deve anunciar decisão nas próximas semanas, em meio ao vencimento de patente e expectativa de redução nos preços

Por Gazeta do Paraná

Anvisa deve decidir nas próximas semanas sobre registro de rivais do Ozempic Créditos: Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve se manifestar nas próximas semanas sobre pedidos de registro de medicamentos que pretendem concorrer com o Ozempic e o Wegovy no Brasil. A informação foi confirmada pela própria agência após questionamentos feitos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). 

Os remédios em análise são canetas injetáveis com ação semelhante à da semaglutida, princípio ativo que impulsionou a popularização global dos chamados “emagrecedores injetáveis”. Atualmente, as marcas mais conhecidas do mercado são produzidas pela farmacêutica Novo Nordisk. 

 

Patente perto do fim e corrida por concorrentes

A expectativa em torno da decisão da Anvisa está ligada ao vencimento da patente da semaglutida, previsto para 20 de março. Apesar da proximidade da data, ainda não há medicamentos concorrentes aprovados no país. 

Dois pedidos estão em fase final de análise interna. Um deles é da farmacêutica EMS, que já atua no segmento com medicamentos à base de liraglutida, usados como alternativa a produtos como Saxenda e Victoza. 

O outro foi inicialmente protocolado pela Momenta, do grupo Eurofarma, mas acabou transferido para a Ávita Care. A Eurofarma já atua no mercado após firmar parceria com a Novo Nordisk para distribuição de marcas de semaglutida. 

Mesmo nessa fase avançada, a aprovação não é garantida. A agência pode solicitar dados adicionais ou rejeitar os pedidos, como ocorreu em dezembro, quando um produto à base de liraglutida apresentado pela Megalabs teve o registro negado. 

 

Mercado bilionário e pressão por preços menores

As chamadas canetas emagrecedoras pertencem à classe dos agonistas de GLP-1, hormônio ligado ao controle da glicose e à sensação de saciedade. Além da semaglutida, há produtos baseados em tirzepatida, como o Mounjaro, cuja patente se estende até 2036. 

Hoje, a Anvisa analisa pelo menos 14 pedidos de medicamentos com semaglutida e outros sete com liraglutida. Nenhum deles é enquadrado como genérico — categoria que exige preço ao menos 35% inferior ao produto de referência. Ainda assim, a expectativa do mercado é que a concorrência reduza os valores cobrados atualmente. 

O tema tem mobilizado consumidores, indústria e até o Congresso. Recentemente, deputados aprovaram regime de urgência para um projeto que propõe a quebra de patente de medicamentos com tirzepatida, ideia que enfrenta resistência do governo e do setor farmacêutico. 

 

Debate sobre acesso e riscos

A expansão desse tipo de medicamento também levanta preocupações médicas e regulatórias. O aumento do uso fora das indicações clínicas, inclusive para fins estéticos, e a circulação de versões manipuladas têm sido apontados por especialistas como fatores de risco. 

Em meio ao crescimento da demanda, o governo federal já havia pressionado a Anvisa a acelerar análises relacionadas a medicamentos dessa categoria, com o argumento de evitar desabastecimento e ampliar o acesso. 

A decisão final da agência, esperada para as próximas semanas, deve definir o ritmo de abertura do mercado brasileiro a concorrentes do Ozempic e pode marcar uma nova fase na disputa pelos remédios que revolucionaram o tratamento da obesidade e do diabetes.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp