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Testemunha aponta ex-prefeito, PM e vereador como supostos articuladores de homicídio em Açailândia

Novo depoimento apresentado pela defesa de Wallas Costa atribui a agentes públicos a articulação do assassinato ocorrido dentro de uma UPA em 2020

Por Gazeta do Paraná

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Testemunha aponta ex-prefeito, PM e vereador como supostos articuladores de homicídio em Açailândia Créditos: Reprodução

A defesa de Wallas Costa apresentou à Justiça novos elementos que, segundo os advogados, podem mudar a linha de investigação sobre o assassinato de Carlos Eduardo Bozo Lopes, conhecido como “Paulista”, morto dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Açailândia, no Maranhão, em 25 de outubro de 2020.

Entre os documentos está o depoimento de Regivaldo Bezerra da Silva, prestado durante julgamento do Tribunal do Júri de Esmeraldas (MG). A defesa também anexou vídeos e pediu a degravação oficial, perícia dos arquivos e análise do material pelo Ministério Público.

No relato, Regivaldo afirma que o então prefeito de Açailândia, Aluísio Silva Sousa, teria determinado a execução de Carlos Eduardo. Segundo a testemunha, a ordem teria sido repassada pelo motorista do prefeito, identificado como Walter, ao sobrinho, o policial militar André, já falecido.

Ainda conforme o depoimento, André teria acionado Wilson Gustavo Queiroz Cavalcante, servidor da UPA, que teria repassado a missão a Edson Alves do Nascimento, conhecido como “Edinho”, apontado como autor dos disparos. A testemunha também cita o então vereador conhecido como “Irmão Carlos” como suposto participante da articulação.

Suposta motivação

Segundo Regivaldo, o assassinato estaria relacionado a um suposto esquema de desvio de recursos públicos na Prefeitura de Açailândia. Carlos Eduardo teria tomado conhecimento das irregularidades, recusado participar e ameaçado denunciar o caso.

A testemunha relata ainda duas tentativas anteriores de matar a vítima. A oportunidade teria surgido quando Carlos Eduardo foi atendido na UPA após passar mal. Edson teria sido avisado por Wilson, buscado um revólver calibre .38 que estaria na casa do policial André e seguido para a unidade.

De acordo com o relato, Edson teria se identificado como policial para entrar na UPA e efetuado dois disparos na cabeça de Carlos Eduardo enquanto ele aguardava atendimento.

A defesa sustenta que Wallas Costa é inocente e não teve participação no crime. Com os novos elementos, pede a revogação da prisão preventiva e novas diligências.

Os próprios documentos apresentados ressaltam, porém, que o material ainda precisa ser submetido a perícia e ter sua autenticidade e cadeia de custódia verificadas. As acusações também dependem de análise da Polícia Civil, do Ministério Público e da Justiça.

Relembre o caso

Carlos Eduardo era servidor da Secretaria Municipal de Infraestrutura, casado e pai de seis filhos. O filho mais novo tinha apenas 15 dias quando ele foi assassinado.

O caso levou à Operação Thanatos, deflagrada pela Polícia Civil em junho de 2022, com prisões e buscas em quatro municípios. Na época, a investigação apontou a existência de uma associação criminosa suspeita de envolvimento em homicídios, roubos de cargas e receptação.

As novas acusações apresentadas pela defesa ainda não foram reconhecidas judicialmente como prova e deverão passar pelo contraditório e pela análise das autoridades responsáveis pela investigação.

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