SUS oferece teleatendimento psicológico gratuito para mulheres em situação de violência e mães atípicas
Serviço prevê até 100 mil consultas mensais e permite acompanhamento psicológico remoto, sem necessidade de encaminhamento prévio
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Fernando Frazão/Agência Brasil
Mulheres em situação de violência e mães atípicas de todo o país passam a contar com atendimento psicológico gratuito por videochamada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa do Ministério da Saúde prevê a oferta de até 100 mil consultas por mês e busca ampliar o acesso à assistência em saúde mental para mulheres que enfrentam situações de violência ou sobrecarga de cuidados.
O serviço é destinado a mulheres com 18 anos ou mais que estejam vivenciando violência física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral. Também podem ser atendidas mulheres submetidas a uma rotina de cuidado não remunerado, especialmente aquelas responsáveis por pessoas com deficiência (PCD), familiares neurodivergentes ou pessoas com doenças raras.
A proposta é oferecer um espaço de acolhimento, escuta e acompanhamento psicológico sem julgamentos. Durante as sessões, as profissionais podem auxiliar as pacientes na compreensão das situações enfrentadas e na construção de estratégias voltadas à proteção, ao cuidado e ao bem-estar.
O teleatendimento faz parte da ação Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres, desenvolvida pelo Ministério da Saúde em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).
Como solicitar atendimento
O acesso é feito de forma gratuita pelo aplicativo Acolhe Mais, disponível na página inicial do Meu SUS Digital, ou pelo site do programa. Para utilizar o serviço, é necessário fazer login com a conta da plataforma Gov.br.
Uma das características da iniciativa é a dispensa de encaminhamento prévio por outra unidade pública de saúde. Também não é necessário apresentar documentos que comprovem a situação de violência, vulnerabilidade ou a condição de cuidadora sem remuneração.
Para solicitar o atendimento, a mulher deve realizar um cadastro e preencher um formulário online, além de responder às perguntas da etapa de acolhimento digital. Depois do envio da solicitação, as informações são avaliadas pela equipe responsável.
A previsão é que a paciente receba retorno em até 24 horas. Após o agendamento, ela terá acesso à confirmação da consulta, orientações, lembretes e ao link para participar da videochamada.
Os atendimentos são realizados de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, no horário de Brasília. Aos sábados, o serviço funciona das 8h às 14h.
Até dez sessões
Cada sessão de atendimento psicológico tem duração mínima de 50 minutos. A jornada começa com um acolhimento inicial e pode seguir com acompanhamento psicológico em ciclos de até dez sessões.
Quando houver necessidade, o atendimento poderá ser renovado. A proposta também prevê que, sempre que possível, a mesma psicóloga acompanhe a paciente durante o processo. A manutenção da profissional busca facilitar a criação de vínculo e dar continuidade ao acompanhamento.
A iniciativa amplia uma modalidade de atendimento que pode ser especialmente importante para mulheres que enfrentam dificuldades para se deslocar até uma unidade de saúde, seja por questões de segurança, rotina de cuidados ou falta de acesso a serviços especializados.
Rede de proteção
O teleatendimento psicológico não substitui os serviços de emergência ou os demais mecanismos da rede de proteção às mulheres. Em casos de risco imediato de violência ou quando a agressão já tiver ocorrido, a orientação é acionar os serviços de emergência.
A Polícia Militar pode ser chamada pelo 190, enquanto o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atende pelo 192.
Também está disponível a Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, que oferece atendimento gratuito 24 horas por dia, todos os dias da semana, inclusive feriados. O serviço orienta mulheres em situação de violência e também pode fornecer informações sobre os serviços disponíveis na rede de proteção.
