Surto de ebola avança no Congo e pode se tornar um dos maiores da história, alerta CDC
Casos confirmados cresceram rapidamente nos últimos dias e autoridades internacionais correm para ampliar medidas de contenção
Por Gazeta do Paraná
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O surto de ebola na República Democrática do Congo continua avançando em ritmo acelerado e já desperta preocupação internacional. Somente em um dia, as autoridades sanitárias registraram 71 novos casos confirmados e 21 mortes adicionais, elevando o total para 452 infecções confirmadas em laboratório e 82 óbitos, segundo o Instituto Nacional de Saúde Pública do país.
O alerta foi reforçado por pesquisadores do Centers for Disease Control and Prevention, que avaliam que o atual surto provocado pela variante Bundibugyo tem potencial para se tornar uma das maiores epidemias de ebola já registradas. De acordo com os especialistas, a principal preocupação não é uma maior capacidade de transmissão do vírus, mas sim o fato de que a doença já estava amplamente disseminada quando foi identificada oficialmente.
O epicentro da crise está na província de Ituri, no leste do Congo, região marcada por conflitos armados, deslocamentos populacionais e sistemas de saúde fragilizados. O surto já alcançou mais de duas dezenas de zonas de saúde em três províncias e também ultrapassou a fronteira, chegando à Uganda, que contabiliza 19 casos confirmados.
Modelagens elaboradas pelo CDC indicam que, se apenas 20% dos pacientes forem rapidamente identificados e isolados, existe uma probabilidade de 65% de o surto ultrapassar 20 mil casos nos próximos três meses. Por outro lado, o isolamento de cerca de 70% dos infectados reduziria significativamente esse risco.
Para tentar conter a disseminação, a Organização Mundial da Saúde e os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças lançaram um plano conjunto que prevê a mobilização de mais de US$ 500 milhões para fortalecer a resposta nos países afetados.
Apesar de avanços no rastreamento de contatos e na capacidade de testagem, especialistas alertam que a ausência de vacinas e tratamentos aprovados especificamente para a variante Bundibugyo torna o controle da epidemia ainda mais desafiador. Além disso, ataques contra equipes humanitárias em áreas afetadas têm dificultado os esforços para interromper a cadeia de transmissão do vírus.
