Copel Horta
Super El Niño: seminário vai discutir impactos do fenômeno no Paraná e riscos climáticos Créditos: Gilson Abreu/AEN

Super El Niño: seminário vai discutir impactos do fenômeno no Paraná e riscos climáticos

Evento online reúne especialistas para discutir as projeções do Super El Niño, os riscos de eventos extremos e formas de adaptação no Paraná.

O avanço das mudanças climáticas e a possibilidade de um novo episódio de forte intensidade do fenômeno El Niño estarão no centro de um seminário online promovido no Paraná na próxima terça-feira (8). O encontro pretende esclarecer os possíveis impactos do chamado "Super El Niño" no Estado e discutir formas de preparação para eventos climáticos extremos.

Organizado pelo Instituto Ecoe e pela Rede Curitiba Climática (RECC), o seminário "O Super El Niño e seus impactos no Paraná" será realizado às 19h, com transmissão gratuita pelo canal do Instituto Ecoe no YouTube.

Segundo os organizadores, o debate ocorre em um momento de alerta para a região Sul do Brasil. Projeções do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) indicam mais de 80% de probabilidade de um episódio de El Niño entre forte e muito forte entre setembro de 2026 e janeiro de 2027, cenário que pode aumentar a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos.

Especialistas vão apresentar projeções

A programação contará com pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que abordarão os possíveis reflexos do fenômeno sobre o clima e a população paranaense.

Participam do encontro o professor Wilson Flavio Feltrim Roseghini, do Laboratório de Climatologia do Departamento de Geografia da UFPR, e o professor Eduardo Vedor, do Laboratório de Geoprocessamento e Estudos Ambientais da universidade.

Também integra o seminário o pesquisador Rogério Rossi Horochovski, do Observatório de Justiça e Conservação, que fará uma apresentação sobre os direitos da população em situações de desastres.

Debate inclui prevenção e adaptação

O seminário será voltado a estudantes, pesquisadores, gestores públicos, organizações da sociedade civil, coletivos ambientais e demais interessados no tema.

A programação será dividida em quatro eixos principais: as projeções do El Niño para o Paraná, os impactos esperados do fenômeno, as medidas de preparação e adaptação e os direitos relacionados aos desastres climáticos.

De acordo com Rafael Souza, diretor de Projetos do Instituto Ecoe e um dos coordenadores do evento, o debate precisa ir além da análise do fenômeno climático.

"É fundamental que a sociedade, a academia e o poder público aprofundem o debate sobre os impactos deste fenômeno, não como um evento isolado, mas como uma consequência das mudanças climáticas, que pode se tornar recorrente e que exigirá ações concretas da federação, estados e municípios na adaptação dos territórios a este novo contexto climático", afirma.

Sociedade também tem papel na prevenção

A ativista climática Carolina Effing destaca que a preparação para eventos extremos não depende apenas do poder público.

Segundo ela, a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil prevê a participação da sociedade na gestão de riscos e na prevenção de desastres.

"Não podemos deixar a preparação para o El Niño apenas nas mãos do poder público, porque eles sozinhos não vão dar conta do desafio", afirma.

Série de encontros

O seminário marca o início de uma série de debates programados para o segundo semestre de 2026. A proposta é ampliar o acesso a informações técnicas e orientar a população sobre como agir diante de eventos climáticos extremos que possam atingir o Paraná.

A iniciativa conta com apoio de diversas instituições, universidades, movimentos ambientais e organizações da sociedade civil que atuam nas áreas de pesquisa, conservação ambiental, planejamento urbano e mudanças climáticas.

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