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Sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na União Europeia

Pesquisadora aponta que país sofre “colonialismo químico”

Por Gazeta do Paraná

Sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na União Europeia Créditos: Divulgação

Dos dez agrotóxicos mais comercializados no Brasil, sete possuem restrições ou são proibidos na União Europeia (UE). A informação foi apresentada pela geógrafa Larissa Mies Bombardi, pesquisadora do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Niterói (RJ).

Segundo a pesquisadora, o cenário caracteriza o chamado “colonialismo químico”, em que países como o Brasil recebem produtos que não são autorizados em seus locais de origem. Para ela, essas substâncias são proibidas em outros países devido a riscos associados à saúde humana, ao meio ambiente e à biodiversidade.

Entre os dez agrotóxicos mais utilizados no Brasil em 2023, os produtos proibidos na União Europeia incluem mancozebe, 2,4-D, acefato, clorotalonil, atrazina, S-metolacloro e dibrometo de diquate. Outros produtos, como glifosato, glufosinato e malationa, permanecem autorizados no mercado brasileiro, embora sejam alvo de debates e reavaliações em diferentes países.

Larissa destaca que o Brasil é o principal destino de exportações de pesticidas proibidos pela União Europeia. Segundo dados apresentados por ela, em 2023 o país recebeu cerca de 3 mil toneladas desses produtos, volume superior ao registrado por Ucrânia, Estados Unidos e Rússia somados.

A pesquisadora também chama atenção para a concentração do mercado de sementes e defensivos agrícolas. Quatro grandes empresas — as europeias Basf e Bayer, a americana Corteva e a chinesa Sinochem — controlam parcela significativa desses setores. Segundo ela, esse modelo aumenta a dependência dos produtores em relação a grandes grupos multinacionais.

Durante a apresentação, Larissa citou possíveis impactos ambientais relacionados ao uso intensivo de defensivos agrícolas. Entre os exemplos, mencionou estudos que apontam redução de populações de insetos no mundo e destacou pesquisas sobre a atrazina, associada a alterações em anfíbios.

Para a especialista, o Brasil possui condições de liderar uma mudança no modelo agrícola, com maior incentivo à agricultura familiar e políticas voltadas à redução da dependência de produtos químicos. Ela defende que o país utilize sua relevância no setor agropecuário para promover uma regulamentação internacional mais equilibrada.

A pesquisadora também relacionou o uso de agrotóxicos à estrutura fundiária brasileira. Segundo ela, a concentração de terras influencia o modelo produtivo adotado no país e precisa ser considerada nos debates sobre defensivos agrícolas.

Legislação brasileira

No Brasil, a regulamentação dos agrotóxicos passou por mudanças com a Lei 14.785, sancionada em 2023. A norma estabelece critérios para registro e utilização dos produtos, com participação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A Anvisa informou que cada país possui regras próprias para aprovação e manutenção de registros e destacou que produtos podem passar por reavaliação caso sejam identificados riscos à saúde ou ao meio ambiente.

Desde 2006, a agência concluiu 20 processos de reavaliação, que resultaram no banimento de 13 ingredientes ativos de agrotóxicos. Entre eles estão substâncias como carbendazim, paraquate, metamidofós e monocrotofós.

Outros ingredientes permanecem sob análise ou tiveram restrições impostas para reduzir riscos. A Anvisa afirma que o sistema brasileiro prevê mecanismos para manutenção, alteração de regras de uso ou retirada de produtos do mercado conforme novas evidências científicas sejam apresentadas.

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