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Saúde de Foz do Iguaçu entra em alerta com superlotação do Itamed e pacientes à espera de UTI

Hospital atingiu limite operacional, restringiu novos encaminhamentos pelo SUS e aponta falta de leitos para pacientes que aguardam transferência

Por Gazeta do Paraná

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Saúde de Foz do Iguaçu entra em alerta com superlotação do Itamed e pacientes à espera de UTI Créditos: Divulgação

A crise na assistência hospitalar de Foz do Iguaçu ganhou uma nova dimensão nesta segunda-feira (17), após o Hospital Itamed comunicar oficialmente que atingiu o limite de sua capacidade operacional e está temporariamente impossibilitado de receber novos pacientes encaminhados pela Central de Regulação do SUS. 

Em comunicado divulgado nesta segunda, a Fundação de Saúde Itaiguapy, responsável pelo Itamed, informou que a restrição foi adotada diante da “indisponibilidade temporária de capacidade assistencial”, provocada pela ocupação máxima da estrutura hospitalar. Segundo a instituição, o objetivo é preservar a segurança dos pacientes e a qualidade da assistência. Horas depois o hospital tirou o comunicado de seu site oficial.

Na prática, novos encaminhamentos regulados pelo SUS deverão ser direcionados para outras unidades que tenham disponibilidade. O hospital ressalta, porém, que a medida não representa o encerramento do atendimento pelo SUS. Pacientes que procurarem espontaneamente o pronto-socorro continuarão sendo acolhidos, classificados conforme o protocolo de risco e avaliados pela equipe médica. Casos de urgência e emergência deverão ser atendidos normalmente.

O problema, entretanto, está diretamente relacionado à falta de retaguarda hospitalar para os pacientes que já ocupam a estrutura.

O hospital comunicou a situação à Secretaria Municipal de Saúde, à 9ª Regional de Saúde, à Secretaria de Estado da Saúde, à Central Estadual de Regulação e ao SAMU. O Ministério Público do Paraná também recebeu cópia do alerta.

A direção solicitou urgência na transferência dos pacientes cadastrados no sistema estadual de regulação que aguardavam vagas de UTI e enfermaria. Enquanto essas transferências não ocorrem, a capacidade de receber novos pacientes permanece comprometida.

Problema envolve toda a rede

A Secretaria Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu confirmou que acompanha a situação e classificou a capacidade do Itamed como crítica. Segundo a pasta, o hospital apresenta elevada ocupação tanto no pronto-socorro quanto nos leitos de internação, além de estar com os leitos de UTI completamente ocupados.

A secretaria afirma que existem pacientes com indicação de terapia intensiva inseridos no sistema estadual de regulação aguardando definição de vaga e transferência. A disponibilização desses leitos depende da Central de Regulação e da existência de vagas compatíveis em outros hospitais.

O Itamed integra a rede que presta atendimento pelo SUS por meio de serviços contratualizados pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná. Por isso, embora o município participe da organização dos fluxos e acompanhe a situação, parte importante da solução depende da regulação estadual.

A própria Secretaria Municipal reforçou que não houve suspensão ou encerramento do atendimento SUS pelo hospital. O que existe, segundo a administração municipal, é um esgotamento temporário da capacidade assistencial, que exige uma atuação integrada entre município, Estado, hospital e demais unidades da rede.

Um alerta depois do outro

A nova crise ocorre poucos dias depois de outro episódio envolvendo o Itamed. Na semana passada, o Conselho Municipal de Saúde (Comus) encaminhou ao Ministério Público uma denúncia relacionada à superlotação da maternidade da instituição.

Segundo os dados apresentados pelo conselho, a ocupação teria ultrapassado 230% da capacidade. A situação chamou atenção justamente por envolver um serviço considerado estratégico para Foz do Iguaçu e para municípios da região.

A maternidade atende pacientes do SUS e, diante da limitação de leitos, qualquer dificuldade de absorção de novas gestantes pode provocar reflexos em toda a rede regional.

O histórico recente também inclui uma tentativa de ampliar a estrutura do hospital. No início de 2025, o então secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, anunciou que o Paraná financiaria a construção de uma nova unidade anexa ao Itamed, com 30 novos leitos.

As tratativas, porém, não avançaram. De acordo com a instituição, havia uma divergência sobre a responsabilidade pela operação da nova ala: o Estado estaria disposto a financiar a construção, mas não teria assumido o custeio necessário para manter o serviço funcionando.

Mais de um ano depois, o problema volta a aparecer de forma concreta, agora com pacientes ocupando o pronto-socorro enquanto aguardam transferência para leitos de maior complexidade.

Cardiologia e oncologia aumentam preocupação

O cenário também chama atenção porque o setor atingido envolve atendimento cardiológico e oncológico. São áreas em que a continuidade da assistência pode ser especialmente sensível.

Embora a situação precise ser analisada de forma separada da atual superlotação do pronto-socorro, a coincidência dos episódios aumenta a preocupação sobre a capacidade da rede de manter o atendimento regular em áreas consideradas essenciais.

No caso da oncologia, interrupções ou atrasos podem afetar tratamentos que dependem de cronogramas previamente estabelecidos. Já na cardiologia, a existência de pacientes aguardando UTI evidencia a necessidade de uma estrutura de retaguarda capaz de absorver casos de maior gravidade.

Até onde vai a capacidade da rede?

A sequência de episódios levanta uma questão que ultrapassa a situação específica do Itamed: qual é a capacidade real da rede hospitalar de Foz do Iguaçu para absorver a demanda do SUS?

Maternidade superlotada, pronto-socorro acima da capacidade, pacientes aguardando UTI e enfermaria e relatos de dificuldades no atendimento oncológico formam um conjunto de sinais que não pode ser analisado apenas como um problema pontual de um hospital.

O Itamed afirma que continuará monitorando a situação e que a restrição aos novos encaminhamentos permanecerá até que haja normalização da capacidade assistencial. A Secretaria Municipal, por sua vez, diz manter interlocução permanente com o hospital, a 9ª Regional de Saúde e a Central Estadual de Regulação para tentar reorganizar os fluxos.

Enquanto isso, a pressão permanece sobre uma rede que depende da disponibilidade de leitos e da velocidade das transferências para evitar que pacientes permaneçam em setores de emergência além do tempo necessário.

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