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Salário de professores: Paraná paga quase metade do valor de Mato Grosso do Sul

Levantamento nacional mostra diferença de mais de R$ 8 mil entre a maior e a menor remuneração de entrada nas redes estaduais

Por Repórter Gazeta do Paraná

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Salário de professores: Paraná paga quase metade do valor de Mato Grosso do Sul Créditos: Divulgação

Um levantamento nacional sobre os salários iniciais dos professores das redes estaduais expõe uma grande disparidade entre os estados brasileiros e coloca o Paraná em uma posição pouco favorável. Enquanto Mato Grosso do Sul lidera o ranking, com remuneração inicial de R$ 13.007,12 para professores com licenciatura plena e jornada de 40 horas semanais, o Paraná aparece apenas na 14ª colocação, com R$ 6.658,20.

Na prática, o salário inicial pago pelo Paraná corresponde a cerca de 51% do valor recebido por um professor em início de carreira em Mato Grosso do Sul. A diferença chega a R$ 6.348,92 por mês. Em um ano, considerando 12 salários, a distância ultrapassa R$ 76 mil, sem levar em conta outras vantagens ou benefícios.

Os números chamam atenção principalmente porque o Paraná é um dos estados com uma das maiores economias do país e possui uma rede estadual de ensino com milhares de profissionais. Mesmo assim, a remuneração inicial dos professores paranaenses fica distante da registrada em estados que ocupam as primeiras posições do ranking.

O levantamento mostra Mato Grosso do Sul na primeira colocação, com R$ 13.007,12, seguido por Maranhão, com R$ 8.452,03, Pará, com R$ 8.289,46, Roraima, com R$ 7.700,47, Mato Grosso, com R$ 7.343,44, e Goiás, com R$ 7.160,49. Paraíba aparece com R$ 6.944,09, Sergipe com R$ 6.936,60 e Ceará com R$ 6.839,11.

O Paraná, com R$ 6.658,20, fica atrás também de estados como Tocantins, Amapá e Distrito Federal. O valor paranaense ainda supera o registrado em estados como Bahia, Rondônia, Pernambuco, Alagoas, Espírito Santo, Amazonas, São Paulo, Acre, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Piauí, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Outro dado que reforça a diferença é a média nacional. O levantamento aponta uma remuneração inicial média de aproximadamente R$ 6,2 mil. O Paraná está pouco acima dessa média, mas muito distante do primeiro colocado.

A diferença salarial coloca em debate a política de valorização dos profissionais da educação no Paraná. Durante a gestão do governador Ratinho Junior, o Estado tem anunciado investimentos e medidas para a educação, mas os números do ranking alimentam críticas de professores e entidades da categoria, que cobram uma política de valorização mais efetiva, especialmente na remuneração e na carreira.

Para os críticos, não basta ampliar investimentos em infraestrutura, tecnologia ou programas educacionais se os profissionais responsáveis diretamente pelo ensino continuam recebendo salários iniciais significativamente inferiores aos praticados em outros estados. A comparação com Mato Grosso do Sul torna essa diferença ainda mais evidente.

É importante destacar que o salário inicial não representa necessariamente o valor recebido durante toda a carreira. Progressões, gratificações, adicionais e outros componentes podem aumentar a remuneração dos professores ao longo dos anos. Ainda assim, o vencimento de entrada é um dos principais indicadores utilizados para avaliar a atratividade e a valorização da carreira docente.

O ranking, portanto, coloca o Paraná diante de uma contradição: um dos estados mais ricos do país aparece apenas em 14º lugar quando o assunto é salário inicial dos professores da rede estadual, enquanto Mato Grosso do Sul paga praticamente o dobro aos profissionais que estão começando na carreira.

APP-Sindicato cobra valorização e equiparação salarial

A APP-Sindicato, entidade que representa os profissionais da educação pública do Paraná, tem colocado a valorização salarial entre as principais reivindicações da categoria. Na Campanha Salarial de 2026, o sindicato defende a equiparação salarial dos professores e propõe que essa diferença seja corrigida de forma gradual, em um período de três anos. A entidade também cobra a aplicação do reajuste correspondente ao piso nacional do magistério, com pagamento retroativo a janeiro.

A cobrança ganha força diante da diferença apontada no ranking nacional: enquanto o salário inicial de um professor da rede estadual do Paraná é de R$ 6.658,20, em Mato Grosso do Sul chega a R$ 13.007,12. Ou seja, o profissional que começa a carreira no Paraná recebe pouco mais da metade do valor pago em Mato Grosso do Sul.

Para a APP-Sindicato, a discussão não se resume ao salário de entrada, mas envolve a necessidade de uma política permanente de valorização dos trabalhadores da educação, incluindo carreira, progressões e condições de trabalho. A entidade vem utilizando a campanha de 2026 para pressionar o governo estadual por uma recomposição que reduza a defasagem salarial da categoria.

A diferença entre Paraná e Mato Grosso do Sul coloca ainda mais pressão sobre o governo Ratinho Junior, que é cobrado pela categoria por uma política de valorização compatível com a importância dos profissionais da educação para a rede pública estadual.

Foto: Divulgação 

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