Saída de diretor da Prefeitura de Pato Branco ocorre após operações do MPPR; Polazzo nega relação
Carlinho Polazzo pediu exoneração 11 dias depois de três operações do Ministério Público; ex-vereador afirma que decisão vinha sendo planejada desde 2025 e diz que pretende retomar atividades empresariais
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Reprodução Portal Verdades
A saída de Carlinho Antonio Polazzo da Prefeitura de Pato Branco colocou mais uma movimentação do governo do prefeito Géri Dutra sob os holofotes. Diretor do Departamento de Administração, Polazzo apresentou pedido de exoneração no dia 10 de agosto, 11 dias depois de o Ministério Público do Paraná (MPPR) deflagrar três operações simultâneas para investigar suspeitas de crimes em Pato Branco e municípios da região. Ele, porém, afirma que a decisão é anterior às investigações e nega qualquer relação entre os episódios.
A exoneração foi oficializada pela Portaria nº 742, publicada no dia 12. Conforme o ato, o desligamento ocorreu a pedido do próprio servidor, a partir do Memorando nº 24.208, protocolado em 10 de agosto. Apesar da publicação, Polazzo permanece formalmente no cargo até 31 de agosto, quando a exoneração passa a produzir efeitos.
A proximidade das datas chamou atenção porque, em 30 de julho, o MPPR havia deflagrado as operações Agregados, Homens de Bem e Situação Precária. Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em Pato Branco e outros municípios. As apurações envolvem suspeitas relacionadas, entre outros pontos, a licitações, contratos públicos e ao setor de pavimentação.
Não há, entretanto, informação pública de que Polazzo seja investigado, tenha sido alvo de busca ou esteja relacionado aos fatos apurados nas três operações. A coincidência temporal, portanto, não permite estabelecer vínculo entre sua saída e as investigações.
Polazzo diz que saída começou a ser discutida em 2025
Depois da repercussão da exoneração, Polazzo procurou o Portal Verdades Paraná e afirmou que sua decisão de deixar a administração municipal vinha sendo amadurecida desde o fim de 2025.
Segundo ele, no ano passado, quando fazia a articulação política da Prefeitura com a Câmara Municipal, já havia manifestado a intenção de sair do governo. A pedido da administração, entretanto, teria permanecido e assumido outra função, passando para a Diretoria do Departamento de Administração.
Em janeiro deste ano, a mudança chegou a ser percebida como uma simples troca interna de funções. Polazzo deixou a Assessoria de Assuntos Legislativos e assumiu a Diretoria de Administração, enquanto Valmir Dallacosta fez o movimento inverso. Sete meses depois, o pedido apresentado por Polazzo agora prevê seu desligamento da estrutura municipal.
O ex-vereador atribui a decisão principalmente à necessidade de voltar a dedicar tempo aos negócios particulares e à família. Ao explicar a saída, afirmou que há tempos pretendia retornar às suas atividades empresariais e que a dedicação à política, inclusive desde a eleição municipal de 2020, teria prejudicado a atenção dispensada às empresas.
Atuação empresarial
Uma consulta a bases públicas ajuda a contextualizar essa justificativa. Polazzo mantém vínculos com empresas do setor imobiliário e da construção civil em Pato Branco.
A Polazzo Construtora Ltda., por exemplo, aparece em bases cadastrais como empresa ativa, com capital social de R$ 1 milhão e atuação principal na construção de edifícios, além de atividades ligadas à terraplenagem, loteamentos e incorporação imobiliária. Carlinho Antonio Polazzo consta no quadro societário da empresa.
Ele também aparece como sócio-administrador da Pato Branco Empreendimentos Ltda., aberta em julho de 2022 e dedicada principalmente à incorporação de empreendimentos imobiliários.
A pesquisa de jurisprudência indicada à reportagem mostra ainda processos judiciais em que o nome de Polazzo ou de empresas ligadas a ele aparece. Entre os resultados disponíveis está uma execução de título extrajudicial envolvendo a Polazzo Construtora, com valor da causa de R$ 45.122,28. Há também registros de outras demandas judiciais vinculadas ao nome pesquisado. A existência desses processos, por si só, não representa condenação nem indica irregularidade e tampouco estabelece relação com as investigações conduzidas atualmente pelo MPPR.
Operações pressionam ambiente político
O contexto em que a exoneração ocorre, contudo, é sensível para a administração municipal. As três operações deflagradas em 30 de julho colocaram contratos públicos e personagens ligados à política local no centro das investigações.
Na Operação Agregados, por exemplo, uma das medidas cautelares atingiu diretamente a Prefeitura. Rômulo Faggion, ex-vereador e então diretor do Departamento Municipal de Trânsito (Depatran), foi afastado cautelarmente do cargo. Segundo informações divulgadas sobre a investigação, a apuração envolve suspeitas relacionadas ao setor de pavimentação e à atuação de empresas em contratos públicos.
É nesse ambiente que ocorre a saída de Polazzo, personagem conhecido da política pato-branquense. Ele foi eleito vereador pela primeira vez em 1992 e exerceu diferentes funções no Legislativo municipal, inclusive a presidência da Câmara. Registro oficial da própria Casa confirma sua trajetória como parlamentar.
Por isso, embora a exoneração tenha ocorrido poucos dias depois das operações, até o momento os elementos públicos disponíveis apontam para duas situações distintas: de um lado, investigações do Ministério Público que atingiram integrantes e ex-integrantes da estrutura político-administrativa do município; de outro, um pedido de exoneração que Polazzo sustenta estar relacionado a uma decisão pessoal tomada meses antes.
A coincidência das datas chama atenção e ajuda a explicar a repercussão política do episódio, mas não é suficiente para estabelecer uma ligação entre os fatos. Até agora, não há informação pública de que Carlinho Polazzo seja investigado nas operações deflagradas pelo MPPR.
Créditos: Redação
