Plano Nacional de Logística prevê redução de R$ 1 trilhão por ano nos custos de transporte até 2050
Governo quer reduzir dependência das rodovias e ampliar ferrovias, hidrovias e cabotagem para tornar logística brasileira mais eficiente
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Grupo EPR/Divulgação
O governo federal lançou nesta quarta-feira (12) o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, com uma meta ambiciosa: reduzir em cerca de R$ 1 trilhão por ano, em valores atuais, os custos de transporte de mercadorias no Brasil. A expectativa é diminuir de aproximadamente 15% para 6% do Produto Interno Bruto (PIB) a parcela consumida pela logística até 2050. As informações são da Agência Infra.
A proposta parte de um diagnóstico conhecido: o Brasil ainda depende excessivamente das rodovias para movimentar sua produção. Atualmente, cerca de 60% das cargas são transportadas por caminhões, modal considerado mais caro em comparação com ferrovias, hidrovias e cabotagem.
Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, essa estrutura provoca desperdícios que chegam a R$ 1 trilhão por ano. Um dos exemplos citados foi o transporte rodoviário de minério de ferro por mais de 1,5 mil quilômetros entre Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, uma operação que poderia ser realizada de maneira mais eficiente por outros modais.
A preocupação aumenta diante da projeção de que o volume de cargas transportadas no país deverá triplicar até 2050. Para o governo, manter o modelo atual significaria ampliar ainda mais os custos e os gargalos logísticos.
O PNL pretende, portanto, direcionar investimentos para uma matriz mais equilibrada, aumentando a participação das ferrovias, hidrovias e da navegação de cabotagem. O plano divide o território nacional em corredores voltados à exportação, ao mercado interno e à integração territorial, estabelecendo 31 eixos prioritários e outros 11 considerados alternativos.
Dos 112 objetivos definidos pelo plano, 70 estão relacionados à solução de problemas já existentes. A ideia é que os investimentos sejam direcionados para os principais gargalos, evitando a simples elaboração de uma lista de grandes obras sem conexão entre si.
O governo estima que a execução completa do PNL possa demandar cerca de R$ 1,2 trilhão em investimentos, embora esse valor ainda possa mudar. Aproximadamente 40% da projeção deverá contar com recursos públicos, segundo a estimativa atual baseada nos orçamentos federal e estaduais projetados até 2050.
Santoro ressaltou que o plano não deve ser tratado como um documento rígido. A proposta é atualizá-lo ao longo dos anos conforme mudanças econômicas, tecnológicas e na movimentação de cargas. Os planos setoriais de cada modal deverão detalhar as intervenções necessárias e têm previsão de conclusão até dezembro.
Portos, meio ambiente e cabotagem
Um dos principais gargalos identificados está nos acessos aos portos brasileiros. O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destacou a necessidade de ampliar a capacidade e a previsibilidade das operações portuárias. Entre as iniciativas citadas está a concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá, no Paraná, apresentada como exemplo de um modelo que poderá ser levado a outros terminais.
As questões ambientais também aparecem como parte central do planejamento. Santoro afirmou que o PNL buscou antecipar possíveis problemas de licenciamento para evitar paralisações prolongadas de obras. Segundo o ministro, uma consultoria contratada por meio do Banco Mundial avaliou a situação dos licenciamentos dos projetos considerados relevantes.
Outra novidade é a inclusão da cabotagem no planejamento integrado. O governo pretende ampliar o uso do transporte marítimo entre portos brasileiros, reduzindo a dependência do transporte rodoviário em determinadas rotas.
O plano também prevê alternativas para desafogar aeroportos de grande movimento. Segundo Tomé Franca, o governo avalia permitir que aeroportos privados passem a operar voos comerciais, especialmente em regiões onde terminais como Guarulhos e Congonhas já enfrentam forte pressão de demanda.
Monitoramento
A execução do PNL será acompanhada por um comitê dentro do Planejamento Integrado de Transportes, com participação de diferentes órgãos do governo. O plano terá ciclos de revisão a cada quatro anos, permitindo ajustes conforme os resultados alcançados.
O Tribunal de Contas da União também prepara mecanismos de monitoramento para acompanhar os investimentos e comparar custos e benefícios dos projetos. A intenção é evitar que decisões futuras afastem o planejamento da meta central: reduzir os custos logísticos e tornar mais eficiente o transporte de cargas no país.
O desafio, entretanto, será transformar o planejamento em obras, concessões e mudanças efetivas na matriz de transportes. A meta de economizar R$ 1 trilhão por ano é expressiva, mas depende de investimentos de longo prazo e, principalmente, da capacidade do poder público de manter as prioridades estabelecidas pelo PNL ao longo das próximas décadas.
