Diretora de comunicação do governo aparece em mobilização da campanha de Sandro Alex e levanta questionamentos
Foto publicada nas redes sociais mostra 25 pessoas em sala identificada como “Equipe de redes”; registro foi divulgado por Cinthia Genguini, diretora de Comunicação Digital da Secom. Apuração é de O Diário de Maringá
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Reprodução
Uma fotografia publicada nas redes sociais abriu um novo questionamento sobre os limites entre a estrutura de comunicação do Governo do Paraná e a campanha eleitoral do candidato ao Palácio Iguaçu Sandro Alex (PSD). O registro mostra 25 pessoas reunidas em uma sala identificada como “Equipe de redes”, durante a preparação para o primeiro debate eleitoral.
A informação foi revelada pelo O Diário de Maringá, em reportagem publicada nesta quarta-feira (12). A apuração chama atenção não apenas para o tamanho da estrutura de comunicação mobilizada, mas principalmente para quem publicou a fotografia: Cinthia Amador Genguini, diretora de Comunicação Digital da Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) do Governo do Paraná.
Na imagem, as 25 pessoas aparecem reunidas sob a identificação “Equipe de redes”, acompanhada da mensagem “Prontos para o primeiro debate” e da hashtag “#unidoseempaz”. O registro foi divulgado pelo perfil pessoal de Cinthia nas redes sociais. 
A fotografia, isoladamente, não permite afirmar que todos os presentes façam parte formalmente da campanha, tampouco que sejam servidores públicos ou estejam sendo remunerados pela estrutura eleitoral. O episódio, entretanto, coloca no centro do debate uma questão que exige esclarecimento: qual é a participação da responsável pela comunicação digital do Governo Ratinho Junior na campanha de Sandro Alex?
Cargo estratégico no governo
Segundo levantamento de O Diário de Maringá, Cinthia Genguini ocupa oficialmente o cargo de diretora de Comunicação Digital da Secom. Ela foi nomeada pelo Decreto nº 8.707/2025 e aparece em documentos oficiais exercendo atividades relacionadas diretamente à estratégia de comunicação institucional do Estado.
Trata-se, portanto, de uma posição estratégica dentro da máquina de comunicação do Executivo paranaense.
A presença da diretora no contexto registrado pela fotografia não comprova, por si só, eventual utilização de recursos públicos na campanha ou qualquer irregularidade eleitoral. Também não esclarece se Cinthia desempenha alguma função formal na candidatura de Sandro Alex.
É justamente essa ausência de informações que sustenta os questionamentos levantados pela apuração.
Cinthia integra oficialmente a campanha? Atua voluntariamente? Está afastada das funções públicas nos momentos em que participa de atividades eleitorais? A atuação ocorre exclusivamente fora do horário de expediente? Há outros profissionais da comunicação estadual envolvidos na campanha?
Até o momento, a fotografia não permite responder a essas questões.
Onde termina o governo e começa a campanha?
O caso ganha relevância porque a estrutura de comunicação do Governo Ratinho Junior foi ampliada e consolidada ao longo dos últimos anos, com produção diária de releases, fotografias, vídeos, entrevistas e outros materiais destinados à divulgação de obras, programas e ações estaduais.
A comunicação institucional é uma atividade legítima da administração pública. Em período eleitoral, entretanto, a separação entre a divulgação institucional financiada pelo contribuinte e a comunicação destinada a promover candidaturas precisa ser rigorosamente observada.
Nesse cenário, a apuração de O Diário de Maringá levanta outro ponto: quantos profissionais que trabalharam ou ainda trabalham na comunicação do Palácio Iguaçu passaram a colaborar com a campanha de Sandro Alex e em quais condições isso eventualmente ocorre?
Caso existam servidores nessa situação, é necessário esclarecer se houve afastamento ou licença, se continuam exercendo suas funções normalmente e se eventual participação eleitoral ocorre fora do expediente e sem utilização de equipamentos ou recursos pertencentes ao Estado.
Estrutura chama atenção
A própria dimensão da equipe fotografada também desperta questionamentos.
O registro reúne 25 pessoas somente em uma sala identificada como “Equipe de redes”. A partir disso, ainda não está claro qual é o tamanho completo da comunicação da candidatura, considerando áreas como imprensa, rádio, televisão, fotografia, produção audiovisual, design, monitoramento e estratégia.
Também permanece em aberto quem financia essa estrutura.
A prestação de contas eleitoral deverá permitir identificar empresas e profissionais formalmente contratados, valores pagos e despesas declaradas pela campanha. Da mesma forma, será possível verificar a existência de serviços voluntários e eventuais doações eleitorais, dentro das regras estabelecidas pela legislação.
O ponto central não é presumir irregularidades a partir de uma fotografia, mas estabelecer com transparência a origem dos recursos e a natureza das relações profissionais envolvidas na estrutura eleitoral.
Perguntas ainda sem resposta
A publicação traz, portanto, dois fatos objetivos: 25 pessoas aparecem reunidas em um ambiente identificado como “Equipe de redes” durante a preparação para o primeiro debate; e o registro foi divulgado pelo perfil de uma ocupante de cargo estratégico na comunicação oficial do Governo do Paraná.
A partir daí, permanecem questões que podem ser esclarecidas documentalmente.
Qual é a função de Cinthia Genguini na campanha de Sandro Alex? Há outros integrantes da comunicação do Governo do Paraná trabalhando ou colaborando com a candidatura? Em caso positivo, esses profissionais estão afastados de suas funções públicas? Quem financia a estrutura de comunicação eleitoral e quanto ela custa?
Como destacou a apuração de O Diário de Maringá, as respostas podem ser buscadas junto à própria campanha, à Secretaria de Estado da Comunicação, nos registros funcionais e nas prestações de contas eleitorais.
A fotografia não oferece essas respostas. Mas tornou as perguntas públicas.
Créditos: Redação
