Reunião pública em Cascavel vai reunir pessoas de religiões de matriz africana para discutir liberdade religiosa
Quimbandeiros, umbandistas e candomblecistas serão ouvidos no debate. A finalidade é construir um ambiente educativo para toda comunidade sobre religião e combater o preconceito
Por Valéria Mendes
Créditos: Outras Palavras
Dia 18 de março, às 19h, acontecerá uma reunião pública com povos de comunidades tradicionais de matriz africana, na Câmara Municipal de Cascavel. O objetivo é construir um debate sobre liberdade religiosa, enfrentamento do racismo religioso e uso de espaços públicos para estes grupos. Dirigentes, filhos de santos, lideranças e toda a comunidade estão convidados a participar desta reunião.
Segundo o Governo Paranaense, católicos e evangélicos são a maioria entre as religiões do estado. Apesar disso, dados do Censo IBGE em 2022 (divulgados em julho de 2025), apontam que o número de pessoas pertencentes a religiões de matriz africana cresceram, passando de 7,6 mil em 2010, para 58,5 mil em 2022. A proporção de adeptos passou de 0,3% para 1,0%.
O Disque 100 se tornou um veículo de apoio para vítimas de racismo religioso. De acordo com o levantamento do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em 2024, houve um aumento de 66,8% em denúncias de intolerância religiosa, e em 2025, um aumento de 12,2% comparado ao ano anterior. Ressaltando que essas são apenas denúncias, em 2025 a porcentagem de violações representaram um aumento de 107,1% em relação ao ano de 2023.
Mariza, mãe de santo do terreiro de umbanda Caboclo Oxóssi e Cabocla Jurema, contou em entrevista, que sofreu perseguição no seu emprego anterior, por ser umbandista, além de situações desconfortáveis com vizinhos: “Infelizmente, ainda existem pessoas que julgam a Umbanda sem conhecer sua verdadeira essência. Terreiros são alvo de ataques, praticantes são ofendidos e, muitas vezes, precisam esconder sua fé para evitar comentários maldosos ou exclusão social. Eu mesma, já ouvi muitas coisas horríveis sobre mim e sobre a minha religião. Um dia, estava chegando em casa, e me chamaram de "Bruxa". Esse tipo de atitude demonstra intolerância religiosa e falta de respeito à diversidade que existe no Brasil”.
As religiões de matriz africana não são resumidas a uma só, o candomblé, umbanda e quimbanda são religiões que tem suas individualidades, rituais e preceitos próprios. Expandir a diversidade é apresentar outros tipos de fé para a sociedade e abrir caminhos para combater a violência contra determinados grupos religiosos.
Créditos: Valéria Mendes
