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Lula prepara reforma ministerial e pode perder até 60% do primeiro escalão para as eleições de 2026

Movimento envolve ministros que devem deixar o governo até abril para disputar cargos nos Estados; estratégia mira fortalecimento do Senado e palanques regionais para a reeleição presidencial.

Lula prepara reforma ministerial e pode perder até 60% do primeiro escalão para as eleições de 2026 Créditos: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para a maior reforma ministerial do atual mandato. A expectativa no Palácio do Planalto é que mais da metade dos ministros deixe o cargo até abril, prazo final de desincompatibilização para quem pretende disputar as eleições de 2026.

Levantamentos internos indicam que 23 dos 38 ministros devem sair para concorrer a cargos nos Estados, principalmente ao Senado. A estratégia busca ampliar a base aliada na Casa e garantir sustentação política em um eventual novo mandato presidencial.

Entre os nomes já confirmados está Gleisi Hoffmann, que deixará a articulação política para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná. A decisão partiu do próprio presidente. Outro nome cotado é Rui Costa, que deve concorrer na Bahia.

O foco do governo está no Senado. Em 2026, 54 das 81 cadeiras estarão em disputa. Auxiliares próximos ao presidente avaliam que uma base sólida na Casa é fundamental para evitar CPIs, barrar pautas de desgaste e reduzir tensões institucionais.

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São Paulo também ocupa posição central na estratégia eleitoral. O presidente perdeu o Estado em 2022 e avalia que um palanque competitivo pode diminuir a vantagem da direita. Nesse contexto, Fernando Haddad aparece como nome possível para o governo paulista ou para o Senado, apesar de negar publicamente a intenção de concorrer.

Outros ministros também avaliam disputar eleições. Simone Tebet negocia mudança partidária para viabilizar candidatura em São Paulo. Marina Silva discute novas filiações e é vista como nome competitivo ao Senado. Carlos Fávaro também deve concorrer em Mato Grosso.

No caso de Geraldo Alckmin, a orientação do Planalto é mantê-lo como vice na chapa presidencial. Já Camilo Santana avalia deixar o cargo para disputar o governo do Ceará ou atuar na coordenação política da campanha.

Além das disputas majoritárias, há ministros que devem concorrer à Câmara dos Deputados, como Anielle Franco e Sônia Guajajara.

Com a saída em bloco, a tendência é que secretários executivos assumam interinamente os ministérios, garantindo a continuidade administrativa. A avaliação do Planalto é que o período terá menor pressão legislativa, o que reduz riscos à governabilidade.

Se confirmada, a reforma será a maior debandada ministerial proporcional desde o início dos anos 2000. O prazo final para afastamento dos cargos é 4 de abril, seis meses antes do primeiro turno.

Em tom irônico, Lula comentou a movimentação em reunião recente: “Quando o ministro sai, ele chora. Mas quando quer sair, sempre encontra bons argumentos”.

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