Lula diz que pobres são tratados como “invisíveis” em evento sobre salário mínimo
Presidente afirma que melhorar a vida da população mais humilde nunca foi levado a sério no país
Créditos: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (16), que a população pobre é frequentemente “tratada como invisível” no Brasil. Segundo ele, os mais humildes acabam sendo lembrados apenas “para que sociólogos escrevam teses” e “para que políticos façam discursos”, sem que a melhoria concreta das condições de vida seja tratada com a devida seriedade.
A declaração foi feita durante cerimônia em comemoração aos 90 anos da criação do salário mínimo, realizada na Casa da Moeda do Brasil, no Rio de Janeiro. O evento contou com a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e da ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck.
No discurso, Lula afirmou que, historicamente, temas como educação, saúde e renda foram tratados como privilégios restritos. “No Brasil, educação, saúde e salário parecem coisas destinadas a quem estudou, a quem tem dinheiro”, declarou o presidente, ao defender políticas públicas voltadas à redução das desigualdades sociais.
Evento marca 90 anos do salário mínimo
A cerimônia marcou o lançamento oficial de medalhas comemorativas pelos 90 anos da Lei nº 185, que instituiu o salário mínimo no Brasil. A legislação foi implementada em 1936, durante o governo de Getúlio Vargas, com o objetivo de promover justiça social, reduzir desigualdades e estimular o desenvolvimento econômico.
A lei foi regulamentada quatro anos depois, em 1º de maio de 1940, consolidando o salário mínimo como instrumento de proteção ao trabalhador e de garantia de renda básica no país.
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Valor atual e critérios de reajuste
Desde 1º de janeiro de 2026, o salário mínimo em vigor é de R$ 1.621. O valor foi definido após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado no cálculo do reajuste anual. O índice registrou variação de 0,03% em novembro e acumulou alta de 4,18% em 12 meses.
Dados do Censo de 2022 indicam que cerca de 35 milhões de brasileiros, quase um terço da força de trabalho, recebem até um salário mínimo. Pela regra atual, o reajuste anual considera a inflação medida pelo INPC somada ao crescimento do Produto Interno Bruto de dois anos antes, com limite máximo de 2,5%.
