Produtor de suínos recebe 11% menos do que gasta para produzir no Paraná
Preço pago pelo quilo do suíno despencou quase 25% em um ano e chegou a R$ 5,31 em agosto, enquanto custo de produção alcançou R$ 5,96; alimentação já responde por mais de 70% das despesas
Por Gazeta do Paraná
Créditos: CNA/WENDERSON ARAUJO/TRILUX
A conta deixou de fechar para o suinocultor paranaense. Em agosto, produzir um quilo de suíno vivo no Paraná custou, em média, R$ 5,96, enquanto o produtor recebeu R$ 5,31 pelo mesmo quilo. Na prática, foram R$ 0,65 a menos por quilo produzido, fazendo com que a remuneração ficasse 10,91% abaixo do custo de produção.
Os números constam no mais recente Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, elaborado a partir de dados da Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa.
O problema não está apenas no tamanho da diferença, mas na velocidade com que ela se abriu. Em julho, o custo de produção estava em R$ 5,81 por quilo. Um mês depois, avançou 2,58%, chegando aos R$ 5,96.
Na outra ponta aconteceu exatamente o contrário. O preço médio recebido pelo produtor caiu de R$ 5,54 para R$ 5,31 por quilo entre julho e agosto, uma retração de 4,15%.
Ou seja: o custo subiu justamente enquanto o preço pago pelo animal caiu.
Preço despencou quase 25% em um ano
A comparação com o ano passado torna a situação ainda mais evidente. Em agosto de 2025, o produtor paranaense recebia, em média, R$ 7,05 pelo quilo do suíno vivo. Em agosto deste ano, eram R$ 5,31.
A queda chega a 24,68% em apenas 12 meses, ou R$ 1,74 a menos por quilo.
O movimento também aparece quando se observa somente 2026. Em janeiro, o suíno vivo era negociado no Paraná por uma média de R$ 6,94 por quilo. O valor caiu para R$ 5,31 em agosto, uma redução de 23,49% em oito meses.
Enquanto isso, o custo de produção de agosto ficou 4,01% acima do registrado no mesmo mês do ano passado, quando estava em R$ 5,73 por quilo.
É justamente essa combinação que comprimiu as margens: o produtor passou a receber muito menos pelo animal, sem que suas despesas acompanhassem a mesma trajetória.
Ração leva sete de cada dez reais
O maior peso continua dentro do cocho. A alimentação respondeu por 70,64% de todo o custo de produção dos suínos no Paraná em agosto.
Somente essa despesa chegou a R$ 4,21 por quilo produzido, contra R$ 4,07 em julho. Em apenas um mês, o gasto aumentou 3,44%.
Outros componentes também pressionaram a atividade. No índice calculado pela Embrapa, energia elétrica, calefação e cama tiveram aumento de 8,32% no mês, enquanto os custos de capital avançaram 2,91%.
O Índice de Custos de Produção de Suínos atingiu 363,13 pontos em agosto. Apesar de ainda acumular redução de 2,04% no ano, o indicador está 1,74% acima do registrado há 12 meses.
Mais animais no mercado
O cenário de preços também é influenciado pela maior disponibilidade de animais.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que 15,70 milhões de suínos foram abatidos no Brasil no segundo trimestre de 2026, aumento de 4% em relação ao mesmo período do ano passado e de 2,6% na comparação com os três primeiros meses deste ano.
A maior oferta ajuda a pressionar as cotações do suíno vivo. O movimento já havia sido identificado no Sul do país no início de setembro, com recuo dos preços diante do aumento da disponibilidade de animais para abate.
Exportação cresce, mas produtor sente pressão
O quadro chama atenção porque ocorre justamente em um período de expansão das vendas externas.
Como a Gazeta do Paraná mostrou nesta semana, as exportações paranaenses de carne suína cresceram 24,3%, reforçando a presença do Estado no mercado internacional. O avanço dos embarques, porém, ainda não foi suficiente para neutralizar a pressão exercida pela oferta sobre os preços internos.
O Paraná ocupa posição estratégica nessa cadeia. É o segundo maior produtor brasileiro de carne suína e tem no Oeste um de seus principais polos de produção e processamento.
Em 2025, o Estado também se consolidou como o maior fornecedor de carne suína para o mercado doméstico, respondendo por 23,7% da carne consumida no país. Apenas 19,2% da produção paranaense daquele ano teve como destino o exterior, proporção significativamente menor que a observada em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
Isso deixa a cadeia paranaense particularmente exposta ao comportamento do mercado interno.
O resultado aparece agora na ponta da produção: para cada R$ 5,96 gastos para colocar um quilo de suíno no mercado, o produtor recebeu apenas R$ 5,31 em agosto. Uma diferença pequena quando vista por quilo, mas que se multiplica rapidamente em uma atividade que trabalha com milhares de animais.
Créditos: Redação
