Banco Master: Vorcaro pagou milhões a ligados a Moraes, Temer, Mantega e Ratinho Jr.
Documentos do caso Master apontam repasses milionários a empresas e escritórios ligados a figuras como Michel Temer, Guido Mantega, Ricardo Lewandowski, Jaques Wagner, ACM Neto e à família de Ratinho Junior
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Documentos que integram as investigações sobre o Banco Master revelam uma extensa rede de pagamentos feitos por empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro a escritórios e empresas relacionados a políticos, ex-ministros e autoridades de diferentes espectros.
Os registros apontam que, além do escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, houve repasses milionários a empresas ligadas a Michel Temer, Guido Mantega, Ricardo Lewandowski, Jaques Wagner, ACM Neto e à família do governador do Paraná, Ratinho Junior.
Os valores aparecem em documentos encaminhados à investigação e envolvem diferentes períodos e tipos de contratos. A existência dos pagamentos, porém, não significa, por si só, que os beneficiários tenham cometido irregularidades.
MAIS DE R$ 80 MILHÕES
O maior valor identificado está relacionado ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, que teria recebido cerca de R$ 80 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025.
O escritório pertence a Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. O ministro aparece no centro de uma das principais frentes da crise envolvendo o caso Master, que será analisada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.
O caso envolve contratos de prestação de serviços advocatícios e documentos encontrados pela Polícia Federal durante a investigação.
TEMER E MANTEGA
Os documentos também apontam R$ 10 milhões pagos pelo Master ao escritório de advocacia de Michel Temer em 2025. O ex-presidente afirma, entretanto, que recebeu R$ 7,5 milhões, divididos em duas parcelas, por serviços de mediação.
Já a Pollaris Consultoria, ligada ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, aparece com R$ 14 milhões em pagamentos realizados entre 2024 e 2025.
Outro nome citado é o do ex-ministro do Supremo e ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski. O escritório Lewandowski Advocacia, que tinha como sócios a mulher e o filho do jurista, recebeu pelo menos R$ 6,1 milhões do banco desde novembro de 2023.
Lewandowski deixou a sociedade em janeiro de 2024, pouco antes de assumir o Ministério da Justiça. Ele afirma que o escritório prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master.
JAQUES WAGNER E EMPRESA DA FAMÍLIA
O senador Jaques Wagner também aparece nos documentos. Há um registro de R$ 289 mil atribuído a ele como pessoa física.
O parlamentar nega ter recebido pagamento direto do Banco Master e afirma que o valor corresponde a rendimento de aplicação financeira.
Além disso, uma empresa ligada à sua nora, Bonnie Bonilha, recebeu cerca de R$ 12 milhões do Master entre 2022 e 2025. A empresa afirma que prestou serviços de prospecção de operações e convênios de crédito e que os contratos foram regulares, com emissão de notas fiscais.
ACM NETO E GRUPO MASSA
A A&M Consultoria, ligada ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto, aparece com R$ 5,45 milhões em pagamentos entre 2023 e 2025. A empresa afirma que os serviços foram prestados de forma lícita, mas não confirmou os valores apontados nos documentos.
Também aparecem empresas ligadas à família do governador do Paraná, Ratinho Junior. Os registros indicam aproximadamente R$ 24 milhões em repasses ao Grupo Massa entre 2022 e 2025, distribuídos entre empresas do grupo.
A assessoria afirma que Ratinho Junior não é sócio das empresas e que os valores estão relacionados a contratos regulares de publicidade e ações comerciais com o Banco Master.
REDE DE PAGAMENTOS SOB INVESTIGAÇÃO
A divulgação dos documentos ocorre em meio à análise, pelo Supremo Tribunal Federal, de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro.
O material reúne mensagens, contratos, registros financeiros e informações sobre relações do banqueiro com autoridades e empresários. Parte desses dados foi tornada pública pelo STF nos últimos dias.
O plenário do Supremo deverá analisar nesta terça-feira (15) o relatório da Polícia Federal relacionado às mensagens envolvendo Vorcaro e Alexandre de Moraes. A discussão poderá definir se haverá abertura de investigação sobre o ministro e também levantar questões sobre a validade dos procedimentos adotados na coleta e análise das informações.
As referências a pagamentos e contratos ainda estão sob investigação. Os valores registrados nos documentos não comprovam, isoladamente, irregularidades, favorecimento ou qualquer crime por parte dos citados.
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