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Preso por suspeita de imagens de nudez infantil, ex-apresentador participou de doação para entidade que atende crianças
Fernando Antonio Dorne representou um programa de sorteios na entrega de R$ 5 mil à APMI de Céu Azul cerca de um ano antes de ser preso preventivamente
O empresário e ex-apresentador Fernando Antonio Dorne, preso preventivamente por suspeita de produzir e compartilhar imagens de nudez infantil, participou da entrega de uma doação de R$ 5 mil à Associação de Proteção à Maternidade e Infância (APMI) de Céu Azul, no Oeste do Paraná, cerca de um ano antes de ser alvo da operação da Polícia Civil.
O valor não foi doado diretamente por Fernando, mas ele representou o programa de sorteios de prêmios em que trabalhava durante o repasse à entidade beneficente. Na época, a entrega foi divulgada pela Prefeitura de Céu Azul nas redes sociais, com fotos do empresário ao lado de autoridades municipais e representantes da associação. Após a prisão dele, a publicação foi removida.
A APMI atua sem fins lucrativos e desenvolve ações voltadas ao atendimento de crianças, gestantes e famílias em situação de vulnerabilidade.
Investigação aponta envio de imagens de bebês
Segundo a Polícia Civil, Fernando, de 54 anos, conhecido como "Homem do Chapéu", é investigado por solicitar imagens das partes íntimas de bebês a uma professora de 52 anos que trabalhava em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) de Céu Azul.
De acordo com a investigação, as fotografias eram feitas durante a troca de fraldas das crianças, no horário de trabalho da servidora. O nome da professora não foi divulgado para preservar a identidade das vítimas e de suas famílias.
Até o momento, três crianças foram identificadas como vítimas. O inquérito tramita sob segredo de Justiça.
Caso surgiu após denúncias em Cascavel
Conforme a delegada Jéssica Farias, responsável pela investigação, o caso começou após denúncias de abuso sexual envolvendo Fernando chegarem à Delegacia da Mulher de Cascavel.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência do empresário, em Céu Azul, e na empresa dele, em Cascavel.
"A partir da análise do material apreendido, surgiram novos elementos indicando a ocorrência de fatos também no município de Céu Azul", afirmou a delegada.
Com o avanço das investigações, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca na casa da professora e, posteriormente, pediu a prisão preventiva dos dois investigados.
Os celulares apreendidos serão periciados pela agência de inteligência da Polícia Civil para verificar a existência das imagens e o contexto em que foram produzidas. A polícia também apura se as crianças podem ter sido vítimas de outros tipos de abuso.
Prefeitura fala em caso sem precedentes
Após a prisão da professora, a Prefeitura de Céu Azul divulgou nota afirmando que acompanha a investigação e classificou o caso como um "fato sem precedentes na história da rede municipal de ensino".
O município informou que adotará as medidas administrativas cabíveis conforme o andamento das investigações e reafirmou o compromisso com a proteção de crianças e adolescentes.
Defesa nega acusações
A defesa de Fernando Dorne afirmou que o empresário é inocente e sustentou que não existem provas materiais capazes de comprovar as acusações.
Em nota, o advogado Ruan Cavalaro Belini disse que a prisão preventiva foi baseada, segundo a defesa, em um depoimento unilateral e que Fernando seria vítima de falsas acusações. O defensor afirmou ainda confiar que os fatos serão esclarecidos durante o processo e pediu a revogação da prisão preventiva.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil e tramita em segredo de Justiça.
