Presidente da Acic critica reforma tributária e alerta para impactos no comércio e nos serviços
Em entrevista à Gazeta do Paraná, Márcio Blazius afirma que o novo sistema aumenta a complexidade tributária, preocupa empresários e defende investimentos em infraestrutura, logística e geração de empregos
Créditos: Cid Pieniak - "Papinha"
A reforma tributária, a falta de mão de obra, a migração de empresas para o Paraguai, os problemas no fornecimento de energia elétrica e as eleições de 2026 estiveram entre os principais temas abordados pelo presidente da Associação Comercial e Industrial de Cascavel (Acic), Márcio Blazius, durante entrevista ao podcast Gazeta Entrevista, da Gazeta do Paraná. O dirigente analisou os desafios enfrentados pelo setor produtivo e defendeu medidas para ampliar a competitividade das empresas.
Tributarista e empresário, Blazius afirmou que a expectativa do setor era por uma reforma que simplificasse o sistema tributário e reduzisse a burocracia, mas, segundo ele, o resultado foi diferente. "A melhor mudança que eu gostaria, como tributarista e como empresário, é que essa reforma não entrasse em vigor." destaca
Para ele, a principal preocupação é o período de transição, quando dois sistemas tributários funcionarão simultaneamente. "O empresário esperava diminuição de tributos e simplificação. Na prática, isso não aconteceu. Agora teremos dois sistemas convivendo durante anos e isso só aumenta a complexidade, ou seja, o empresário esperava simplificação, mas ganhou mais complexidade", afirma Blazius.
Blazius acredita que cidades com forte presença do setor de serviços, como Cascavel, sentirão mais os impactos da mudança. "Nós temos uma cidade essencialmente prestadora de serviços e um ramo imobiliário muito forte. Essas duas áreas serão impactadas negativamente", pontuou.
Em contrapartida, avalia que o setor exportador tende a ser um dos principais beneficiados com a devolução mais eficiente de créditos tributários.
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Paraguai e infraestrutura
Durante a entrevista, o presidente da Acic também comentou o interesse de empresários em investir no Paraguai. Segundo ele, o país oferece vantagens tributárias e trabalhistas, mas a decisão exige planejamento.
"Vale a pena conhecer, conversar com empresários que já fizeram esse movimento. Mas nem todos os ramos terão vantagem em migrar para o Paraguai."
Outro tema foi a infraestrutura. Blazius defendeu investimentos em rodovias, energia e logística para acompanhar o crescimento da produção regional. Ele lembrou que a Acic acompanha o cronograma das novas concessões de pedágio e cobra mudanças, como a realocação da praça prevista entre Cascavel e Toledo para evitar prejuízos ao Distrito de Sede Alvorada.
Também criticou os problemas no fornecimento de energia elétrica após a privatização da Copel.
"As cooperativas projetam praticamente dobrar a produção nos próximos anos, mas está sendo . Se não houver investimentos em rodovias, ferrovias e portos, teremos dificuldades para escoar essa produção."
Mercado de trabalho
Blazius também demonstrou preocupação com a falta de trabalhadores e os debates sobre o fim da escala 6x1. Para ele, antes de reduzir a jornada é preciso elevar a produtividade.
"Não somos contra melhorar a qualidade de vida do trabalhador, mas primeiro precisamos aumentar a produtividade."
Segundo o dirigente, a escassez de mão de obra já é um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas.
"Hoje o grande desafio do empresário é encontrar mão de obra. Temos vagas abertas historicamente e muitos setores não conseguem contratar."
Ao final da entrevista, Blazius anunciou que a Acic realizará, no dia 30 de julho, um evento voltado às empresas do Simples Nacional para esclarecer as mudanças trazidas pela reforma tributária e orientar empresários e contadores sobre as novas regras.
Foto: Cid Pieniak
