"Polícia prende mal": fala de Lewandowski pega mal e gera indignação das forças de segurança
Durante evento, ministro afirmou que judiciário é obrigado a soltar pessoas presas devido a falta de critério dos policiais em prisões
Por Da Redação
Créditos: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
A insegurança da população diante da reincidência criminal e o ciclo de "prende e solta" no Brasil voltaram a ser debatidos após uma declaração polêmica do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. Durante um evento em Brasília, na última quarta-feira, ele afirmou: "a polícia prende mal, e o Judiciário é obrigado a soltar". A fala repercutiu rapidamente e gerou indignação entre agentes de segurança e entidades representativas.
A Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol) reagiu, afirmando que a declaração demonstra desconhecimento institucional das forças policiais, falta de embasamento técnico e ausência de compromisso com a segurança pública. A entidade classificou a fala como um "grave desrespeito" aos profissionais que arriscam suas vidas no combate ao crime.
A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) também se posicionou contra a afirmação do ministro, pontuando que as supostas más investigações se devem à "histórica omissão do próprio ministério em promover ações concretas para o aprimoramento do sistema de segurança pública — especialmente nas áreas científica e tecnológica."
Em âmbito nacional, a Associação dos Delegados da Polícia Federal também emitiu uma nota, criticando a posição do ministro. Segundo a entidade, a declaração "desrespeita a polícia judiciária e compromete a integração do sistema de justiça criminal".
A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná manifestou apoio às polícias estaduais e reiterou que as forças de segurança exercem papel fundamental na proteção da sociedade. O órgão também destacou que o estado tem registrado os menores índices de criminalidade da história, resultado de investimentos em tecnologia, efetivo e estratégias de policiamento.
Após ser duramente criticado pela fala, o Ministro afirmou que sua fala foi retirada de contexto e afirmou que a polícia brasileira é "altamente eficiente e preparada". Lewandowski afirmou que sua fala foi no contexto de defender a PEC da Segurança Pública e melhor estrutura para agentes de segurança.
"Quero ressaltar agora, publicamente, que nós temos uma polícia brasileira altamente eficiente e preparada. A minha expressão foi pinçada fora do contexto, que as polícias têm que ser melhor remuneradas, melhor equipadas, precisar ser melhor informadas para que possam prender para que não haja esse fenômeno do judiciário eventualmente ter que corrigir erros de prisões que não foram feitos de acordo com a lei", disse o Ministro.
Reincidência
Em Cascavel, a revolta da população tem sido impulsionada por casos de reincidência criminal. Suspeitos com histórico de crimes voltam às ruas poucas horas após serem presos, frustrando o trabalho das forças policiais. Apesar das brechas na legislação, as polícias têm intensificado o combate à criminalidade, realizando operações frequentes para capturar foragidos e coibir a violência.
Nesta semana, uma ação do Grupo de Diligências Especiais (GDE) resultou na prisão de um homem com vasta ficha criminal, identificado como um dos autores de um roubo a uma transportadora ocorrido em janeiro. No entanto, mesmo com imagens que comprovavam sua participação no crime, um mandado de prisão não foi expedido, sendo efetuada apenas buscas na casa do suspeito.
Outro caso que gerou revolta foi registrado na região norte da cidade. Um homem foi preso por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo, mas foi liberado antes mesmo de passar por audiência de custódia. De acordo com documentos do Judiciário, não houve qualquer irregularidade na prisão em flagrante, mas, por ser réu primário, a Justiça considerou que não havia justificativa para a prisão cautelar, optando por sua soltura.
Enquanto nada muda, a população segue convivendo com a incerteza e o medo, aumentando a desconfiança no sistema de Justiça e na capacidade do Estado de garantir a segurança de seus cidadãos.
