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Foz do Iguaçu realiza primeira cirurgia robótica do Paraná com tecnologia inédita

Médico urologista dr. Eduardo Hassan foi o responsável pelo procedimento de retirada de próstata considerado um marco para a medicina na cidade

Foz do Iguaçu realiza primeira cirurgia robótica do Paraná com tecnologia inédita Créditos: Divulgação

Enquanto muitas pessoas preparavam as festas de fim de ano, numa das salas do Hospital Unimed, em Foz do Iguaçu, o urologista dr. Eduardo Hassan adotava as últimas providências para realizar a cirurgia que entraria para a história da medicina regional. No dia 27 de dezembro, um paciente de 75 anos, diagnosticado com câncer de próstata, foi submetido a um procedimento considerado revolucionário por um aspecto em especial: a precisão. O diferencial está no uso de um robô denominado Toumai.

“O que mais preocupa os homens é o risco de impotência, porque os nervos da potência passam muito perto da próstata,” explica dr. Eduardo. Segundo ele, uma das técnicas bastante utilizadas é a laparoscopia em que o médico manuseia diretamente os instrumentos, usando câmera interna. “Nas cirurgias laparoscópicas e nas convencionais o risco de disfunção sexual chega a 60%. Com o robô, cai para menos de 20%. Em relação à incontinência urinária, os riscos reduzem de 20% para 2%,” ressalta.

As cirurgias robóticas geram menos sangramento, reduzem tempo de internação, causam menos dor no pós-operatório e têm recuperação mais rápida. “Tive sorte deste robô estar aqui justamente na minha vez de operar”, reconhece o paciente Paulo de Mendonça. Ele faz consultas periódicas e alterações nos exames serviram de alerta. “Conversei com amigos e estava realmente preocupado. Muitos que fizeram a remoção de próstata reclamam de dor, tontura e problemas relacionados às funções urinária e sexual. Mas posso dizer que minha recuperação foi rápida, estou super bem e em poucos dias retirei a sonda”, comemora. 

A cirurgia inédita atraiu a atenção da equipe do hospital e contou com a participação direta de mais dois médicos: dr. Paulo Caldas (Chapecó/SC) e dr. Jorge Lucas Torres (Foz do Iguaçu/PR), além da equipe de enfermagem. Depois da prostatectomia, o Hospital Unimed já oportunizou uma segunda cirurgia robótica, desta vez no aparelho digestivo e outros procedimentos já estão sendo programados.

Robô cirurgião x cirurgião robótico
Atuando em conjunto com um robô, o médico passa a ter uma visão tridimensional de altíssima qualidade, ampliada em até 10 vezes, do interior do corpo do paciente. Além disso, ele controla braços mecânicos com ponteiras minúsculas extremamente eficientes para funções como pinçar, manipular, cortar e suturar. A tecnologia é tão avançada que neutraliza, inclusive, os mínimos tremores naturais das mãos humanas. 

O robô é composto por três partes. A primeira sustenta os braços mecânicos e a câmera de alta definição – é essa parte que fica acoplada ao paciente. Outra parte, separada, é o console, um terminal tecnológico operado pelo médico, com ergonomia que permite longos períodos de trabalho com conforto. “O cirurgião e o robô se tornam, praticamente, uma coisa só, por isso os comandos têm que ser corretos e precisos. O mais fascinante é que o robô faz até movimentos que o punho humano não consegue fazer, como o giro em 360°”, explica dr. Eduardo Hassan. A terceira parte do equipamento é uma base de imagens que permite à equipe acompanhar todo o procedimento.

O robô Toumai é fabricado na China pela empresa MicroPort. “O robô possibilita cirurgias a distância, ou seja, o cirurgião de Foz do Iguaçu poderá operar pacientes em qualquer lugar do mundo onde esteja instalado um robô igual ou vice-versa”, revela Eder de Matos, gerente de educação robótica da HospCom, representante da marca no Brasil. 

Foz do Iguaçu é a primeira cidade do Paraná a receber o robô Toumai. Na região Sul, apenas Porto Alegre (RS) possui a mesma tecnologia – além de Campo Grande (MS), Goiânia (GO) e São Paulo (SP). Para atuar com o robô, o médico precisa ter uma certificação específica, validada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pela sociedade médica da especialidade. 

Benefícios para a região trinacional
De acordo com o representante da HospCom, esta tecnologia ainda não está disponível na região de fronteira do Paraguai e da Argentina com o Brasil, por isso os benefícios avançam os limites geográficos. “Em torno de 25% do movimento do Hospital Unimed é de paraguaios e brasileiros que residem no Paraguai e eles também podem agendar procedimentos aqui”, informa o vice-presidente da Unimed Foz, dr. Carlos Zamarian que atuou como anestesista na primeira cirurgia robótica no município. 

A cirurgia de próstata é uma das que mais se beneficiam pelo uso do robô, mas os resultados também são muito favoráveis em casos de hérnias complexas, intervenções profundas na pelve e até diástases pós-gestação. Pelos relatos médicos, o Hospital Unimed estima que cerca de 20 pacientes de Foz se desloquem para outras cidades, mensalmente, em busca de cirurgias robóticas - 70% são casos de urologia. 

Dr. Eduardo Hassan
O primeiro médico a operar com robô em Foz tem certificação em robótica pelo Hospital Albert Einstein (SP) e é especialista em urologia (sistema reprodutor masculino e doenças do trato urinário de homens e mulheres) pelo Hospital São Lucas da PUC (RS). Dr. Eduardo Hassan é formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Atua em Foz do Iguaçu há 16 anos e, nos últimos quatro anos, se dedica a essa evolução na área cirúrgica, especialmente a prostatectomia robótica, já que o câncer de próstata é o tipo mais comum entre os homens (depois do câncer de pele que não é melanoma).

Dr. Eduardo já opera usando robô desde 2021, atendendo os pacientes em São Paulo. “Enfrentávamos os desafios da distância, envolvendo a logística de deslocamento que gera certo estresse,” pontua ele. O urologista considera revolucionário o investimento feito pelo Hospital Unimed. “É, sem dúvida, um marco para a minha carreira, para a história da medicina regional e uma conquista incrível para os pacientes.” 

Assessoria

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