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Petróleo despenca 7% após sinal de trégua entre EUA e Irã; mercado reage à redução das tensões

Preço do barril Brent recua após Donald Trump anunciar cancelamento de ataque ao Irã; investidores acompanham negociações e decisão da Opep+ de ampliar a produção

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Petróleo despenca 7% após sinal de trégua entre EUA e Irã; mercado reage à redução das tensões Créditos: Tania Rego/Agência Brasil

O mercado internacional de petróleo começou a semana em forte queda após sinais de redução das tensões entre Estados Unidos e Irã. Na noite deste domingo (2), o contrato do barril Brent para outubro, referência global para o setor, recuava cerca de 7%, sendo negociado a US$ 83,57 por volta das 19h30 (horário de Brasília).

O movimento ocorre depois de um mês de forte valorização da commodity. Em julho, o petróleo acumulou alta superior a 20%, registrando o maior avanço mensal desde março, período marcado pelo início da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Trump anuncia cancelamento de ataque

A queda dos preços foi impulsionada por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando uma possível desescalada do conflito no Oriente Médio.

No sábado (1º), Trump afirmou que decidiu cancelar um ataque militar contra o Irã após receber pedidos do governo iraniano e de outros países da região para suspender as ofensivas enquanto um acordo é negociado.

Segundo publicação feita na rede Truth Social, o entendimento teria como objetivo permitir a reabertura "imediata, completa e total" do Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, além de buscar uma solução para a questão do programa nuclear iraniano.

Trump também declarou que Israel concordou com a proposta de suspensão das ações militares enquanto as negociações avançam.

Irã nega versão dos Estados Unidos

O governo iraniano, porém, contestou as declarações do presidente norte-americano.

A agência estatal Mehr classificou a versão apresentada por Trump como "mais uma mentira" e informou que o Irã permanece em estado máximo de alerta para responder a qualquer eventual ataque.

Apesar da negativa oficial, o mercado financeiro reagiu à possibilidade de redução dos riscos para o fornecimento global de petróleo.

Rotas marítimas continuam sob atenção

Mesmo com o sinal de trégua, o cenário permanece cercado de incertezas.

Nos últimos dias, aliados houthis do Irã no Iêmen passaram a ameaçar o Estreito de Bab el-Mandeb, outra importante rota utilizada para o transporte internacional de petróleo, localizada na entrada do Mar Vermelho.

No sábado, a Divisão de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido informou ter recebido relatos de dois incidentes envolvendo navios-tanque próximos à costa de Omã. Em um dos casos, um projétil atingiu a casa de máquinas de uma embarcação. No outro, uma explosão foi registrada nas proximidades de outro petroleiro, sem causar danos.

Os episódios mantêm o mercado atento à segurança das principais rotas de exportação de petróleo.

Opep+ aumenta produção

Também neste domingo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) anunciou um aumento na oferta da commodity.

Arábia Saudita, Rússia e outros cinco países integrantes do grupo decidiram elevar a produção em 188 mil barris por dia a partir de setembro.

Segundo comunicado divulgado após a reunião, a medida faz parte do processo de ajuste da produção pelos países participantes.

Para analistas do setor, a decisão já era esperada. O especialista Jorge León, da consultoria Rystad Energy, avaliou que o principal desafio da Opep+ será administrar um possível excesso de oferta quando as exportações voltarem à normalidade.

De acordo com ele, a ampliação da produção terá impacto limitado no curto prazo, já que o fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz ainda enfrenta restrições devido ao cenário de instabilidade na região.

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