Peru vai às urnas para eleger presidente em meio à maior crise política da década
Disputa entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez ocorre após sucessivas quedas de governos e instabilidade institucional no país andino
Por Gazeta do Paraná
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Os cerca de 27 milhões de eleitores peruanos vão às urnas neste domingo (7) para escolher o próximo presidente do país em um cenário marcado por profunda instabilidade política. A eleição coloca frente a frente a direitista Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez Palomino, em uma disputa que pode redefinir os rumos do país após uma década de sucessivas crises institucionais.
Desde 2016, o Peru teve oito presidentes e nenhum conseguiu concluir um mandato completo. Nesse período, renúncias, destituições e disputas entre Executivo e Congresso transformaram o país em um dos cenários políticos mais instáveis da América do Sul.
Keiko, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, chega ao segundo turno após liderar a primeira votação com 17,1% dos votos. Já Sánchez, ex-ministro e aliado do ex-presidente Pedro Castillo, avançou com 12% dos votos e busca consolidar o apoio de setores populares, rurais e indígenas.
Analistas apontam que a disputa está fortemente marcada pela polarização em torno do legado do fujimorismo. Enquanto Keiko herda a base eleitoral construída por seu pai, também enfrenta a rejeição de eleitores que responsabilizam o antigo governo por violações de direitos humanos e práticas autoritárias.
Do outro lado, Sánchez defende uma reforma constitucional para substituir a atual Carta Magna, elaborada durante o governo Fujimori, além de ampliar políticas sociais. Sua candidatura também atrai parte dos apoiadores de Pedro Castillo, que foi eleito em 2021, mas acabou destituído pelo Congresso após tentar dissolver o Parlamento.
A eleição ocorre em meio a um contexto de fragilidade institucional. O último presidente peruano a completar um mandato foi Ollanta Humala. Desde então, o país vive uma sequência de confrontos entre Executivo e Legislativo, que culminaram em prisões de ex-presidentes, protestos violentamente reprimidos e trocas frequentes de governo.
Além das questões internas, o resultado também poderá influenciar o posicionamento geopolítico do Peru. Especialistas avaliam que uma vitória de Keiko tende a aproximar o país de governos conservadores da região e dos Estados Unidos, enquanto Sánchez deve adotar uma postura mais pragmática, embora enfrente dificuldades para implementar mudanças profundas devido à força do Congresso.
Independentemente do vencedor, o próximo presidente terá como principal desafio restaurar a estabilidade política e recuperar a confiança da população em instituições abaladas por anos de crises sucessivas e disputas de poder.
